As Revelações Através dos Padres Exorcistas
A REALIDADE DO
MALIGNO
(Nota à edição
portuguesa)
Este livro que agora se publica, doze anos depois dos acontecimentos, é um grito de alarme aos suficientes que tudo explicam por causas naturais. Revela uma realidade hedionda, um mundo em permanente trabalho de destruição, que quer aprisionar as almas nas trevas e conseguir a sua condenação. Esses agentes do reino negro em expansão, falam do que estão a fazer, do que fizeram e do que planejam.
Tudo se passa no tempo do Papa Paulo VI, um homem de dores, e muito do que se diz refere-se àquela circunstância. No entanto, por cima disso, desfila um horizonte de destruição e negrura, uma aposta de demolição e uma raiva sem fim contra a humanidade e o Criador. O livro não perdeu a atualidade: antes a ganhou, dada o sentimento do mundo que proclama abertamente a morte de Deus e do diabo. Na realidade, nem o Criador se apagou, nem a má criatura desapareceu: antes trabalha para a perdição da Igreja e dos homens, com uma inteligência e eficácia inquietantes.
Os documentos no princípio e no fim desta obra, servem para mostrar que não se trata de uma história fabricada por alucinados na Suíça. É uma história real, verificável, inquietantes, misteriosa, que nos lembra as terríveis palavras de Nossa Senhora de Fátima: “Vão muitas almas para o inferno porque não tem quem reze por elas”. Esse sítio existe e desse poço infernal espalha-se um mal que invade as mentes, as instituições e a terra. Leiamos com atenção e, como diz São Paulo referindo-se aos carismas, retenhamos o que é útil, o que é bom, o que é salvífico e nos pode ajudar na nossa vida de todos os dias.
Não nos fixemos nos pormenores, nas pequenas coisas; consideremos antes as grandes linhas e o sofrimento desta alma. Sofrimento real, terrível, medonho. Pensemos no nosso próprio sofrimento, tantas vezes exagerado para inglês ver. E se tivéssemos uma coisa assim?
Elevemos o nosso espírito a Deus, numa oração profunda e verdadeira, peçamos por todos, invoquemos o Espírito Santo e... assim, com esta disposição, de entendimento aberto, comecemos a leitura.
1
PREFÁCIO
A MINHA
EXPERIÊNCIA
(Testemunho
do editor Buonaventur Meyer)
A par do grande número de casos
de possessão, que chegaram até nós pela Sagrada
Escritura, são muitos os textos literários que através
dos séculos dão testemunho de tais factos. O holandês
W. C. Van Dam, na sua obra modelar Demônios e Possessos
(Pahloch Editora, 1970) cita mais de duzentos livros diferentes, que
dão testemunho desta realidade.
No ano de 1947 tomei
conhecimento de um caso de possessão e pude verificar como da
mesma pessoa se emitiam vozes estranhas e como a aspersão com
água benta provocava uma imediata reacção de
repulsa.
Em 1975 assisti a um exorcismo de sete pessoas possessas,
numa Igreja em Itália. Presenciei as reacções
dos pobres possessos durante o exorcismo. Além disso, vi o seu
comportamento durante a recepção dos Sacramentos, a sua
oposição e, finalmente, a sua capitulação
perante o Santíssimo Sacramento. As pessoas assim atormentadas
tinham vindo, por sua livre vontade, para serem exorcizadas por um
Padre piedoso, “porque procuravam um alívio, que ninguém
mais lhes poderia dar”, como elas próprias me
confiaram.
Uma das possessas, que fora dos exorcismos se comporta
como qualquer outra pessoa, mostrou-me cicatrizes nos seus braços,
e explicou-me que durante 25 anos consultara médicos e
professores de Medicina, mas ninguém tinha conseguido
aliviá-la, a não ser aquele Padre, homem Santo, que na
Igreja recitara um exorcismo. Esse Padre, homem piedoso e de alma
fervorosa, proibiu-me de revelar o seu nome, dado que o Episcopado,
por causa do ataque da imprensa actualmente generalizado em quase
todo o mundo, não autoriza o Grande Exorcismo com que se
expulsam os demônios e, além disso, impõe ao
exorcista o maior silêncio para que nada seja tornado
público.
Apesar da Bíblia referir cerca de 70 vezes
o inferno e mais vezes ainda o demônio, encontramos na Igreja
actual Bispos competentes, professores de Teologia tolerantes, que
negam a existência pessoal do demônio, e com ela, a
existência do inferno e também a existência de
todo o mundo Angélico.
SOBRE A POSSESSA
A propósito da possessa que este
livro refere, chegou-se há pouco, mais uma vez, à
conclusão de que no caso desta mulher e mãe se trata de
uma alma reparadora, que desde os 14 anos é atormentada por
pavorosos estados de angústias e períodos de insônia
total. Foi tratada pelos métodos mais modernos da Medicina e
da Psiquiatria durante as suas oito permanências em clínicas.
Quando, depois do mais rigoroso tratamento, lhe deram alta,
considerando-a como um caso inexplicável, um exorcista
conhecido comprovou casualmente a possessão de um modo
inequívoco. Após um exorcismo, que contou com a
colaboração de vários Sacerdotes, realizado num
lugar de Aparições da Virgem (Fontanelli Montichiari,
em Itália), tanto os demônios (anjos caídos) como
almas danadas (pessoas condenadas) foram obrigados, por ordem da
Santíssima Virgem, a fazer importantes revelações
dirigidas à Igreja actual.
Tendo convidado vários
Bispos e representantes da Psiquiatria e Medicina para assistirem a
um exorcismo, realizado em 26 de abril de 1978, dia da Festa de Nossa
Senhora do Bom Conselho, estiveram em minha casa, para a realização
do exorcismo, seis Sacerdotes e também o psiquiatra francês
Dr. M. G. Mouret, director clínico do hospital psiquiátrico
de Limoux (França) possuidor de grande experiência em
tais fenômenos.
Depois do exorcismo de três horas, com
muitas revelações saídas da boca da possessa
antes e após o exorcismo, o Dr. Mouret deixou por escrito o
seu testemunho, afirmando que no caso presente não se tratava
nem de esquizofrenia, nem de histeria, mas sim do controle da pessoa
por uma força exterior, que a Igreja Católica apelida
possessão.
Esta mulher, possessa e mãe de quatro
filhos, é continuamente atormentada até ao limite das
suas forças. Apesar disso, procura cumprir o melhor possível
os seus deveres familiares. O fardo monstruoso, os tormentos causados
pelos demônios que lhe perturbam o sono nocturno, as continuas
revelações feitas pelos espíritos, significam um
martírio permanente. O seu único alívio vem
daqueles Sacerdotes que, contrariando as tendências actuais, se
compadecem do seu estado, lhe ministram os Sacramentos e recitam o
Exorcismo.
* * *
Mas já em 25 de abril de 1977,
por disposição da Divina Providencia, tinha visitado a
possessa e assistido a um exorcismo, acompanhado pelo prelado
Professor Dr. Georg Siegmund, de Fulda. Como docente, formara
gerações de Sacerdotes e também como teólogo,
filósofo e biólogo, publicara já um grande
número de trabalhos científicos, de tal modo que o
físico de renome mundial, o cristão evangélico
Pascal Jordan, qualificou-o como um dos filósofos e teólogos
mais importantes da actualidade.
Sem tomar posição
relativamente ao conteúdo das revelações
demoníacas, o Prof. Siegmund atesta no epílogo:
“Relativamente à pessoa, estou convencido de que não
se trata, nem de uma histérica, nem de uma psicopata ou de uma
doente psíquica, o que, aliás, já foi também
confirmado por médicos especialistas. Os seus fenômenos
de possessão, como eu próprio pude observar, dão
a impressão de se tratar de possessão autêntica.
Ela e também a sua família sofrem, pois que a
autoridade competente, impede uma verdadeira assistência
espiritual, por receios, aliás, compreensíveis, numa
época em que reina a negação do espiritual”.
No
seu testemunho, o Prof. Siegmund refere-se ao número sempre
crescente de pessoas, mesmo nas escolas superiores de Teologia, que
negam a existência de satanás e dos Anjos. A esta
atitude segue-se a destronização do Altíssimo.
Buonaventur Meyer
2
A VIDA POSSESSA
Embora a senhora em causa, devido ao seu estado de saúde e à grande distância e isolamento da sua aldeia natal só tivesse freqüentado a escola primária, possui inteligência acima da média, compreensão rápida e boa memória. Da sua biografia, que ela própria escreveu à máquina, extraímos as seguintes passagens (por motivos compreensíveis omitimos nomes e lugares e, por questões de espaço, abreviamos as descrições).
“ Os meus pais viviam numa pequena quinta. O lugar é muito isolado. Nasci na Suíça alemã, em 1937, no Domingo do Santo Escapulário, dia em que a admissão das crianças na Congregação do Escapulário era solenemente festejada. Fui batizada na terça-feira seguinte. Diz a minha mãe que eu, em bebê, chorava imenso e dormia excepcionalmente pouco. Pensavam, no entanto, que isso era devido a problemas intestinais, mas nunca foi possível fundamentar essas conjecturas dum modo satisfatório.
Na primavera de 1944, comecei a
freqüentar a escola. Era uma criança tímida e
muito calma. Aprendia com facilidade. A leitura, a escrita e as
contas, não apresentavam qualquer dificuldade para mim.
O
meu lugar preferido era à beira do ribeiro, na erva e junto
das flores. Muitas vezes juntava-me com outras crianças e
gostávamos de agitar as pernas dentro da água. As
nossas conversas eram iguais às de qualquer criança
desta idade. Também falávamos, às vezes, de
assuntos de carácter religioso, do Céu, do inferno, do
Purgatório.
Fiz a primeira Comunhão em 1946. Levei esse acto muito a sério e preparei-me o melhor que pude. Dum modo geral, posso dizer que o tempo escolar passou sem incidentes dignos de nota. Desde muito nova acompanhava os meus pais ao campo, onde procurava ser útil. Os meus irmãozitos exigiam muito tempo e trabalho.
Depois da minha primeira Comunhão passei a ir quase diariamente à Missa e à Sagrada Comunhão. Tinha, então, a sensação, quando lia o meu Missal negligentemente ou rezava menos, de que as graças eram menos abundantes. Aos treze anos, tive que agüentar ataques mais ou menos duros doutras crianças. Cochichavam que eu era uma “beata” e que queria ir para freira. Senti-me profundamente envergonhada mas, referindo-se ao facto, a minha avó disse-me: “Ora, não dês ouvidos às outras crianças. Elas não sabem o que dizem. O que importa, é que Deus esteja contente contigo.”
Gostava muito de ir à Igreja e, quando na Missa solene, o coro entoava cânticos, os altares estavam ornados de flores e o cheiro do incenso se espalhava, tinha a impressão de que todos os que se encontravam estavam muito próximo do Céu.
ACEITAR A VONTADE DE DEUS
“Era o começo da
insônia total e, o mais simples era aceitar a vontade de Deus.
Mais tarde, compreendi que me envolvia e revolvia nesta cruel
obscuridade, sem encontrar uma saída. Este tormento era o meu
quinhão, dia e noite, e ninguém podia ajudar-me. A
minha madrinha acompanhou-me ao médico, que ficava muito
distante. Ele disse que eu tinha apanhado uma inflamação
nos rins e na bexiga, e que isso atacara o sistema nervoso.
Receitou-me medicamentos, mas continuei a piorar e algum tempo
depois, o médico mandou-me para o hospital”.
Deste
modo, esta pobre criança foi submetida, desde os catorze anos,
ao mais duro dos martírios. Passou os anos seguintes ajudando
nos trabalhos domésticos, sendo essa actividade apenas
interrompida pelos tratamentos médicos e por curtas estadias
no hospital. Como se esses sofrimentos não bastassem, teve que
mandar arrancar os dentes porque um médico pensou que eles
eram a causa dos seus sofrimentos. Isto, porém, não
levou a nenhuma mudança no seu estado; foi apenas, para a
pobre, um sofrimento suplementar.
A Divina Providência
deu-lhe então um homem sem fortuna, mas honesto. Casou com ele
em 1962, embora a princípio a família a tivesse
dissuadido de o fazer. Esta mulher e mãe, na casa dos quarenta
anos, deu à luz quatro encantadoras crianças. Durante a
gravidez e os partos não experimentou quaisquer melhoras nos
seus inexplicáveis sofrimentos. Pelo contrário. Mais
enfraquecida que nunca foi levada para clínicas e casas de
repouso, mas por fim os especialistas de uma clínica de grande
nomeada, mandaram-na para casa, como uma pessoa mentalmente sã,
mas considerando-a um caso inexplicável.
Injecções,
electrochoques e outros tratamentos, ocasionaram-lhe maiores e
insuportáveis sofrimentos, interrompidos apenas por fugidios
raios de luz. Por volta de 1972, (então com 35 anos),
registrou ligeiras melhoras. Ela escreveu a este propósito:
“
Descobriu-se, por acaso, que sofria duma falta total de fósforo.
Tomei umas cápsulas e, de facto registraram-se melhoras, no
meu estado geral. Até que ponto era fósforo, até
que ponto era a vontade de Deus que me dava finalmente alívio?
Não sei! Consegui dormir, se é que se pode chamar
dormir a um mero passar pelo sono ou, quando tudo ia pelo melhor,
dormitar. Os estados de angústia eram cada vez mais raros,
sentia de novo vontade de rir e podia já fazer normalmente os
meus trabalhos caseiros. O meu marido andava radiante, mas não
havia ninguém que se sentisse mais aliviado do que eu. Podia
ter novamente dois filhos comigo, o que me dava uma enorme alegria.
Louvei e glorifiquei o Senhor por ter sido finalmente liberta, mas
nem por isso deixei de compreender que o sofrimento, por maior e mais
esmagador que seja, pode ser sempre uma graça. Por isso,
pensava muitas vezes que Ele sabia a razão de me ter conduzido
através desta noite.”
EXORCISMOS E REVELAÇÕES
Em 1974, sobreveio uma grave recaída.
“ A minha irmã levou-me a casa de um bom homem que já
tinha prestado ajuda a muitas pessoas. Na sua presença, senti
bruscamente uma sacudidela no braço, sem que eu o tivesse
movimentado. O homem disse de repente: 'Penso que a senhora está
possessa. Em seguida, fui ter com um Sacerdote, que se mostrou muito
céptico, mas que apesar disso, fez um exorcismo. Então,
ele declarou-me que todos os sinais indicavam que se tratava de
possessão.”
Finalmente, depois de difíceis
exorcismos e de muitas orações, um exorcista
experimentando conseguiu romper a barreira. Depois de vários
exorcismos, os demônios e as almas condenadas, com certos
intervalos, foram-se revelando. Conseguiu-se mesmo uma libertação
temporária, mas todos os demônios voltaram. Pediu-se a
um Bispo para dar autorização a um exorcismo oficial e
para tomar a responsabilidade. No dia 8 de Dezembro de 1975, cinco
exorcistas obtiveram autorização para o Grande
Exorcismo. Seguiram-se outros, de carácter mais limitado, em
que estiveram presentes, no máximo, três Padres. As
revelações feitas no decurso destes exorcismos pelos
demônios, sob as ordens da Santíssima Virgem, são
as que se encontram na presente obra.
SITUAÇÃO PRESENTE
Os pais confirmaram, em algumas frases escassas e sucintas, certas datas da vida da sua filha. Tanto eles como ela ignoram até 1974 a origem dos seus indizíveis sofrimentos. Tudo tentaram, quer através da Medicina, quer da Psiquiatria, para que a filha pudesse ter alívio e curar-se. Tudo em vão. Restou-lhes unicamente o caminho da oração.
O que mais impressiona na casa paterna é a simplicidade e o horror a qualquer idéia de maravilhoso e espetacular. A origem dos sofrimentos da filha é para eles inexplicável e entregam-se confiantemente à oração, numa submissão total à vontade de Deus. Os numerosos documentos, como cartas, registros gravados e fotografias tiradas durante os exorcismos, estão à disposição da Igreja, para uma investigação canônica.
A Divina Providência nem sequer permitia os seus amigos ou vizinhos se interessarem sobre o que estava a passar-se. A sua possessão só se manifesta na sua vida interior e, embora seja cruelmente atormentada durante noites inteiras, pode durante o dia desempenhar as suas tarefas domésticas.
Desde 1975 que não freqüenta a Igreja e é horrivelmente assediada pelos demônios, em diversas partes da Santa Missa, à benção ou quando se encontra em contacto com relíquias ou objectos benzidos. Sempre que possível, é semanalmente visitada por um Sacerdote que lhe ministra os Sacramentos.
OS PLANOS DE DEUS
Os sofrimentos expiatórios que esta mulher aceita com tanta generosidade, a miséria interior que suporta e o total abandono em que vive, particularmente nos dias que se seguem aos exorcismos, em união com os sofrimentos de Cristo, com a sua agonia e abandono, decerto muito contribuirão para a salvação das almas. A grande preocupação desta alma reparadora é a de não entravar, por sua culpa, as revelações feitas ao nosso tempo, pelos demônios, sob as ordens da Rainha do Céu e da Terra, e não permitir assim que, por negligência e descuido, muitas almas, que poderiam salvar-se, sejam condenadas para sempre.
Pedimos a todos os leitores destas linhas uma oração muito especial por intenção desta alma tão sacrificada.
3
TESTEMUNHOS
TESTEMUNHO DO REV.º PADRE RENZ *
Devido ao empenhamento de um irmão
espiritual da companhia de Jesus, o Padre Rodewyk SJ, acedi a um
convite para me deslocar à Suíça onde,
juntamente com outros Padres, fiz cinco exorcismos, seguindo o método
de S.S. Leão XIII, de 10 de Junho à 13 de Julho de
1997, à possessa.
De acordo com a minha experiência
nestes assuntos estou convencido de que, no presente caso, se trata
de possessão e que as revelações feitas pelos
demônios resultam do comando e da coacção
evidente de um poder superior. Isso não impede que os demônios
resistam continuamente a essa imposição. O calvário
extremamente doloroso da possessa, desde há vinte e quatro
anos, a sua aceitação dos sofrimentos enviados por
Deus, as muitas orações de um grande número de
pessoas e o conteúdo das revelações feitas, são
garantias de que elas são queridas por Deus e por Maria, Mãe
da Igreja.
Naturalmente que todas as comunicações
sobre a verdadeira doutrina da Igreja e a sua situação
actual, têm que ser examinadas. A oposição
levantada contra as revelações presentes, denuncia a
vontade destruidora dos demônios. O conteúdo do livro
tem como objectivo uma sólida renovação da
Igreja. Aliás, não é a primeira vez que Deus e a
Santíssima Virgem se manifestam à Igreja através
dos demônios, como o prova a conhecida obra Sermões do
demônio, de Niklaus
Wolf von Rippertschwand (13 de Junho de 1977).
· O Padre Arnold Renz, SDS, nasceu em 1911 e foi ordenado Sacerdote em Passau, em 1938, como membro da Ordem dos Salvatorianos. De 1938 até 1953 trabalhou como missionário em Fuklen (China). De 1954 a 1963 foi pároco e director espiritual de várias paróquias e institutos religiosos. A partir de 1965 a até 1976 foi pároco em Rueck-Schippach St. Pius (em Spessart, Diocese de Wurzburg). O Bispo Stangl, de Wurzburg, encarregou-o do caso de possessão de Anneliese Michel, em Klingenberg. Em seguida, voltou para a paróquia.
TESTEMUNHO DE
DENKINGER,
JOVEM
TEÓLOGO
Testemunho de um jovem teólogo,
que analisou directamente o texto do livro, antes da impressão
definitiva.
“ Depois duma leitura crítica da presente
obra, depois de ouvir algumas das gravações, depois de
uma visita à mulher em questão, só me resta
declarar o seguinte: - Estou absolutamente convencido da
autenticidade Divina das revelações aqui publicadas. Eu
e a minha teologia moderna temos de nos render perante uma humildade
tão grande, como a que ressalta dos textos”.
Johannes Denknger (Teólogo diplomado, Olten)
ALGUMAS OBSERVAÇÕES E ESCLARECIMENTOS
Os demônios são
forçados pelo Céu a falar, contra vontade, sobre a
Igreja e a sua situação actual, de tal modo que as suas
declarações contrariam o seu reino e favorecem o Reino
de Cristo. No seu ódio, os espíritos infernais evitam,
na maior parte das vezes, pronunciar o nome de Maria, da
Bem-Aventurada, da Virgem ou de Mãe de Deus. Referem-se à
Virgem Santíssima como : “Ela lá em cima.”
Também não dizem: “Maria assim o quer”,
mas, “Ela quere-o”, “Ela força-nos”,
“Ela manda dizer.” Do mesmo modo rodeiam, de diversas
maneiras, o nome de Jesus e da Santíssima Trindade. Muitas
vezes sublinham as suas palavras com um gesto do dedo da possessa,
apontando para cima ou para baixo.
Quando
os demônios exigem orações, por exemplo, quando
dizem que é necessário recitar uma oração,
ou orações, antes de falarem, é claro que este
pedido não resulta de um desejo do inferno, mas do Céu,
que o exprime por intermédio dos demônios. Durante as
revelações feitas por sua boca, a possessa foi
violentamente atormentada por dificuldade em respirar, convulsões,
perturbações cardíacas e crises de sufocação.
Daí o carácter muitas vezes irregular das frases. Como
estes exorcismos contrariavam o inferno, os demônios
recusaram-se muitas vezes em continuar a falar. Além disso,
punham objeções diversas, rosnavam, gritavam, troçavam
e cinqüenta por cento destes apartes foram omitidos por questões
de brevidade e simplificação mas, no conjunto, a luta
foi muito mais dura e prolongada do que o leitor poderá
imaginar. É preciso ter isto bem presente para não
cometer o erro de pensar que estas graves revelações
foram obtidas facilmente.
ÁTRIO
OS EXORCISTAS
Os Sacerdotes, cujos nomes se seguem, declaram que, baseando-se no seu conhecimento pessoal do caso de possessão, estão absolutamente convencidos da autenticidade das revelações feitas pelos demônios, sob a ordem da Santíssima Virgem.
Padre Albert d'Arx,
Niederbuchsiten
Padre Arnold Egli, Ramiswil
Padre Ernest
Fischer, Missionário, Gossau
Padre Pius Gervasi, OSB,
Disentis
Padre Karl Holdener, retirado, Ried
Padre Gregor
Meyer, Trimbach
Padre Robert Rindere CPPS, Auw
Padre Louis
Veillard, retirado, Cesneux-Péquignot
Os Sacerdotes são todos de nacionalidade Suíça, excepto o Padre Fischer, que é alemão. Todos participaram nos exorcismos, salvo o Padre Gregor Meyer, que durante algum tempo foi o diretor espiritual da senhora atacada e que a conhece, muito bem. Dois outros Padres, de nacionalidade francesa, participaram também nos exorcismos.
NOTE BEM: Apesar do testemunho dos Sacerdotes envolvidos e de outros peritos, desejamos declarar, de acordo com o decreto do Papa Urbano VIII, que a este documento só se pode dar uma fé humana. Submetemos a totalidade do texto ao juízo supremo da Santa Igreja.
OS EXORCISMOS
1
EXORCISMO DE 14 DE AGOSTO DE 1975
Contra: Akabor, demônio
do Coro dos Tronos (A)
Allida,
demônio do Coro dos Arcanjos (AL)
Em todos os exorcismos, os preparativos eram intensos e compreendiam orações especiais do ritual Romano, consagrações, Salmos prescritos, o Rosário, Ladaínhas, Exorcismos, etc... Os Sacerdotes exorcizam demônios previamente identificados.
Exorcista (E): Demônio Akabor, nós, Sacerdotes, representantes de Cristo, ordenamos-te, em nome da Santa Cruz, do Preciosíssimo Sangue, das Cincos Chagas, das catorze estações da Via Sacra, da Santíssima Virgem Maria, da Imaculada Conceição, de Lurdes, de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, de Nossa Senhora do Monte Carmelo, de Nossa Senhora da Grande Vitória de Wigratzbal, das Sete Dores de Maria, de São Miguel Arcanjo, dos nove Coros Angélicos, do Anjo da Guarda desta mulher, de São José terror dos espíritos malignos; dos Santos Padroeiros desta mulher, de todos os Santos Anjos de Guarda e Anjos dos Sacerdotes, de todos os Santos do Céu, especialmente de todos os Santos Exorcistas, do Santo Cura d'Ars, de São Bento, dos servos e servas de Deus, Padre Pio, Teresa de Konnersreuth, Catarina Emmerich, de todas as Almas do Purgatório, e em nome do Papa Paulo VI, ordenamos-te, então, Akabor, como Sacerdotes de Deus, em nome de todos os Santos que acabamos de invocar, em nome da Santíssima Trindade, do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, volta para o inferno.*
* Estas invocações e outras foram constantes e repelidas. Para facilitar a leitura, suprimiram-se, ressalvando-se, no entanto, que os Sacerdotes sempre as fizeram, insistindo nas que se revelaram como mais eficazes.
O INFERNO É HORRÍVEL
A - Tenho ainda que falar...
E - Diz
a verdade e só a verdade, em nome da Santíssima
Trindade, da Santíssima Virgem Maria da Imaculada
Conceição(...).A - Sim, em seu nome, e em nome dos
Tronos de onde venho, tenho ainda que falar.
Eu estava nos Tronos.
Eu, Akabor, tenho que dizer (respira ofegantemente e grita com uma
voz horrível) como o inferno é horrível. É
muito mais horrível do que se pensa. A Justiça de Deus
é terrível; terrível é a Justiça
de Deus! (grita e geme).
E - Continua a dizer a verdade, em nome
da Santíssima Trindade (...) diz o que Deus te ordena.
A -
O inferno é bem pior do que a primeira vista e
superficialmente poderíeis pensar; a justiça... e
naturalmente também a Misericórdia estão lá,
mas é preciso muita confiança, é preciso rezar
muito, é necessária a confissão, tudo é
necessário. Não se deve condescender facilmente com os
modernismos. O Papa é que diz a verdade.
E - Continua, em
nome da Santíssima Trindade, da Santíssima Virgem
Maria, da Imaculada Conceição! Continua em nome dos
Santos Tronos! Continua!
A JUVENTUDE É ENGANADA
A - Os lobos estão agora...
E
- Diz a verdade, só a verdade, em nome (...).
A - Os lobos
estão agora no meio de vós, mesmo no meio dos bons.
E
- Diz a verdade, só a verdade! Nós te ordenamos em nome
(...).
A - Como já disse, tomam a forma de Bispos e
Cardeais.
E - Continua a dizer a verdade, em nome (...).
A -
Digo isto bem contra a minha vontade. Tudo o que digo é contra
a minha vontade. Mesmo a juventude... a juventude é enganada.
Pensa que poderá com algumas...
E - Diz a verdade, em nome
(...), tu não podes mentir!
A - Com algumas obras
caritativas alcançar o Céu, mas não pode, não!
Nunca!
E - Continua a dizer a verdade, em nome dos Santos Tronos,
a verdade total em nome (...).
A - Os jovens devem, embora me
custe muito tenho que dizer...
E - Continua a dizer a verdade em
nome da Santíssima Trindade! Tens de dizê-la, em nome
(...).
COMUNHÃO NA BOCA
A - ...Devem receber convenientemente
os sacramentos... fazer uma confissão verdadeira e não
apenas participar nas cerimônias penitenciais e na Comunhão.
A Comunhão, o celebrante deve dizer três vezes “Senhor
eu não sou digno”, e não uma vez só. Devem
receber a Comunhão na boca, e não na mão.
E
- Diz só a verdade em nome do Preciosíssimo Sangue, da
Santa Cruz, da Imaculada Conceição...
A - Nós
trabalhamos durante muito tempo, lá em baixo (aponta para
baixo) até conseguirmos que a Comunhão na mão
fosse posta em prática. A comunhão na mão é
muito boa para nós, no inferno; acreditai!
E - Nós te ordenamos, em nome
(...) que digas somente o que o Céu te ordena! Diz só a
verdade, a verdade total; tu não tens o direito de mentir. Sai
desse corpo! Vai-te!
A - Ela (aponta para cima) quer que eu
diga...
E - Diz a verdade, em nome (...).
A - Ela quer que eu
diga... que se Ela, a grande Senhora, ainda vivesse, receberia a
Comunhão na boca, mas de joelhos, e haveria de se inclinar
profundamente assim (mostra como procederia a Santíssima
Virgem).
E - Em nome da Santíssima Virgem (...) diz a
verdade!
A - Tenho que dizer que não se deve receber a
Comunhão na mão. O próprio Papa, dá a
Comunhão na boca. Não é da sua vontade que se dê
a Comunhão na mão. Isso vem dos seus Cardeais.
E -
Em nome (...) diz a verdade!
A - Deles passou aos Bispos, e depois
os Bispos pensaram que era matéria de obediência, que
deviam obedecer aos Cardeais. Daí, a idéia passou aos
Sacerdotes e também eles pensaram que tinham de se submeter,
porque a obediência se escreve com maiúsculas.
E -
Diz a verdade. Tu não tens o direito de mentir, em nome
(...).
A - Não se é obrigado a obedecer aos maus. É
ao Papa, a Jesus Cristo e à Santíssima Virgem, que é
preciso obedecer. A Comunhão na mão não é
de modo algum querida por Deus.
E - Continua a dizer a verdade, em
nome (...).
O CULTO À SANTÍSSIMA VIRGEM
A - Os jovens devem habituar-se a fazer
peregrinações. Devem voltar-se, cada vez mais, para a
Santíssima Virgem; não devem bani-La. Devem... devem
reconhecer a Santíssima Virgem e não viver segundo o
espírito dos inovadores. Não devem aceitar
absolutamente nada deles (grita cheio de fúria). Eles é
que são lobos. A esses, já os temos, já os temos
bem seguros.
E - Continua, diz a verdade, em nome (...).
A - Os
jovens, atualmente, crêem que realizam coisas maravilhosas
quando fazem algumas obras caritativas e se reúnem uns com os
outros. Mas isso não é muito. É até
fácil, quando simpatizam uns com os outros, mas só isso
não é nada. É preciso que os jovens façam
sacrifícios, que adquiram espírito de renúncia,
é preciso que rezem. Devem freqüentar os Sacramentos,
devem freqüentá-los ao menos uma vez por mês. Mas a
oração e o sofrimento são também
importantes. Antes de tudo isto, tenho ainda que dizer...
E -
Continua a dizer a verdade, em nome (...), diz o que a Santíssima
Virgem te ordena!
IMITAÇÃO DE CRISTO
A - ...antes disto tenho que dizer que o mundo de hoje, mesmo o mundo católico, esqueceu por completo esta verdade: é preciso sofrer pelos outros. Caiu no esquecimento que todos vós formais o Corpo Místico de Cristo e que deveis todos sofrer uns pelos outros (chora como um miserável e geme como um cão). Cristo não realizou tudo na Cruz. Abriu-vos as portas do Céu, mas os homens devem reparar uns pelos outros. As seitas bem dizem que Cristo fez tudo, mas isso não corresponde à verdade. A Paixão de Cristo continua; em Seu Nome, ela continuará até ao fim do mundo (resmunga).
SENTIDO DO SOFRIMENTO
E - Continua, em nome da Santíssima
Virgem, diz o que Ela manda que digas.
A - É preciso que
ela (a Paixão de Cristo) continue. Têm que sofrer uns
pelos outros e oferecer os sofrimentos em união com a Cruz e
os sofrimentos de Cristo. Deve-se sofrer em união com a
Santíssima Virgem e com todas as renúncias que Ela
suportou durante a Sua vida, unir os próprios sofrimentos, nos
horríveis sofrimentos de Cristo na Cruz e na Sua Agonia, no
Jardim das Oliveiras.
Esses sofrimentos foram mais terríveis
do que aquilo que os homens poderão pensar. Cristo, no Jardim
das Oliveiras, não sofreu apenas como podereis talvez pensar.
Ele foi esmagado pela Justiça de Deus, como se Ele próprio
tivesse sido o maior dos pecadores, como se estivesse condenado ao
inferno. Teve que sofrer por vós, homens; de contrário,
não teríeis sido salvos. Teve de suportar os mais
terríveis sofrimentos a ponto de pensar que iria para o
inferno. Os sofrimentos foram então tão fortes que Ele
se sentiu completamente abandonado pelo Pai Celeste, Suou Sangue,
porque se sentiu totalmente perdido para o Pai e abandonado por Ele.
Sentiu-se esmagado como se fosse um dos maiores pecadores.
Eis o
que Ele fez por vós, e vós deveis imitá-Lo.
Estes
sofrimentos têm um valor imenso. Esses sofrimentos, esses
momentos obscuros, esses terríveis abandonos, quando se está
convencido de que tudo está perdido, e que o melhor é
pôr termo à vida. Eu não quero dizer mais,
não...(respira com grande dificuldade).
E - Continua a
dizer a verdade, em nome (...).
A - é precisamente quando
se sofre assim, quando tudo parece estar perdido, quando a pessoa se
julga totalmente abandonada por Deus, quando crê ser a mais
miserável das criaturas, é então que Deus pode
meter a Sua Mão no jogo. Estes sofrimentos, estes horríveis
e tenebrosos sofrimentos, são os mais valiosos (lança
gritos e uivos terríveis) que existem. Mas é
precisamente isto que a juventude desconhece. A maioria dos jovens
ignoram-no e é aí que reside o nosso trunfo.
ACEITAÇÃO DO SOFRIMENTO
E - Continua a dizer a verdade, em nome
(...).
A - Muitos, a maioria, suicídam-se quando se crêem
abandonados por Deus e pensam ser as criaturas mais miseráveis.
Por mais escura que seja a noite, Deus esta próximo deles,
embora eles já não O sintam! Deus está então
como se já não estivesse. De facto, momentaneamente, a
sua presença deixa de lhes ser perceptível, mas apesar
disso devem imitar os sofrimentos de Cristo, sobretudo os que Ele
chamou a sofrer muito. Há muitos que, então, pensam que
já não são normais a maior parte é -o e
então capitulam, capitulam muito mais facilmente. Pensam então
que têm que se suicidar, porque já ninguém os
compreende. É o nosso triunfo. A maioria vai para o Céu,
mas apesar disso, é o nosso triunfo, porque...
E - Continua
em nome (...).
A - Não cumpriram a sua missão,
deveriam ter continuado a viver.
E - Continua em nome (...).
A
- No mundo de hoje há cruzes extremamente pesadas. É
Ela que o manda dizer (aponta para cima). Essas cruzes são
muitas vezes mal suportadas. Cruzes visíveis, como o cancro,
defeitos físicos ou outras enfermidades, são muitas
vezes mais fáceis de suportar que as angústias ou
noites do espírito que muitas pessoas têm de agüentar
actualmente.
Ela, lá em cima (aponta para cima), manda
dizer o que já uma vez transmitiu através duma alma
privilegiada: “Eu enviarei aos meus filhos sofrimentos tão
grandes e profundos como o mar.”* Esses a quem foram destinadas
cruzes tão pesadas - alguns são escolhidos de há
muito - não devem desesperar.
E - Em nome da Santíssima
Trindade, do Pai, do Filho e do Espírito Santo, diz Akabor, o
que a Santíssima Virgem te manda transmitir!
A - Estas
cruzes que acabo de referir, são cruzes que parecem inúteis
e absurdas. Podem levar ao desespero. Muitas vezes, parecem
impossíveis de suportar, mas são essas as mais
preciosas. Eu, Akabor, quero ainda acrescentar: Ela (aponta para o
alto) quer gritar a todos esses que carregam uma Cruz: “Coragem!
Não desanimeis!” Na Cruz está a salvação,
na Cruz está a vitória. A Cruz é mais forte que
a guerra.
E - Continua em nome (...).
* Trata-se aqui da mensagem de Marienfried, dada na Alemanha em 1945. Cfr. o livro “A Paz de Maria” das edições ACTIC, que apresenta essas Mensagens.
O MODERNISMO
A - O modernismo é falso. É
preciso virar as costas ao modernismo. É obra nossa, vem do
inferno. Mesmo os Sacerdotes que difundem o modernismo nem sequer
estão de acordo entre si. Ninguém está de
acordo. Só este sinal vos deveria bastar.
E - Continua, em
nome da Imaculada Conceição! Diz a verdade, em nome
(...).
A - O Papa é atormentado pelos seus Cardeais, pelos
seus próprios Cardeais... está rodeado de lobos.
E -
Diz a verdade em nome (...).
A - Se não fosse assim,
poderia dizer mais, mas ele está como que paralisado. Já
não pode fazer muito; agora, já não pode fazer
muito. Deveis rezar muito ao Espírito Santo, rezar agora e
sempre ao Espírito Santo. Então, compreendereis no mais
profundo de vós mesmos o que é preciso fazer. Aconteça
o que acontecer, não vacileis na vossa antiga fé. Devo
dizer que este Segundo Concílio do Vaticano não foi tão
bom como se pensa. Em parte, foi obra do inferno.
E - Diz a
verdade, em nome (...).
A SANTA MISSA: “POR MUITOS”
A - Sem dúvida, que havia certas
coisas que precisavam de ser mudadas, mas a maior parte, não.
Acreditai-me! Na Liturgia não havia praticamente nada que
necessitasse de ser mudado. Mesmo as leituras e o próprio
Evangelho não deviam ser lidos em línguas nacionais.
Era bem melhor que a Santa Missa fosse celebrada em latim. Considerai
por exemplo, a Consagração; basta a Consagração,
é típico. Na Consagração empregam-se as
palavras: “Isto é o Meu Corpo que será entregue
por vós.” e, em seguida, diz-se “Este é o
Meu Sangue que será derramado por vós e por muitos.”
Foram estas as palavras de Cristo.
E - Não é
correcto dizer “por todos?” Diz a verdade, em nome
(...)
A - Claro que não! As traduções nem
sempre são exactas e esse é sobretudo o caso de “por
todos.” Não se deve e não se pode dizer “por
todos”; deve dizer-se “por muitos.” Se o texto não
está correcto, já não encerra a plenitude de
graças. Claro que a Santa Missa continua a ser válida,
mas o canal de graças corre agora parcimoniosamente. E a
Consagração já não acarreta tantas graças
como quando o Sacerdote a pronunciava convenientemente, de acordo com
a Tradição Antiga e com a vontade de Deus. É
preciso dizer-se “por vós e por muitos”,* tal como
Cristo disse.
E - Então não é verdade que
Cristo tenha derramado o Seu Sangue, por todos? Diz a verdade, em
nome (...).
A - Não. Ele bem desejou derramá-lO por
todos, mas de facto ele não foi derramado por todos.
E -
Por que muitos O recusaram? Diz a verdade, em nome (...)
A -
Exactamente. Assim, Ele não derramou o Seu Sangue por todos,
pois não O derramou por nós, os do inferno.**
E -
Diz a verdade, em nome (...).
A - O novo ordinário da Missa
- os Bispos mudaram a Missa Tridentina - a nova Missa, não
corresponde exactamente à vontade d'Eles, lá em cima
(aponta para cima).
E - Que é isso de Missa Tridentina? É
a Antiga Missa prescrita pelo Papa São Pio V? Diz a verdade,
em nome (...).
A - É a melhor que existe, é a
Missa-tipo, a verdadeira e a boa Missa (geme).***
E - Akabor, diz
a verdade, em nome e sob as ordens da Santíssima Virgem! Nós
ordenamos-te que digas tudo o que Ela te encarregou de dizer!
A -
Tudo o que disse foi contra a minha vontade, mas a isso fui obrigado.
Foi Ela, lá em cima (aponta para cima) que me forçou
(rosna).
E - Tens ainda alguma coisa a acrescentar, em nome (...).
Fala, e intimamos-te a dizer a verdade!
* Na Missa de Paulo VI, em
Latim conservou-se a formula correcta.
De
facto, aí se diz: “ Pro multi”, ou seja por
muitos. As traduções, inclusivamente a portuguesa,
atraiçoaram o texto e puseram uma palavra inexistente: “
por todos.”
** De certo Cristo teria resgatado os demônios, se isso tivesse sido possível. Não sendo esse o caso, é evidente que o Seu Sangue não foi derramado pelos demônios. Em principio, a Redenção de Cristo destinava-se a todos os homens, mas na prática estava limitada pela sua liberdade de recusa. Assim o Sangue de Cristo não aproveitou àqueles que O recusaram, deste modo e por sua culpa, foram condenados no inferno, onde partilham do destino irrevogável dos demônios.
*** A celebração desta Missa de São Pio V foi autorizada pela Santa Sé num documento assinado por João Paulo II.
O ECUMENISMO
A - Na época que atravessamos
não se deve obedecer a Bispos modernistas. Vivemos na época
a que Cristo se referiu, dizendo: “ Surgirão muitos
falsos cristos e falsos profetas” (Mc.13-22). São eles
os falsos profetas! Já não se pode acreditar neles; em
breve, já ninguém os poderá acreditar, porque
ele... porque eles... aceitaram excessivas novidades. Nós
estamos neles, nós, os lá de baixo (aponta para baixo),
é que os incitamos. Muito tempo passámos em
deliberações, para ver como destruir a Missa
Católica.
Já Catarina Emmerich, há mais de
cem anos, dizia: “ Foi em Roma...” Numa visão, ela
viu Roma, o Vaticano. Viu o Vaticano rodeado por um fosso
profundíssimo, e do outro lado do fosso estavam os descrentes.
No centro de Roma, no Vaticano, encontravam-se os Católicos.
Estes atiravam para esse fosso profundo os seus altares, as suas
imagens, as suas relíquias, quase tudo, até o fosso
ficar quase cheio. Essa situação... esses tempos,
vivemô-los agora (grita com uma voz medonha).
Então,
quando o fosso ficou cheio, os membros das outras religiões
puderam realmente atravessá-lo. Atravessaram-no, olharam para
dentro do Vaticano, e viram como os católicos de hoje, a Missa
moderna, pouco tinha para lhes oferecer. Abanaram a cabeça,
voltaram as costas e foram-se. E muitos de entre vós,
católicos, são suficientemente estúpidos para ir
ao encontro deles. Mas eles não dão um passo na vossa
direcção.
Quero ainda acrescentar mais qualquer
coisa.
E - Diz a verdade, em nome (...).
A LITURGIA
A - Na Missa Tridentina fazia-se o
Sinal da Cruz trinta e três vezes, mas agora faz-se muito menos
vezes: duas, três, quando tudo vai pelo melhor. E na última,
na benção final, já não é
necessário ajoelhar (grita e chora de desespero). Podereis
imaginar como nós ajoelharíamos ... como nós
cairíamos de joelhos, se porventura pudéssemos? (geme e
chora).
E - É correcto fazer o Sinal da Cruz trinta e três
vezes, durante a Santa Missa? Diz a verdade, em nome (...).
A -
Não é só correcto, como também
obrigatório. É que assim nós não
conseguiríamos ficar, pois seriamos obrigados a fugir da
Igreja. Mas, assim, ficamos.
Devia também restabelecer-se a
cerimônia da aspersão. A aspersão com água
benta obriga-nos a fugir e o mesmo se passa com o incenso. Era também
preciso voltar a queimar-se incenso. Era bom que depois da Santa
Missa se recitasse a Oração a S. Miguel Arcanjo, três
Ave-Marias e a Salve Rainha.
E - Diz a verdade, diz o que tens a
dizer, em nome (...).
A - Os leigos não devem dar a Sagrada
Comunhão (dá gritos horríveis), de modo nenhum!!
Nem sequer as religiosas. Nunca! Pensais que Cristo teria confiado
essa missão aos Apóstolos, se as mulheres e os leigos
também o pudessem fazer (geme)? Sou obrigado a dizer isto!
Allida, ouviste Allida, ouviste o que me obrigaram a dizer? Allida,
tu também podes falar! (O outro responde encolerizado: Fala
tu!)
E - Já acabaste Akabor, em nome (...) disseste tudo,
disseste toda verdade?
A - Ela, lá em cima (aponta para o
alto), não permite que eu seja atormentado pelo velho
(lúcifer), porque eu sou obrigado a dizer estas coisas por vós
e pela Igreja. Ela não o permite... e ainda bem! Mas isto não
é bom para os lá debaixo (aponta para baixo), não
é bom para nós (grita e geme).
E - Em nome da
Santíssima Virgem, continua. Tens ainda alguma coisa a dizer?
Pelo poder dos Santos Tronos, teus antigos companheiros, tens alguma
coisa a acrescentar? (Após sete horas de oração
e seis horas de exorcismo sem beber nem comer, algumas das pessoas
presentes sentem-se fatigadas).
A - Podeis ir-vos embora.
Ficaremos contentes, se vos fordes. Ficaremos contentes. Ide-vos!
E
- Continua a falar! Em nome da Santíssima Virgem fala! Diz o
que Ela te ordena, em nome (...).
A - Porque disse tudo isso,
porque fui obrigado a dizê-lo. Ela concede-me ainda uns
momentos. Tens que recitar três vezes: “ Santo, Santo,
Santo...”. (As pessoas presentes recitam a oração).
E
- Em nome da Rosa Mística..., Akabor, diz o que a Santíssima
Virgem te encarregou de dizer!
A - Ela encarregou-me de dizer o
que eu fui obrigado a dizer e o que disse. Tudo o que revelei, foi
contra a minha vontade (chora despeitado).
E - Em nome...,
disseste tudo?
A - Sim!
EXPULSÃO DE AKABOR
E - Nós te
ordenamos agora, Akabor, em nome da Santíssima Trindade, do
Pai, do Filho e do Espírito Santo, da Santíssima Virgem
Maria, do Coração Imaculado de Maria, dos Santos
Arcanjos, dos Coros Angélicos, que digas se nos revelastes
tudo o que o Céu te tinha mandado dizer! Diz a verdade em nome
do Preciosíssimo Sangue!
A
- Se ele tivesse sido também derramado por nós,
teríamos sido homens. Mas nós não éramos
homens. Se fossemos homens, não teríamos sido tão
estúpidos. No fundo, ainda tendes mais sorte que nós...
A
- Isso não é possível...!
E
- Akabor, vai-te em nome (...)! O teu discurso acabou, a tua missão
está cumprida. Grita o teu nome e volta para o inferno!
A
- Não sou obrigado a ir já. Ela ainda me permite um
certo tempo.
E - Tem que sair outro demônio
contigo?
A - Não! Eu, Akabor, tenho de ir
primeiro, mas tendes que rezar ainda sete Ave-Marias em honra das 7
Dores de Maria. É sob as suas ordens (aponta para o alto) que
eu as vou dizer:
1ª - A primeira, pela sua
dor na profecia de Simeão: “Uma espada de dor te
trespassara o coração.”
2ª
- Depois, a fuga para o Egito, considerando as lágrimas e os
tormentos que Ela então sofreu.
3ª -
Perda do Menino Jesus no Templo: imaginemos a angústia que Ela
padeceu, pois que Ele era o Filho de Deus.
4ª
- Ela encontra Jesus no caminho do Calvário; a humilhação
em que Ela viu o Seu Filho.
5ª - A
horrível, a mais horrível dor: na Crucificação
e morte na Cruz. Quanto Ela não padeceu: lágrimas,
angústias, desânimo.
6ª - A
descida da Cruz: Aquele Corpo horrivelmente desfigurado, que em
conjunto levaram para o túmulo. Em que estado de espírito
não terá Ela assistido a tudo isto.
7ª
- Finalmente, a deposição no túmulo. A Sua Dor
imensa, a sua tristeza. Ela sofreu horrivelmente. (Terminadas as
orações, grita com uma voz cheia de ódio):
A
- Agora, três vezes:“Santo, Santo, Santo,...” (as
pessoas presentes recitam-o
E - Em nome da
Santíssima Trindade (...), em seu nome, deves agora voltar
para sempre para o inferno, Akabor!
A - (geme e
grita com uma voz terrível): Sim...!
E -
Em nome (...) grita o teu nome e vai-te para o inferno! Vai-te em
nome dos teus antigos companheiros, os Santos Tronos que servem a
Deus. Tu nunca serviste a Deus!
A - (gemendo): Eu
bem queria servir a Deus, mas lúcifer não o quis.
E
- Tens que te ir agora. Nós, Sacerdotes, te ordenamos em nome
da Santíssima Trindade, do Pai, do Filho, e do Espírito
Santo. Tens de te ir embora, em nome do Coração de
Maria e em nome das Sete Dores de Maria.
A -
(grita como louco, cheio de desespero).
E - Em
nome (...) vai para o inferno! Grita o teu nome!
A
- A-KA-BOR (grita o nome chorando). A-KA-BOR!!
E
- Vai para o inferno e não voltes mais, nunca mais, em nome
(...).
AL - Agora, é Allida quem fala.
E
- Em nome da Santíssima Trindade, nós te ordenamos, que
nos diga Allida, se Akabor partiu.
AL - Ele cá
já não está. Partiu. Lúcifer e a sua
pandilha vieram buscá-lo.
2
EXORCISMO DE
14 DE AGOSTO DE 1975
Contra:
Judas Iscariotes (alma condenada)
J - Se eu a tivesse então escutado! (aponta para cima). Ela estava perto de mim (geme com uma voz horrível).
E - Quem é que estava perto de ti? Fala, em
nome (...).
J - Ela, lá de cima (aponta para cima), mas eu
repeli-a.
E - Continua, Judas, diz o que tens a dizer em nome da
Santíssima Virgem! Diz a verdade e só a verdade!
J -
Eu sou o mais desesperado de todos (geme).
DESCIDA DE JESUS AOS INFERNOS
E - Judas, agora tens de ir-te!
J -
Não! (geme).
E - Em nome desta Rainha que tu recusaste, em
nome de Nossa Senhora do Monte Carmelo tens que voltar, agora para o
inferno!
J - É preciso que recitem todos os Mistérios
Dolorosos e o Credo. (Quando rezavamos E desceu aos infernos). Judas
exclamou:
J - Ele desceu... lá abaixo, Ele foi!
E -
Cristo foi ao Limbo? Diz a verdade, em nome (...).
J - Ele desceu
até ao inferno e não apenas até ao Limbo, onde
as almas esperavam.
E - Por que é que Ele foi ao inferno?
Diz a verdade, em nome (...).
J - Para mostrar que também
morreu por nós.* Isso foi terrível para nós. Ele
foi ao reino da morte, mas foi também ao inferno... realmente
ao inferno. Foi preciso que Miguel e os Anjos nos encandeassem para
impedir que nos precipitássemos sobre Ele (aponta para o alto
e resmunga). Eu não gosto de falar nisto, nem sequer de o
ouvir, fui culpado da traição a Cristo. É
necessário que canteis: “ Vejo-te Jesus, silencioso...”
e: “Como me arrependo dos meus pecados.” estas duas
estrofes e em seguida uma estrofe do cântico Stabat Mater: “
A Mãe de Cristo, de pé, junto a Cruz.” (As
pessoas presentes entoam os cânticos).
J - (Durante os
cânticos, solta gritos horríveis de desespero): Se me
tivesse arrependido! Se me tivesse arrependido!
* Jesus morreu por todos os homens. É Judas, uma alma condenada, que está a falar e não um demônio, como no caso anterior de Akabor.
LUTA CONTRA JUDAS
E - Judas Iscariotes, nós,
Sacerdotes, ordenamos-te, em nome da Santíssima Trindade, que
voltes para o inferno!
J - Não..., não quero ir
(geme). Estou muito bem nesta mulher. Em grande parte, ela é
obrigada a participar do meu desespero.
E - Judas, em nome (...)
afasta-te dela, vai para o inferno, para a condenação
eterna, onde é o teu lugar, em nome (...).
J - Mas eu não
quero.
E - Sai Judas Iscariotes, em nome da Mãe de Deus!
J
- Ela (aponta para cima), ainda agora teria piedade de mim, se
pudesse. Ela amou-me, ela amou-me! Sabeis o que isso significa? (geme
angustiado).
E - Grita o teu nome, Judas Iscariotes,
e vai-te em nome (...).
J - Eu sei que Ela me amou (murmura
penosamente).
E - Tu não quiseste, tu não lhe
obedeceste. Ela queria salvar-te para a eternidade, para o Céu.
Ela desejou o melhor para ti. Agora vai-te, em nome de Nossa Senhora
de Fátima!
J - Não! (Grita cheio de desespero).
E
- Judas Iscariotes, grita o teu nome e vai-te. Vai-te agora, para o
inferno, em nome do Salvador Crucificado, que tu traíste, em
nome dos seus sofrimentos, em nome da sua Agonia no Jardim das
Oliveiras.
J - É preciso recitar três vezes: “
Santo, Santo, Santo...”.
(As pessoas presentes recitam-no e
cantam: Abençoa ó Maria!) Enquanto isso, Judas grita
com uma voz terrível: “Não! Não!”
E
- Nós te ordenamos em nome da Santíssima Trindade
(...)! (Judas arranca a estola do Padre).
J - Não! (com uma
voz terrível).
E - Em nome da Santa Padroeira desta mulher,
vai-te agora, Judas Iscariotes!
J - Tendes que pôr todas as
relíquias “na mesa”. Ninguém me obriga a
ir-me tão facilmente! Eu sou o ... (solta um gemido
terrível)
E - Em nome dos cruéis sofrimentos de
Nosso Senhor Jesus Cristo (...)!
J - Eu não quero ir-me
embora, não quero! Deixai-me; deixai-me (horríveis
uivos).
E - É Nossa Senhora da grande Vitória quem
te ordena!
J - Se eu a tivesse escutado!
E - Nós te
ordenamos em nome da Santíssima Virgem, da Igreja Católica
...
J - Isso não serve de nada (grunhe com uma voz
cavernosa).
E - Em nome da Santíssima Trindade (...)!
A REALIDADE DO INFERNO
J - Se eu não tivesse perdido a
esperança! O inferno é horrível! Se eu não
tivesse perdido a esperança! (gritos de desespero, que metem
medo).
E - A Santíssima Virgem ordena-te que te vás
embora, em nome do Crucificado, em nome do Preciossíssimo
Sangue!
J - Deixai-me ficar mais uns momentos nesta mulher!
E -
Não! Sai, em nome de todos os Santos Apóstolos, em nome
(...).
J - Não quero. Não. Não... (berra com
uma voz cheia de ódio)..., mas eles chegarão em breve
(refere-se aos espíritos infernais).
E - Vai-te agora,
Judas Iscariotes, em nome de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Ela te
ordena que vás para o inferno, para a condenação
eterna!
J - (os seus gritos prolongados comovem): Não,
não!... (geme com voz terrível e emite sons de
desespero).
E - Em nome das Sete Dores de Maria, em nome da
Santíssima Trindade... vai-te para o inferno!
J - Mas eu
não quero, não quero! (berra horrivelmente).
E - Em nome da Santíssima
Trindade, da Imaculada Conceição, Mãe de Deus,
nós te ordenamos que voltes para junto de lúcifer!
J
- (Com voz arrastada e lastimosa): Não! (O seu grito é
horrível e desesperado). Não, não! Eles também
não me querem no inferno. (De repente, Judas grita com
desespero): lúcifer socorro! (os Sacerdotes recitam um novo
exorcismo e duas ladainhas).
E - Em nome da Santíssima
Trindade, nós te ordenamos, que vás para o inferno por
toda a eternidade!
J - Ó espíritos infernais
ajudai-me! Ajudai-me para que eu não seja obrigado a ir-me
embora! Despacha-te, Akabor! Ajuda-me ... Oh, oh, despachai-vos!
(geme queixoso).
E - Judas Iscariotes, vai-te em nome (...).
J
- Lúcifer, tu é que me mandaste, tens portanto que me
ajudar!
E - Nós te ordenamos, Judas Iscariotes, em nome
(...).
J - (grita desesperado): Eles vêm... vão
chegar em breve... Sabeis como os temo, sabeis? (refere-se a lúcifer
e aos seus ajudantes).
E - Nós, Sacerdotes da Igreja
Católica, nós ordenamos-te, em nome da Santíssima
Trindade, da Santa Cruz, da Imaculada Virgem Maria, Mãe de
Deus (...) vai-te Judas Iscariotes!
(Nesta altura os Sacerdotes
recitam três vezes: “Santo, Santo, Santo...” e o
Glória ao Pai. Neste momento, Judas, pela boca da possessa,
fala com voz de homem).
J - Não! Oh, oh (geme)... Se nós
a pudéssemos matar já! Como gostaríamos de o
fazer. Já há muito que decidimos que ela devia ser
morta (refere-se à possessa).
E - Nós te ordenamos,
em nome da Santíssima Trindade, que não a mates.
Afasta-te agora, afasta-te em nome (...) e especialmente São
Miguel!
J - Não, Miguel, tu não deves... (uiva como
um animal e solta gemidos horríveis). Eles aí vêm...
Eles vêm!...
E - Em nome da Santíssima Trindade...
Grita o teu nome, Judas Iscariotes, e vai-te!
J - Eu... eles aí
vêm! Eu... Judas... Iscariotes!... Eu... Judas Iscariotes,
tenho que ir, tenho que ir! Tenho que ir... tenho, tenho, tenho!...
Eles aí vêm... Eles aí estão! (uiva e
grita com uma voz medonha). Estão aqui os espíritos
malignos! (chora)... Lúcifer, lúcifer! Vai-te embora
lúcifer!... Tenho medo de ti, vai-te embora! (grita com uma
voz horrível).
E - Vai-te, agora, Judas Iscariotes, em
nome...
J - Ele vem... ele vem...!
E - Em nome da Santíssima
Virgem, vai para o inferno, para sempre, e nunca mais voltes!
J -
Eles aí vêm... Eles aí estão... (grita e
geme horrivelmente). Tenho que ir! Eles recebem-me!
E - Em nome do
Pai, do Filho, e do Espírito Santo, grita o teu nome e
parte!
J - Já o gritei. Eu, Judas Iscariotes, tenho... de
ir-me embora. “Judas Iscariotes!” (ouvem-se quinze gritos
prolongados, horríveis, capazes de fender a alma)... Não,
não, não... Não quero ir embora!
E - Nós te ordenamos, em nome da Igreja Católica, em nome da Santíssima Trindade (...).
O INFERNO É MAIS HORRÍVEL DO QUE SE PENSA
J - Oh, este desespero! Este desespero
horrível! É horrível! Não podeis imaginar
como o inferno é cruel. Não fazeis a mínima
idéia de como é medonho lá embaixo! Não
sabeis como é!
E - A culpa foi tua. Vai-te, Judas
Iscariotes, em nome (...).
J - (grita e suspira): Tenho um lugar
horrível! Um canto horrível, lá embaixo. Oh ...
oh! Dizei a todos que tenho um canto horrível!... Vivei
honestamente! Vivei honestamente!... É pavoroso!... Por amor
ao Céu fazei tudo para alcançar o Céu, mesmo que
para isso seja preciso ser torturado por instrumentos de suplício
durante mil anos (grita).
Escutai, devo dizer ainda isto: se
tivésseis que passar mil anos de suplício, agüentai,
agüentai! O inferno é terrível, é terrível!
Ninguém sabe como o inferno é horrível. É
muito mais atroz do que pensais... é medonho!... é
pavoroso! (Judas pronuncia todas estas palavras com uma voz que faz
tremer, entre cortada, de um desespero indiscutível).
E -
Em nome de Jesus disseste tudo agora?
J - Tenho ainda que
acrescentar uma coisa, mas prefiriria não o fazer: há
tantas pessoas... que já não crêem no inferno...
mas... mas... (ameaçador)... ele existe! O inferno existe. É
horrível!
E - Sim, o inferno existe.* Diz só a
verdade, em nome (...).
J - Oh... ele existe... o inferno! É
medonho! Tenho que me ir em breve, mas tenho que dizer ainda isto
(grita e gane como um animal).
E - Mas, agora, é preciso
que te vás embora. Em nome (...) sai desta mulher!
J - O
inferno é muito mais medonho do que se pensa... O inferno é
muito mais horrível do que se pensa...! O inferno é
muito mais horrível do que se pensa...! (os seus gritos são
de ensurdecer).
E - Fala, em nome (...)!
J - (Grita e geme):
Oh!... se eu pudesse ainda voltar atrás... se eu pudesse ainda
voltar atrás!... Oh... Oh! (chora dum modo inexprimível).
E
- Sai desta mulher, sai, em nome (...)!
J - Oh! Eu não
quero ir lá para baixo. Tende piedade... Deixai-me continuar
nesta mulher!
E - Não! Não! Em nome (...) vai-te
embora!
J - (geme): estava bem melhor nela. É que assim ela
teria que carregar com grande parte do meu desespero. Deixai-me ainda
ficar nesta mulher... É horrível para mim. para mim é
horrível estar no inferno (geme com voz ofegante). Oh!
Deixai-me ficar ainda nesta mulher!
E - Não! Em nome
(...).
J - Ela ainda pode agüentar-me (com um imenso
desespero). Ela pode muito bem agüentar-me.
E - Sai dela, em nome (...).
J - Que
pensais!... Lá em baixo é muito mais horrível!...
Oh! Oh!! (geme). Dizei isto... dizei isto a todos os jovens, a todos
os heréticos, absolutamente a todos: o inferno existe. (a voz
é penetrante, capaz de causar calafrios). Oh! (grita), é
“lixadamente” horrível! Se tivesse escutado a
Santíssima Virgem e não tivesse passado a corda à
volta do pescoço! Se tivesse mantido a esperança. Se
não a tivesse perdido (fala com uma voz desesperada...) Mas
todos dizem isso, todos os condenados dizem o mesmo quando chegam lá
abaixo. Mas, então, já é demasiado tarde. Só
acreditam quando já é demasiado tarde.
E - Vai-te,
em nome da Santíssima Trindade, em nome de todos os Santos
Anjos e Arcanjos e do Arcanjo S. Miguel!
J - E Miguel é
terrível para nós. Miguel é terrível!
(grita com uma voz odiosa).
E - Vai-te, em nome do Santo Cura
d'Ars, em nome de todos os Santos exorcistas e em nome da Igreja
Católica!
J - (grita): JU-DAS IS-CA-RI-O-TES! Tenho que
partir! (solta rugido terrível).
E - Agora, vai-te Judas
Iscariotes, em nome da Santíssima Trindade, volta para o
inferno para sempre, volta para a condenação eterna!
J
- Eles aí vêm, aí vêm (geme e chora cheio
de desespero). Eles aí estão... Adeus, adeus, felizes
homens... Felizes! Vou-me embora... porque a isso me obrigam. (chora
e lança rugidos de fender a alma).
E - Nós te
ordenamos, em nome (...) vai para o inferno!
J - (ruge desesperado
como um leão): Vou! JU-DAS IS-CA-RI-O-TES!
E - Sai e vai
para o inferno, em nome (...)
J - (lança gritos
penetrantes, ofegantes, desesperados, de repente, aponta para cima
com o dedo, e diz): Ela ainda me concede um curto espaço de
tempo.
A sua missão (da possessa) ainda não está
acabada.
* A existência do inferno é um dogma da Igreja definido no IV Concílio de Latrão (1215) e explicado em muitos documentos do Magistério.
3
NOVO EXORCISMO DE 17 DE AGOSTO DE 1975
E - Quando é que sais? Fala
Judas! Fala agora, em nome da Santíssima Trindade, do Pai, do
Filho e do Espírito Santo!
J - Eu era Apóstolo (fala
com uma voz sombria, rouca, como voz de homem).
E - Em nome de
Jesus, continua!
J - Fui um traidor.
E - Continua... nós
já o sabemos... em nome de Jesus!
J - Hoje, também
há traidores entre os Bispos, com uma única diferença:
eu traí abertamente e eles podem camuflar-se.
E - Isso é verdade? Em nome
(...)!
J - Sim!
E - Não estás a mentir? Em nome
(...)!
J - Não! Pensas que digo isto de boa vontade?
E -
Obrigaram-te a dizê-lo? Em nome (...), diz a verdade!
J -
Sim.
E - Em nome de quem?
J - No d'Ele, nesse maldito (aponta
para cima)... Infelizmente!
E - Quando é que te vais
embora? Diz a verdade, em nome da Santíssima Trindade!
J -
Tenho ainda algumas coisas a revelar.
E - Então fala agora.
Diz tudo o que tens a dizer, em nome de Jesus!
J - Entre os Bispos
de hoje há quem seja tão traidor como eu. Se não
são...
E - Nem todos. Diz a verdade, em nome (...).!
J -
Nem todos, mas muitos. É mais fácil cair nas suas
malhas do que nas minhas.
E - Continua, Judas, diz o que tens a
dizer, em nome (...)!
BISPOS NO MAU CAMINHO
J - Devo dizer que, actualmente, há
muitos Bispos que já não se encontram no bom caminho. A
esses não é necessário obedecer. A obediência
tem muita importância. Mesmo no Céu, a obediência
está escrita em maiúsculas. Mas agora, chegou o tempo
dos lobos devoradores.
E - Continua Judas, em nome (...).
J -
Qual é o cordeiro que se atira para as goelas do lobo? Não
se deve obedecer a lobos.
E - Em nome de Jesus, continua,
continua, em nome (...) em nome dos Santos cujas relíquias
estão sobre a tua fronte, que não foram traidores,
continua!
J - Qualquer homem foge quando o lobo chega. Agora, é
o tempo dos lobos! Muitos Bispos transformaram-se em lobos
devoradores, que já nem sabem o que dizem; a esses, não
se deve obedecer. O próprio Céu já não
exige obediência nestes casos.
E - Judas, em nome da
Santíssima Virgem, continua!
J - Só se deve confiar
no Papa.
E - Continua agora em nome de Jesus!
J - O Papa Paulo
VI, não pode mandar publicar os seus documentos, porque serão
desmentidos e falsificados.
E - Continua a falar, em nome (...).
J
- Deve rezar-se diariamente ao Espírito Santo, de contrário
corre-se o perigo de cair no fosso ou nas goelas dos lobos.
E -
Continua, Judas Iscariotes, em nome de Jesus! Que é que tens
ainda a acrescentar, relativamente ao Papa? Diz o que tens a dizer,
da parte do Céu! Só queremos saber o que o Céu e
a Mãe de Céu querem que digas!
J - Pensas que direi outras coisas!
Pensas que me agrada revelar isto?
E - Fala, em nome de Jesus, diz
apenas a verdade, que o Céu e a Mãe do Céu
querem que digas!
ECÔNE ESTÁ NO BOM CAMINHO
J - Ecône triunfará.
E
- Que é que disseste? Repete Judas Iscariotes! De quem é
que estás a falar? Em nome de Jesus, diz a verdade e só
a verdade!
J - Após um longo combate, Ecône
triunfará.
E - Fala em nome de Jesus!
J - Ecône
encontra-se no único bom caminho.
E - Isso corresponde à
verdade? É o Céu que diz? Fala em nome de Jesus.
J -
Ao referir que está no bom caminho, isso não significa
que não haja mais ninguém no bom caminho; mas o caminho
que Ecône segue é o único bom. É isso que
queremos dizer: não há muitos caminhos que sejam bons,
mas há muitas pessoas que estão no bom caminho. Ecône
está no caminho certo, e muitas pessoas que não
conhecem Ecône, mas que procuram a verdade, também o
estão.
E - Continua, em nome (...) diz o que tens a
dizer!
J - Monsenhor Lefébvre terá ainda de sofrer,
mas ele é bom.
E - A Liturgia que ele segue é boa?
Diz a verdade, em nome de Jesus!
J -A Liturgia que ele segue é
a única boa.
E - Em nome de Jesus, isso é verdade?
J
- É a pura verdade.
E - Em nome da Santíssima
Trindade, mentiste?
J - Não! É a pura verdade.
E
- Donde é que ela vêm? Quem te ordenou que dissesses
isto? Fala, em nome (...).
J - Foi Ela (aponta para cima) que o
disse: São Eles, lá em cima, que o dizem. A verdade vem
do alto. Eles, lá em cima, não gostam da nova Liturgia.
Não era preciso modificar o antigo Missal... Digo isto bem
contra minha vontade (geme e grita). Nos dias de hoje já não
há a obrigação de obedecer a todos os Bispos.
E
- Ainda há Bispos bons? Em nome de (...) diz só a
verdade!
J - Ainda há Bispos a quem se pode obedecer, mas
não a todos! Akabor já falou desse assunto (geme e
quase não consegue respirar).
4
EXORCISMOS DE 31 DE AGOSTO DE 1975
E - Judas Iscariotes, nós, Sacerdotes, ordenamos-te, em nome da Santíssima Trindade (...) diz-nos: sois realmente obrigados a partir? Diz a verdade, só a verdade em nome (...). Pelo poder de todas estas invocações deves dizer a verdade e só a verdade, e também em nome das sagradas relíquias que estão sobre a tua fronte.
J - Tenho que dizer, tenho que dizer!
Em certa medida, faço parte dos demônios. É a
eles que estou agregado. Eu tinha uma posição elevada,
tinha uma posição elevada, era Bispo.
E - Continua!
Diz o que tens a dizer, em nome (...)!
J - Eu ocupo uma posição
superior em relação às outras almas condenadas.
Já aqui disse que me deram um canto horrivelmente obscuro no
inferno. Como eu invejo... os outros condenados humanos! Os outros...
em comparação comigo, estão bem. Eu tenho um
canto sujo.
E - Continua! Diz o que tens a dizer, em nome (...)!
J
- Ela (aponta para cima) bem me avisou. Ela avisou-me. E eu que não
lhe dei ouvidos, eu que não lhe dei ouvidos (lança
gemidos medonhos).
E - Continua! Diz a verdade, diz o que tens a
dizer, em nome da Santíssima Virgem!
J - Se eu a tivesse
escutado! Seja como for, desprezei-a. Eu não gostava d'Ela! Eu
não gostava dessa...
E - Continua a dizer a verdade, em
nome da Santíssima Virgem! Diz a verdade Judas, diz o que tens
a dizer da sua parte!
J - Para falar a verdade, desde o princípio,
não me juntei a eles só por causa de Jesus. Eu sonhava
com o poder e a realeza, e como nada disso se realizou, fiquei
desiludido!
E - Continua a falar. Diz o que a Virgem Santíssima,
Mãe de Deus, quer que digas, sobre a Igreja. Diz o que tens a
dizer, toda a verdade, em nome (...)!
A SITUAÇÃO NA IGREJA CATÓLICA
J - A Igreja Católica
encontra-se numa situação grave. Se Eles lá em
cima (aponta para cima) não interviessem, não poderia
salvar-se. Mas é preciso que estas palavras se cumpram: “
Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”
(Mt. 28, 20). Haverá uma depuração total, uma
depuração terrível, que não nos agrada,
ouvis?
E - Continua! Diz a verdade em nome (...)!
J - A nossa
acção no mundo, especialmente nos últimos
tempos, atingiu uma intensidade nunca vista.
E - Continua! Diz a
verdade em nome (...) !
J - Pelo menos, desde há mil
anos.
E - Continua! Diz a verdade e só a verdade! Em nome
das Santíssima Virgem diz a verdade sobre a Igreja!
SITUAÇÃO DO PAPA PAULO VI
J - O Papa, o Papa... é um
mártir. De certo modo poder-se-ia dizer que jaz por terra, que
deseja morrer. Não deseja morrer na situação em
que se encontra. Tortura-o o pensamento de que o que diz não é
publicado no mundo, e é precisamente aquilo que ele não
queria, que é publicado pelos seus Cardeais. Em todo o caso,
muitos Cardeais, não todos, lá continuam. O Papa tem
imensa dificuldade em actuar. Está numa situação
muito pior que uma verdadeira prisão. Nós, nós
agitamo-nos, fazemos tudo o que podemos. Aliás, já
fizemos muito.
E - Continua, diz a verdade, em nome (...) e só
a verdade!
J - Privaram-no da sua liberdade... e assim pouco pode
fazer. É por isso que falamos dele como um réptil, só
capaz de rastejar, e que já não tem uma palavra a
dizer, nem à direita, nem à esquerda, nem à
frente, nem atrás. São os outros que o fazem, os
falsos, os que gostariam de vê-lo desaparecer.
E - Continua,
diz a verdade, toda a verdade e só a verdade, da parte da
Santíssima Virgem! Continua a dizer o que tens a dizer da
parte do Céu!
É UM GRANDE PAPA
J - É preciso rezar pelo Papa.
Ele sofre mais do que um mártir. Preferiria ser apedrejado
como Santo Estevão. É um grande Papa, apesar de estar
forçado ao silêncio. Carrega uma cruz. Poucos são
os que atingem a sua altura, embora passe por pequeno e impotente. A
princípio cometeu alguns erros, mas há muito que os
reconheceu. Agora, porém, tem os pés e as mãos
atados e até a língua. Ele clama ao Céu que
queria restaurar a Ordem, deseja-o, mas os seus pés e as suas
mãos estão atados. Já nada pode fazer.
E -
Diz a verdade, em nome (...)!
O PRÓPRIO DEUS INTERVIRÁ
J - Fazem dele o que querem. São
lobos que uivam segundo o vento que sopra... O que eles querem...
quere-o o povo moderno... a massa. É assim que se tornam
populares. Pouco tempo depois, os bons Padres “tradicionalistas”,
que antes nunca tinham posto em dúvida o pensamento do Papa,
são induzidos em erro. Mas, o que acontece, é que agora
os pensamentos do Papa já não são os seus. Nesta
época de terrível confusão, o Papa já não
pode fazer praticamente nada. Agora, é preciso que o próprio
Deus intervenha... e Ele intervirá, dentro de pouco tempo, em
breve.
E - Que significado tem “em breve?” Dentro de
alguns anos? Diz em nome (...) toda verdade!
J - Não, isso
não. Esse momento está mais próximo, mais
próximo do que pensais.
E - Diz a verdade, em nome da
Santíssima Virgem, sobre a Igreja e sobre o Papa! Continua a
dizer o que tens a dizer, mas só a verdade!
J - O mais
doloroso para o Papa é verificar como mesmo os Sacerdotes
“Tradicionalistas” duvidam do seu pensamento, da sua
vontade. Ele já não pode fazer. Rodeiam-no de
subtilezas. Mesmo que ele quisesse publicar alguma coisa, isso nunca
chegaria a sair porque controlam tudo.
E - Por que é que o
Papa não fala nas audiências, nas audiências
públicas? Aí poderia falar livremente.
J - Muitas
vezes já nem sequer o pode fazer, já não pode.
Muitas vezes mal sabe o que está a dizer. é assim que,
então, se dão esses erros e confusões horríveis.
É um pobre Papa. A Virgem Santíssima e Cristo têm
pena dele. Mas é preciso que ele viva o seu martírio.
Há muito que ele prefiriria ser morto pelos seus próprios
Cardeais a viver assim! Sabe que todos estão contra ele.
Sente-o, ele é dotado de uma grande sensibilidade. Tem os
nervos muito sensíveis. Não é um Papa enérgico,
mas nesta altura também não seria preciso um Papa
enérgico. Há muito que o teriam derrubado.
E -
Continua a falar a verdade, em nome da Santíssima Virgem. Em
nome (...) nós te proibimos de mentir!
J - Fazia parte dos
planos de Deus a eleição de um Papa humilde, submisso,
abnegado, agora que as coisas estão assim. É preciso
que se cumpram as Escrituras. Por isso é que era preciso que
viesse agora o Papa Paulo VI. Ele foi realmente o escolhido. Só
Eles (aponta para o alto) têm compaixão dele. Mas esta
situação não se irá manter durante muito
tempo.* O seu martírio em breve terá fim. Mas, para
ele, já dura há muito tempo. É que para ele os
dias são como semanas, como meses. É preciso rezar por
ele, rezar muito mais. É-lhe imensamente penoso ver como a
Igreja descarrila e como tudo fica sem consistência. Podeis ter
a certeza de que ele prefiriria que tudo se fizesse segundo o antigo
estilo. Ele desejaria que este Concílio nunca tivesse sido
convocado. Ele bem se apercebe que tem conseqüências
terríveis, devastadoras, catastróficas, que já
não poderão ser eliminadas. Nem a oração
poderá deter os seus efeitos funestos.
E - Continua, diz o
que tens a dizer da parte da Santíssima Virgem, sobre a Igreja
e o Santo Padre!
J - Era preciso dizer a todos os Bispos que o
Papa é influenciado. Mas eles não acreditarão,
porque também eles estão cegos. De que lhes serve a
erudição e a inteligência, se estão cegos
e não crêem. Neste aspecto, nós sabemos ainda
mais, sabemos ainda mais que os Bispos.
E - Diz a verdade e só
a verdade, em nome da Santíssima Virgem!
J - Eles temem-se
mutuamente e têm medo do povo: têm medo de serem
rejeitados. Por isso querem dançar ao som do violão do
povo, mesmo que ele toque notas falsas.
E - Continua: diz a
verdade em nome da Santíssima Virgem!
J - E este violão
está de tal modo desafinado que, em breve, já não
se poderá tirar das suas cordas qualquer som. E é a
isto que se pretende chamar Igreja! Compre-endeis? Isto, quer ainda
chamar-se Igreja! Uma Igreja maldita, perversa, confusa. Será
isto uma Igreja... que em breve ninguém ousará, nem
deverá, chamar Igreja!**
E - A frase que disseste “ É
uma Igreja maldita”, não é da Santíssima
Virgem!
J - Não, essa frase é nossa.
E - Diz a
verdade e só o que a Santíssima Virgem quer!
J -
Apesar de tudo, é a verdade. E decerto modo Ela é que
quer que eu diga.
E - Fala em nome da Santíssima Virgem e
diz somente a verdade, toda a verdade!
J - Chegamos a um ponto em
que, em breve, até as seitas serão melhores que o vosso
catolicismo. As seitas, em breve, estarão em melhor posição,
pois não possuem a ciência e não são
guiadas pelo Espírito Santo, como a Igreja sempre foi. Elas
dizem que é o Espírito Santo, mas na realidade o que
elas propagandeiam pelo mundo são as suas próprias
idéias, da forma que mais lhes agrada.
Há ainda
alguns que não querem difundir este gênero de
catolicismo; esses gostariam que as coisas se orientassem pela
tradição. Eles bem o desejariam, mas são
demasiado covardes. A sua covardia é de bradar aos Céus
(aponta para cima)!
E - Continua a dizer a verdade, em nome
(...)!
J - Se rezassem muito, alguns ainda compreenderiam, mas
para muitos já é demasiado tarde. Como o Céu, a
Santíssima Virgem e o Santo Padre o lamentam! Os três,
Cristo, Santíssima Virgem e o Santo Padre, estão de
acordo. Só eles é que estão de acordo.
Os
Cardeais (pelo menos muitos) não estão. O seu modo de
agir e proceder é contrário à vontade d'Eles lá
em cima (aponta para cima) e contrário à vontade do
Papa. O Papa encontra-se numa situação terrível,
terrível!
E - Continua a dizer a verdade, em nome da
Santíssima Virgem! Diz tudo o que tens a dizer, em nome (...)!
* Paulo VI morre em 1978,
três anos depois deste aviso, com 81 anos.
**
Em vez de uma Igreja de Deus, Divina, ficar-se-ia com uma “igreja”
humana, dos homens e para os homens. Se tal se concretizasse, já
não se poderia falar em igreja.
SERÁ O PRÓPRIO DEUS A DERRUBAR O MODERNISMO
J - Nós tememos o Papa, embora
no fundo não o devêssemos temer assim, pois agora o seu
Vaticano é dirigido pelos Cardeais. O Papa sofre
continuamente, e assim pode salvar mais almas e fazer mais do que nós
desejaríamos.
E - Diz a verdade, da parte da Santíssima
Virgem, e só a verdade toda a verdade! Continua!
J -
Chegaremos a um ponto que o próprio Deus será obrigado
a destruir tudo, a destruir o modernismo. E recomeçar-se-á
no ponto onde se ficou, no que era antigo, tradicional, no que
correspondia à verdade e que é do agrado dos lá
de cima (aponta para cima) e não no que foi criado pelos
homens.
E - Continua, diz a verdade da parte da Santíssima
Virgem e só a verdade...
J - Se o Papa não estivesse
seqüestrado e constantemente vigiado, à direita, à
esquerda e dos lados, poderia ainda continuar a governar, fazer com
que as suas palavras fossem ouvidas. Mas nestes últimos meses
as coisas pioraram. Praticamente nada chegou ao conhecimento público
e o que poderia ter saído, foi imediatamente desmentido,
manipulado, mudado... até falsificado. Foi falsificado.
Meio
algum, por pior que seja, os impede (aos Cardeais) de alcançar
o que têm na cabeça. Nada lhes parece ordinário,
porque estamos no fim dos tempos. Não estivéssemos nós
ao leme e não tivéssemos os Cardeais sob o nosso poder,
decerto eles saberiam fazer melhor. Mas porque agitamos tanto os
espíritos e temos tantos adeptos da magia negra a fazer das
suas, temos os Cardeais, neste momento, totalmente sob o nosso
domínio. O melhor que tendes a fazer, é rezar muito ao
Espírito Santo. Aliás, tudo isto já foi dito por
mim e por Akabor, a propósito da obediência. Fui eu,
Judas, que disse: agora já não é obrigado a
obedecer.
A OBEDIÊNCIA NA IGREJA
E - Diz a verdade sobre a Igreja,
continua, em nome (...). Tu não tens o direito de mentir, em
nome (...)!
J - É divertido: a obediência jamais foi
elevada tão alto, como actualmente. De repente, a obediência
ficou na moda (ri sarcástico).
E - Diz a verdade, somente
a verdade, da parte da Santíssima Virgem!
J - Subitamente,
todos apelam à obediência, agora, que ela é
fácil!
E - Diz a verdade Judas Iscariotes, não
aquilo que te apetece, em nome (...)!
J - Isto vem lá de
cima. Nós somos obrigados a dizer a maldita verdade. Agora,
que é muito fácil - para aqueles que têm a
mentalidade moderna, que gostam de ter muito dinheiro e tudo o mais -
a obediência veio de súbito à baila como bala de
canhão! Antigamente, não tinha de modo nenhum a
actualidade que agora subitamente adquiriu!
E - Diz a verdade da
parte da Santíssima Virgem e só a verdade!
J - Isso
agrada-nos. O que é preciso é que continuem assim. Mas
a Eles lá em cima, isso não agrada. Os Seus planos são
outros e, no fundo, seriam outros, mas é preciso que o
Evangelho se cumpra. Todos os Seus planos têm de se realizar,
mesmo no meio de grandes catástrofes, mesmo no meio das
maiores confusões e conflitos dos povos.
E - Diz a verdade!
Continua a dizer a verdade, da parte da Santíssima Virgem!
J
- Todos se apóiam no Bispo, mas os Bispos não podem
apoiar-se no Papa, pois nada vem do Papa. Creio que vou terminar.
E
- Diz a verdade, toda a verdade, da parte da Santíssima
Virgem, diz o que Ela nos quer transmitir por teu intermédio,
Judas Iscariotes! Continua a falar, diz tudo o que tens a dizer e só
a verdade da parte da Santíssima Virgem!
OS RITOS LITÚRGICOS
J - Em 14 de Agosto, Akabor, teve que
falar do Aspergesme, que deveria ser reintroduzido no princípio
da Missa. É verdade, é verdade! Assim somos obrigados a
fugir da Igreja.
E - Diz a verdade, Judas Iscariotes, diz a
verdade da parte da Santíssima Virgem!
J - Se não se
fizer, permaneceremos lá dentro. O Sacerdote deveria, como era
uso antigamente, aspergir os fiéis com o hissope, de uma ponta
a outra da Igreja, e isso obrigar-nos-ia a fugir, a fugir também
do povo, das pessoas.
E - Diz a verdade, da parte da Santíssima
Virgem, toda a verdade e só a verdade!
J - Nós
também procuramos perturbar as pessoas. Quando o Sacerdote,
com o hissope, asperge de uma ponta a outra da Igreja, então
as pessoas podem rezar melhor. Este rito expulsa também as
idéias e os poderes da magia negra.
E - Da parte da
Santíssima Virgem, diz a verdade!
J - A cerimônia do
Aspergesme, os trinta e três Sinais da Cruz, a Tripla formula
“Senhor eu não sou digno”, e, no fim da Missa, a
oração a São Miguel Arcanjo, as três
Ave-Marias e a Salve Rainha, deveriam ser restabelecidos. A sua
supressão foi obra nossa e, em certa medida, obra daqueles que
estão em nosso poder.
E - Continua a dizer a verdade, da
parte da Santíssima Virgem!
MISSA TRIDENTINA OU MISSA NOVA?
J - Além disso, Eles lá
em cima, (aponta para cima) gostam mais da Missa Tridentina que da
Missa em alemão e da nova Missa, porque nem tudo pode ser
traduzido dum modo absolutamente exacto.
E - Referes-te à
Missa Tridentina, em Latim? Diz a verdade, diz a verdade Judas
Iscariotes, só a verdade, da parte da Santíssima
Virgem!
J - Os textos são difíceis de traduzir em
alemão.* É assim que aparecem essas palavras inexactas,
que tiram muitas graças à Missa. Tudo o que não
é exactamente pronunciado como Cristo o quer, obtém
menos graças. Especialmente no que se refere à
Consagração. As palavras da Consagração
têm que ser pronunciadas duma maneira perfeitamente exacta. Não
se pode mudar uma sílaba. É preciso que tudo seja de
uma extrema exatidão e rigor. Sabeis como lá em baixo
está tudo perfeitamente regulado? Nem sequer na Igreja
Católica, agora, se consegue ter uma regulamentação
como a nossa.
E - Diz a verdade, da parte da Santíssima
Virgem e só a verdade! Continua!
* O Latim, como língua morta, não falada, que já não evolui, põe um freio considerável, devido a sua rigidez, às interpretações fantasistas ou às traduções falaciosas, como as que freqüentemente se encontram nos textos em línguas vulgares. Os demônios já se tinham referido concretamente à tradução errada da formula da Consagração. Cfr. pp. 26.
AS FESTAS CATÓLICAS
J - As festas... as festas católicas!
Tudo está mudado e desorganizado; mudaram-se as datas e as
pessoas já não compreendem nada. Antigamente, as
pessoas podiam pensar com antecedência: “ Agora, vem esta
ou aquela festa”... e agora... (ri ironicamente).
E - Diz a
verdade, da parte da Santíssima Virgem!
J - Agora, as
pessoas já nem sequer sabem quando estas festas se realizam,
nem em que data são fixadas. Isto é muito vantajoso
para nós e é uma perda insensata para os outros, porque
havia festas para as quais as pessoas se começavam a preparar
com algumas semanas de antecedência. Agora, já não
o podem fazer, ou só muito raramente o fazem, porque já
não têm as datas das festas presentes na memória;
em cada calendário figura uma data diferente. Como é
que quereis que se preparem? As pessoas não podem ir ter com
os Bispos ou com os Sacerdotes à Igreja e festejar determinada
festa aí, em tal data e de tal maneira e, depois, em casa,
sozinhos, celebrarem a festa na antiga data.
E - Diz a verdade, da
parte da Santíssima Virgem!
J - No entanto, acreditai-me, mesmo no inferno, são as antigas festas que estão em vigor. Estão em vigor, bem mais em vigor que no vosso mundo. Decerto já vos apercebestes disso com a festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
TODOS OS SANTOS, FIÉIS
DEFUNTOS,
ALMAS DO
PURGATÓRIO
J - Era preciso repor todas as festas
no seu devido lugar. Então, essa dos fiéis defuntos,
tem também que se lhe diga!
E - Diz a verdade da parte da
Santíssima Virgem!
J - As almas do Purgatório
encontram-se numa situação terrivelmente desvantajosa.
Antigamente ia-se ao cemitério. Cada oração que
se fazia, obtinha uma indulgência; deste modo, uma alma podia
ir imediatamente para o Céu. Agora isso já não
acontece, ou melhor, as pessoas já não são
encorajadas nesse sentido. Isso foi suprimido pelo Clero, que afirma
que essas indulgências já não têm valor,
que só uma é válida, a do dia de Todos os
Santos. Que hão-de fazer as almas do Purgatório só
com uma única indulgência? Ah! Antigamente libertavam-se
milhares e milhares de almas, deveríamos dizer, milhões...
e agora?
Agora, encontram-se perante uma terrível perda!
Elas gritam por socorro e ninguém lhes acode. Aproxima-se o
dia dessa festa. Era preciso esclarecer todas as pessoas a este
respeito, mas elas não acreditariam. (ri maldoso com
satisfação)
E - Diz a verdade, da parte da
Santíssima Virgem!
J - E no fundo era uma coisa tão
simples! Bastava ir ao cemitério, lançar um pouco de
água benta, dizendo uma vez: “Dai-lhe Senhor, o eterno
descanso...”, e, às vezes um Pai-Nosso ou outra oração,
conforme o que ocorresse ao espírito de cada um. Sempre que
procediam assim, com reta intenção, então, por
cada oração, era realmente liberta uma alma. Agora,
mesmo os bons, que ainda acreditam nisso, são induzidos em
erro, quando se lhes diz: “Tu não podes ganhar esta ou
aquela Indulgência, isso já não é valido.”
É claro que isso só nos tráz vantagens a nós,
os do inferno (ri maldoso).
E - Fala somente da parte da
Santíssima Virgem, só a verdade e toda a verdade!
J
- E quanto a esta grande e única Indulgência, que ainda
se pode ganhar, (a do dia de Todos-os-Santos, segundo os
modernistas), muitas pessoas acham os seis Pai Nossos demasiado
longos. Além disso, com esta indulgência única,
já não são muitas as almas que se libertam. O
próprio Deus, Ele lá em cima (aponta para cima) há-de
pôr as coisas no seu devido lugar, mas para muitos, já
será demasiado tarde, excessivamente tarde.
Devo ainda
dizer que este assunto das festas dos Santos tem mais importância
do que se pensa. As datas foram rapidamente mudadas, não só
as das festas dos Santos como também e muito especialmente as
festas em honra da Santíssima Virgem. De facto a festa de 8 de
Dezembro manteve-se, mas de que vale isso? Há outras festas
igualmente importantes. Citemos, por exemplo, a de Nossa Senhora do
Carmelo e outras grandes festas e dias comemorativos. Quando as
pessoas não vão à Missa, nesses dias, pedir o
auxílio da Santíssima Virgem para a sua vida, recebem
também menos graças. Isso representa para elas uma
grande perda e para nós um magnífico ganho.
E - Fala
somente da parte da Santíssima Virgem e apenas a verdade!
OS SACERDOTES E A GRAÇA
J - Se ao menos eu não fosse
obrigado a dizer isto! Eu não queria dizê-lo!
E -
Continua em nome (...) toda a verdade!
J - De facto, prefiriria
não continuar a falar.
E - Continua da parte da Santíssima
Virgem, diz só a verdade, em nome (...)!
J - É bem
certo o provérbio (alemão) que diz: “só
aquele que nada contra a corrente é que apanha água
fresca.” Muitos Sacerdotes encontrar-se-ão em breve num
pântano pestilento, fétido e sujo, e nem sequer se
aperceberão disso. Deixam que este pântano rodeie os
seus corpos, e o que é ainda muito pior, o seu espírito,
e acabarão por afundar-se nele. É certo que é
muito difícil nadar contra a corrente, mas pelo menos
recebe-se água fresca. Essa água fresca representa as
graças, e é isto que Eles lá em cima querem que
se receba.
Com esta imagem, quer-se sobretudo significar as almas.
Obtêm-se mais graças pela Missa Tridentina ou pela Missa
latina, do que por aqueles Sacerdotes que já não
celebram convenientemente a Missa, pois assim já não há
tantas graças. Já não há uma plenitude de
bênçãos nestas Igrejas porque estamos lá
nós. Dançaremos nelas à vontade e estaremos em
breve lá em maior número que as pessoas.
E - Diz a
verdade da parte da Virgem Santíssima, em nome (...).
J -
Em breve seremos mais numerosos, a dançar no interior dessas
Igrejas, do que as pessoas que essas Igrejas podem conter (ri
sarcástico e com uma alegria malvada).
E - Diz a verdade,
da parte da Santíssima Virgem!
J - Para cada pessoa podemos
mobilizar dois ou três demônios, ou mesmo mais, quando se
trata duma alma mais piedosa (ri com malvadez).
AS MULHERES NA
CAPELA-MÓR
A
DAR A COMUNHÃO
J - E a leitura voltada para a
assembléia? É-nos extremamente vantajosa, mas é-o
ainda mais quando é feita por mulheres (ri com maldade).
E
- Diz a verdade, em nome de Jesus, Judas Iscariotes!
J - Então,
quando as mulheres se colocam à frente, até as pessoas
piedosas, homens ou mulheres que desejariam concentrar-se na oração,
não deixam de pensar: “Que vestido é que ela traz
hoje? Como lhe fica o chapéu? Foi recentemente ao
cabeleleiro?...” (ri com satisfação maldosa).
E
- Diz a verdade, em nome da Santíssima Trindade!
J - Os
seus sapatos estão na moda? Estes sapatos são 3 ou 5
centímetros mais altos que os antigos? Usa meias escuras ou
claras? (ri a bandeiras despregadas).
E - Judas diz a verdade e só
a verdade, da parte da Santíssima Virgem!
J - Não se vê um
pouco da sua combinação? (ri sarcástico)
E -
Diz apenas, o que a Santíssima Virgem tem para nos dizer, diz
somente isso e nada mais! O que acabas de dizer é da tua
autoria?
J - De certo modo fui obrigado a dizê-lo. Tive que
o dizer, como complemento. No fundo é mesmo assim. É
assim que as pessoas pensam e, antes de qualquer outra coisa, reparam
na sua figura. Isso é evidente. Antigamente as mulheres usavam
véu, mas há muito que se deixaram disso. Mas, mesmo que
já não usem véu, o seu lugar não é
na capela-mór. O Papa e os Céus (aponta para cima) não
querem isso.
E - Diz a verdade da parte da Santíssima
Virgem, só a verdade!
J - Mas o pior é quando as
mulheres são encarregadas de distribuir a Sagrada Comunhão.
Então, já, não há mais graças e
bênçãos. É que as suas mãos não
são consagradas, são mãos de mulheres. Não
quero dizer que o mal esteja no facto de serem mãos de
mulheres, mas sim, no facto de não serem consagradas. Cristo
escolheu só e unicamente os homens para o Sacerdócio e
não as mulheres. Mas é o orgulho, o orgulho, o pecado
original dos anjos, a razão disto.*
E - Continua a dizer a
verdade, da parte e em nome da Santíssima Virgem.
J - No
fundo estas mulheres sentem-se orgulhosas por poderem dar nas vistas
a actuar lá à frente. Acreditai! Os Sacerdotes, mesmo
os modernos que dentro em breve verão tudo atirado para o
caixote do lixo, acabarão por compreender que, com todas as
suas teorias e brilhantes inovações, não vão
a lado algum. Contudo, não querem voltar atrás, no
caminho que tomaram. Por outro lado, também não sabem
bem como arranjar as coisas de molde a agradarem às pessoas. E
é assim que muitos Sacerdotes chamam uma mulher para a
capela-mor. Pensam que é mais um motivo para atrair as pessoas
(ri sarcástico), pois as suas Igrejas são ocupadas até
um terço da sua real capacidade!
E - Judas Iscariotes,
continua a falar da parte da Santíssima Virgem e diz só
a verdade!
J - Estão cada vez mais próximos do
protestantismo; quer dizer, o protestantismo é, em certa
medida, melhor que a Igreja Católica moderna.
E - Diz a
verdade da parte da Santíssima Virgem!
J - O
protestantismo! Eles não sabem mais nada; eles não
sabem mais nada desde que as coisas ficaram assim, mas os
católicos!
E - Continua a falar da parte da Santíssima
Virgem, Judas Iscariotes!
J - Os protestantes estarão em
breve mais próximos de Deus que o catolicismo moderno: Eles
não sabem mais, como já disse, mas de certa maneira
podem vir a saber. Os homens inteligentes reconhecem que a Igreja
Católica, a boa, bem entendido, é a verdadeira Igreja.
Muitos converter-se-iam. Mas, na situação em que a
Igreja se encontra actualmente, eu diria, ou melhor, nós os do
inferno diríamos que o protestantismo em breve se encontrará
numa melhor posição.
* Belzebu no Exorcismo de 7
de Novembro de 1977 acrescentaria isto: “ O mundo de hoje quer
ser aprovado. Quer pôr as mulheres na capela-mór, no
altar, mulheres espampanantes e metediças. E isto apesar da
Mãe de Deus nunca ter tido uma função na Igreja,
apesar de Cristo não querer que a mulher entre no Santo dos
santos, como castigo, porque o pecado original vem de Eva e foi ela
que caiu em primeiro lugar, Cristo disse isto um pouco antes de Sua
Paixão...”. É preciso lembrar que o acto de dar a
Comunhão é em si mesmo um acto de sacerdócio e é
por isso que compete normalmente ao Sacerdote.
E - Continua a dizer a verdade, da parte da Santíssima Virgem, e só a verdade!
J - E quanto à pregação!
Há lugares onde as homilias são feitas por mulheres.
Ele, lá em cima, (aponta para cima), não quer isso.
E
- Continua, diz a verdade e só a verdade da parte da
Santíssima Virgem!
J - Deus quer que a homilia seja feita
por um homem consagrado, porque assim a pregação tem
maior efeito sobre os fiéis. Uma mulher não consagrada
está longe de ter a mesma eficácia, abstraindo mesmo do
facto das pessoas não se concentrarem nas suas palavras.
Uma
mulher que prega não pode ser boa, não pode pregar com
seriedade, pois se tivesse um espírito sério e fosse
boa, não se dedicaria a pregações. A Imitação
de Cristo, as virtudes à Cruz e os Santos, são assuntos
actualmente pouco abordados na Missa ou nas homilias. Mesmo os
Sacerdotes consagrados já não se lhes referem a maior
parte das vezes.
E - Continua a dizer a verdade, da parte da
Santíssima Virgem e diz só a verdade!
J - Se esta
mulher não aprofundar ao máximo o tema da sua pregação,
como poderão as pessoas tirar algum proveito dela? Quando,
muito, poderão acorrer-lhes pensamentos estranhos. Nem sempre
isso acontece, mas dum modo geral pode dizer-se que uma pregação
dessas é tempo perdido.
O PADRE VOLTADO PARA OS FIÉIS
J - O Padre voltado para os fiéis
também não é bom, sobretudo para as mulheres.
Passa-se o mesmo que com as mulheres na capela-mór. Agora, são
as mulheres que se interrogam: como são seus cabelos? Está
bem penteado? Terá ido ao barbeiro? Repara, agora tem o cabelo
frisado e antigamente, não. Que belos dentes, tem! (ri
irônico).
E-Continua a dizer a verdade em nome da Santíssima
Virgem e só a verdade!
J - Os paramentos ficam-lhe bem, ele
é ainda tão jovem... pena que seja Padre (ri jocoso)...
etc... Mas se ele celebrasse voltado para o altar, estes pensamentos
não ocorreriam às mulheres: Quando ele se virasse,
depois delas terem rezado, já nada disso teria importância.
Deus bem sabe porque é que a Missa deve ser celebrada de
costas viradas para o público.
E - Diz a verdade, sob as
ordens da Santíssima Virgem, e só a verdade! Continua!
O TABERNÁCULO DEVE
SER DIGNO
DAQUELE
QUE LÁ RESIDE
J - O Sacrário devia estar no centro. Que significado tem, ao entrar-se numa Igreja moderna, ser-se primeiro obrigado a procurar o Sacrário? Não se sabe se está à frente, se atrás ou de lado. Em muitas Igrejas constroem-se mesmo Sacrários que não se sabe se são tocas de raposa (ri com malvadez)...
E - Diz a verdade e só a
verdade, sob as ordens da Santíssima Virgem, Judas
Iscariotes!
J - ...se cofres-fortes (mal pode conter o riso).
E
- Diz a verdade, Judas Iscariotes, só a verdade, sob as ordens
da Santíssima Virgem!
J - Agora há também
muitos que fazem Sacrários de qualquer maneira, em ferro.
Claro que também poderiam ser utilizados carris do caminho de
ferro (ri maldoso).
E - Diz a verdade, só a verdade, em
nome (...)!
J - Um tabernáculo - Estais a ouvir-me? - Deve
ser dourado. Isto é: nem o ouro, nem as pedras mais preciosas
seriam dignas de encerrar o que ele encerra. Estariam bem longe de
ser merecedoras do que ele abriga. É uma vergonha, mesmo nós
lá em baixo, temos de o reconhecer, é uma vergonha ver
as Igrejas e Tabernáculos que os homens constroem.
E - Diz
a verdade, acaba com o riso, diz a verdade sob as ordens da
Santíssima Virgem!
A DANÇA NOS LUGARES SAGRADOS
J - E que dizer das Igrejas onde se
celebram Missas à tarde ou mesmo de manhã e onde em
seguida se realizam bailes! Devo falar de sexo, e não apenas
de dança, porque na maior parte dos casos em que há
dança, há erotismo. Poderia dizer-se que não há
um único baile onde não se cometam pecados, quer
corporais, quer espirituais, ou onde não se dê ensejo a
que se cometam mais tarde. A dança é invenção
nossa. Mas agora são os próprios Sacerdotes católicos
a promover estas festas e estas danças. Para que as pessoas
ainda vão às suas casas, têm que lhes oferecer
estes divertimentos. Então, a palavra de ordem é:
cerveja a jorros, dança e música (ri novamente cheio de
satisfação).
E - Diz a verdade e só a
verdade, em nome (...)!
J - Chegaremos ao ponto, ou melhor,
chegamos ao ponto de certos Padres que ainda se dizem católicos,
mas que já há muito o não são, chamarem
às suas Igrejas adeptos de certas seitas, digamos, da missão
pentecostista etc..., para que eles dêem testemunho das suas
patranhas. Se não é o Espírito Santo que reina,
somos nós (e em certa medida é a magia negra) que
reina. E as pessoas estão tão cegas que já não
sabem para onde fica o Leste ou o Oeste. Claro que para nós,
isto é como “um campo ceifado.” São assim
os Sacerdotes que temos actualmente.
E - Continua a dizer a
verdade, em nome da Santíssima Virgem, e só a verdade,
somente as verdade sob as ordens da Santíssima Virgem!
A ARTE RELIGIOSA
J - Sim, a Santíssima Virgem!
Isso também tem que se lhe diga. De facto, coloca-se a sua
imagem a um canto ou bem ao fundo, de maneira que se veja o menos
possível. Muitas vezes existe uma pequena imagem da Virgem, de
mau gosto (se é que se consegue compreender de quem é a
imagem). Quanto às imagens modernas, na maioria dos casos não
se sabe se se trata da mulher de um “gangster” ou de
algum lá de cima (aponta para cima).
E - Sob as ordens da
Santíssima Virgem, diz a verdade!
J - Nos lugares onde
ainda existem imagens belas da Santíssima Virgem, as pessoas
são mais facilmente impelidas à oração. É
por isso, que Eles lá em cima, querem que...
E - Continua a
dizer a verdade sob as ordens da Santíssima Virgem, diz tudo o
que tens a dizer sob as Suas ordens!
J - ... apareçam belas
obras de arte, pelo menos imagens boas e belas, que “falem”
às pessoas. O Sacrário deve ficar, como já foi
dito, no centro, ricamente ornamentado, dourado se for possível,
arranjado de tal modo que todo o aspecto da Igreja seja harmonioso.
Que não se assemelhe a uma casota de cão, ou (quase
gostaria de o dizer) a um curral de porcos (ri sarcástico).
E
- Diz a verdade, sob as ordens da Santíssima Virgem! Abdica
dessas expressões, que vêm lá de baixo!
J -
Vêm lá de baixo, mas fui autorizado a dizê-las
(respira alto e com dificuldade).
E - Continua a dizer a verdade,
diz tudo o que tens a dizer sob as ordens da Santíssima
Virgem! Continua a falar!
O SANTÍSSIMO SACRAMENTO DO ALTAR
J - O Santíssimo Sacramento: O
Santíssimo Sacramento já não é adorado.
Está totalmente posto de lado. As exposições do
Santíssimo Sacramento são agora raras. Fazem-se ainda
em alguns actos de reparação e entre os
“tradicionalistas”. Fora disso são muito raras.
Este Sacramento... se soubésseis como é Grande!
E -
Continua a falar em nome (...)!
J - O Santíssimo Sacramento
do Altar! Se soubésseis as bênçãos que
jorram, as bênçãos que d'Êle jorravam
antigamente, quando era exposto no Sacrário e o povo, diante
d'Êle, fazia a adoração reparadora! Isso era de
grande eficácia para os pecados. Todas essas coisas deixaram
de existir e é por isso que também menos almas se
salvam. Não quero continuar a falar, não quero falar
mais!
E - Continua, sob as ordens da Santíssima Virgem, diz
tudo o que Ela te encarregou de dizer, mas só a verdade!
O SANTO ROSÁRIO
J - Tenho de acrescentar o seguinte
(respira com grande dificuldade): A grande maioria dos Sacerdotes
estão cegos. Somos nós que os cegamos. Mas, com um
pouco de boa vontade e com muita oração ao Espírito
Santo, acabariam, a pouco e pouco, por compreendê-lo. O Rosário
seria então um remédio universal. Porém, também
ele foi suprimido em quase todo o lado. Já não está
na moda, como se costuma dizer.
E - Continua, sob as ordens da
Santíssima Virgem, diz toda a verdade, diz o que tens a dizer!
J - Os Mistérios Dolorosos
seriam os mais preciosos dos três. Sem dúvida que todos
os são, mas a meditação dos Mistérios
Dolorosos contribui mais para a salvação das almas. É
por isso que lá em cima (aponta para cima), são
considerados os mais preciosos.
E - E os outros Mistérios?
Fala, em nome (...)!
O ROSÁRIO E A IMITAÇÃO DE CRISTO
J - Também são bons.
Claro que são bons e dum modo especial os Mistérios
Gloriosos, com a dezena que convida à contemplação
do Pentecostes, à descida do Espírito Santo. Todos são
bons, mas os Mistérios Dolorosos são preciosos pois
estão associados à contemplação da Agonia
de Cristo no Jardim das Oliveiras, da flagelação, da
coroação de espinhos, do carregamento da Cruz e da
morte na Cruz.
O livro Imitação de Cristo devia ter
sido fermento, devia ter sido alimento, pão para a humanidade.
Mas foi rejeitado como o foram milhares de livros que existem.
Citemos por exemplo os livros de Agreda, Emmerich, etc... Muitos
outros livros sobre a vida dos Santos caíram igualmente no
esquecimento.
Mas os livros da Catarina Emmerich e Maria Agreda
têm a vantagem de pôr sob os olhos das pessoas a vida de
Cristo, dum modo impressionante e de lhes mostrar a pobreza
extraordinária em que Jesus Cristo, a Santíssima Virgem
e S. José viveram. Se as pessoas seguissem o seu exemplo,
decerto não viveriam tão obcecadas pelo dinheiro, como
tantas vezes acontece, e o orgulho não as cegaria tanto.
Haviam de compreender que as únicas coisas abençoadas
pelo Céu são a humildade, as virtudes e as obras de
misericórdia como muito justamente se costuma dizer e,
sobretudo, a perfeita Imitação de Cristo e a própria
entrega de si mesmo aos lá de cima (resmunga).
E - Continua
a dizer a verdade, só a verdade, sob as ordens da Santíssima
Virgem!
J - Lúcifer paralisa-me. Já não posso
mais, não quero dizer mais nada. Obrigaram-me a falar demais,
a mim, Judas Iscariotes. (respira alto e com dificuldade)!
E -
Continua a dizer a verdade Judas Iscariotes!
J - A Imitação
de Cristo, seria bom; a cruz seria bom. Na cruz está a
salvação. Na cruz está a vitória. A cruz
é mais forte que a guerra. Oh! Como lúcifer me
atormenta por eu dizer estas coisas!
E - Continua a dizer a
verdade! Lúcifer vai-te, sai desta mulher! Tu não lhe
podes fazer mal, em nome (...)!
J - Ele está nas
proximidades.
E - Vai-te Lúcifer, tu não tens nada a
fazer aqui! Judas Iscariotes continua! Lúcifer não pode
fazer-te mal, em nome (...)!
J - Ele atormenta-me. É
unicamente graças a Ela, lá em cima (que me amou
intensamente) que ele não me tortura ainda mais terrivelmente
no inferno. Sim! Este velho, este louco, este monstro medonho.
E -
Continua a dizer a verdade, sob as ordens da Santíssima
Virgem, continua a dizer o que Ela nos quer transmitir! Lúcifer
não pode fazer-te mal!
J - Ele faz-me mal, mas não me
interessa! Ficarei satisfeito se não for obrigado a continuar
a falar. Isso só me recorda as minhas próprias
maldades. Gostaria de poder voltar atrás, poder voltar atrás
(suspira miseravelmente).
E - Continua, sob a ordem da Santíssima
Virgem! Diz o que tens a dizer!
A DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM
J - A Congregação Mariana
era bom, mas agora já o não é. Nos lugares onde
ainda existe já não é boa. Aliás, já
quase não existe, porque duma maneira geral a Santíssima
Virgem foi banida das Igrejas. Atualmente, são muito poucas as
pessoas que agem segundo a sua vontade e os seus desejos. Há
pouco quem a imite e ainda menos quem pratique a Verdadeira Devoção,
segundo S. Luiz Grignon de Montfort. É preciso dizer que ela é
difícil. A verdadeira devoção e a oferta de si
mesmo não são fáceis.
Nós tudo fazemos
para impedir essas coisas. Mas para as pessoas é a melhor
coisa que podem fazer: A melhor entre as melhores. Ela (aponta para
cima) tem um grande poder, Ela protege os seus filhos como me teria
protegido a mim, se eu simplesmente o tivesse querido (geme
desesperado).
E - Continua a dizer a verdade, Judas Iscariotes!
Lúcifer não pode fazer-te mal, nem impedir-te de falar.
Diz o que a Santíssima Virgem tem a dizer-nos, por teu
intermédio! Tens de falar sob as Suas ordens, em nome (...).
J
- Os cânticos em louvor da Santíssima Virgem, nas
Igrejas modernas, ouvem-se ainda uma vez todos os anos bissextos
(geme como se estivessem a atormentá-lo).
E - Lúcifer,
proibimos-te de fazer mal a Judas Iscariotes ou perturbá-lo! É
preciso que ele possa falar!
J - Só se ouvem uma vez todos
os anos bissextos e, quando isso ainda acontece, são cânticos
que não penetram até o fundo da alma, cânticos
que não falam ao espírito. Isso é-nos muito
vantajoso porque já muitas almas se salvaram e voltaram ao bom
caminho por causa dos cânticos em louvor da Santíssima
Virgem. Tomemos por exemplo o cântico “Maria zu lieben”
(Para amar Maria). Diz assim: “Tu és a Mãe, quero
ser teu filho, só teu, na vida e na morte!” (geme como
um miserável). Não! Não quero dizer estas
coisas!
E - Diz a verdade, em nome (...)!
J - Quero calar-me!
E
- Sob as ordens da Santíssima Virgem, fala, em nome (...)!
J
- Quero calar-me... muitos textos, nos países de língua
alemã, foram modificados pelos Bispos. O cântico “Milde
Königin gedenke!” (Lembra-te doce rainha...) é
também um que nós tememos, porque contém esta
bela frase: “Deverá o mais pobre dos teus filhos
deixar-te sem ser socorrido?” Estas palavras já
provocaram, em muitos, bons pensamentos e conseguiram-nos salvar no
último momento. Ou então, quando se diz: “Olhai-me
pobre e miserável pecador...” Mas para nós, no
inferno, é bom que não sejam entoados. É bom, é
mesmo muito bom.
E - Diz a verdade, sob as ordens da Santíssima
Virgem, diz somente o que a Santíssima Virgem quer!
J -
Depois, os cânticos em honra do Santíssimo Sacramento:
“Kommet, lobet ohne End” (Vinde, Louvai sem fim). O Stern
im Meere, Fürstin der liebe, (Estrela do mar, Soberana do Amor);
há e havia centenas de cânticos belos e bons. Mas a
Igreja moderna sabe muito bem, isto é, nós sabemos
muito bem, por onde devemos começar a destruir na Igreja
Católica. Nós somos obrigados, é o velho
(lúcifer) que o quer, é ele que fala, é ele que
o exige. Nós conseguimos, conseguimos agora o que sempre
desejamos. Atingimos o ponto culminante. Estamos no auge. Neste ponto
só falta o Aviso. Só falta o Aviso.*
* Trata-se do “Aviso” que foi anunciado pela Santíssima Virgem em Garabandal, em 01 de Janeiro de 1965. (Cf. o Segundo Advento, a Montanha de Garabandal, ed. Tudo Instaurar em Cristo).
O SACERDOTE COMO PREGADOR E O SEU AUDITÓRIO
E - Diz a verdade, sob as ordens da
Santíssima Virgem, Judas Iscariotes, diz o que Ela nos quer
transmitir por teu intermédio!
J - Em muitos, o que falta é
a humildade. Em muitos Sacerdotes de hoje, o que falta é a
humildade, porque se fossem humildes não seriam tão
covardes. Então, teriam a coragem de proceder bem, de cumprir
os seus deveres, mesmo com risco de serem humilhados, é por aí
que nós temos domínio sobre eles. Muitas coisas
dependem dessa virtude.
Atualmente, a humildade é escrita
com letras extremamente pequenas, tão pequenas que mal se
podem ler. Está ainda escrita em poucos, mas só em
muito poucos é que está gravada com letras
maiúsculas.
É claro que se esta virtude já
não figura nas pregações, como é que
quereis que as pessoas a pratiquem ou pratiquem outras virtudes? Onde
é que poderá ir buscar a matéria, a inspiração,
o bom espírito que deve reinar, a não ser às
homilias?
Não foi um grande Santo que disse: “Quando
o demônio quer apoderar-se duma alma, não a deixa ir aos
sermões?” Mas às homilias que agora se fazem,
pode o demônio, tranquilamente, deixar ir as pessoas (ri com
uma satisfação).
E - Diz a verdade da parte da
Santíssima Virgem e acaba com o riso!
J -Porque são
sobretudo anedotas ou elocubrações sobre o Concílio,
fazendo o pregador mais o papel de conferencista que de pregador (dá
gargalhadas). Apesar disso, as pessoas estão suspensas das
suas palavras. Mas por quanto tempo ainda?
E - Diz a verdade em
nome (...)!
J - Bebem as suas palavras e crêem sem hesitar
em tudo o que ele diz, porque é Sacerdote e recebeu do Bispo a
sua missão. Ele fala assim, lê aquilo todos os Domingos
não do púlpito, cá de baixo naturalmente, porque
as pessoas... isso também tem que se lhe diga... (volta a rir
alto).
E - Diz a verdade, diz o que tens a
dizer, da parte da Santíssima Virgem, diz toda a verdade!
J
- Um Padre tem... eu não quero falar disso.
E - Fora daqui
lúcifer! Tu não podes fazer mal, tu não podes
impedir Judas de falar! Judas, diz a verdade, em nome (...)!
J -
Um Padre tem maior eficácia quando fala do alto do púlpito,
do que em baixo, em frente do microfone. Antigamente, quando os
Padres falavam do púlpito, com a sua voz natural, as suas
palavras eram muito mais eficazes do que agora, cá em baixo,
em frente de cinqüenta alto-falantes.
E - Diz a verdade, toda
a verdade, da parte da Santíssima Virgem, só a verdade.
Diz o que Ela quer transmitir por teu intermédio, Judas
Iscariotes!
J - É assim, e aí é que reside
toda a nossa astúcia. Quando as pessoas eram obrigadas a olhar
para o púlpito e de certo modo, é lógico que se
olhe para quem fala não se distraíam a reparar em todos
os chapéus, penteados, casacos ou gravatas. Eram obrigados a
olhar para a boca, quando muito para a cabeça do pregador. Mas
agora as coisas não se passam assim. Olham para a frente e são
distraídos pelos outros.
E - Diz a verdade, da parte da
Santíssima Virgem! Lúcifer não te pode
perturbar.
J - E a astúcia de tudo isto reside no fato de
se terem organizado as coisas de forma a que os Padres já não
falem do púlpito. Isso é um fato capital, e representa
para nós uma grande vantagem. A idéia de falarem à
frente foi engendrada por nós. Fomos também nós
que o quisemos. E nós conseguimos, nós conseguimos
tudo! Sim, obtemos tudo o que queremos (ri triunfante).
E - Diz a
verdade, só a verdade, da parte da Santíssima Virgem.
Lúcifer não poderá interromper-te, Judas
Iscariotes! Fala em nome (...)!
J - Nós até
conseguiremos, aliás já o conseguimos , que as mulheres
e sei lá quem mais, possam ir à Missa com vestidos
impróprios, sem que os Sacerdotes as mandem embora. Pelo
contrário, há alguns que dizem que é preciso
praticar o amor ao próximo...
E - Fala! Deita a verdade cá
para fora, em nome (...)!
J - Dizem que é preciso praticar
o amor ao próximo, que não se pode julgar uma pessoa
pela maneira como anda vestida, bem ou impropriamente, mas que o que
é preciso é olhar para os sentimentos do coração
(ri com uma satisfação maldosa).
E - Diz a verdade,
da parte da Santíssima Virgem e só a verdade!
J -
Antigamente era diferente. Uma pessoa dessas, ou melhor dizendo, uma
“descarada”, era expulsa da Igreja pelo Sacerdote.
Antigamente havia ordem, mas agora já qualquer “descarada”
pode entrar (ri atrevido).
E - Diz o que a Santíssima
Virgem te encarrega de dizer, Judas Iscariotes. Só a verdade,
só o que a Santíssima Virgem nos quer transmitir por
teu intermédio!
J - O que depois se passa, quando estas
pessoas estão na Igreja, é absolutamente normal
(interrompe-se).
E - Continua a dizer a verdade em nome (...).
J
- Quando algumas pessoas deste gênero estão na Igreja,
as cabeças andam num rodopio. Viram-se para a direita, para a
esquerda, para a frente, para trás, esticam-se e voltam-se na
direção do que desejam ver (ri alto). Com tudo isso, a
oração não tarda também a desaparecer (ri
maldoso).
E - Diz a verdade, em nome (...)!
J - Então a
oração fica suspensa num prego ou presa num mata-moscas
(ri irônico).
E - Sob as ordens da Santíssima Virgem,
diz a verdade, diz o que a Santíssima Virgem nos quer
transmitir!
J - E assim, a oração já nem
sequer se pode libertar do mata-moscas; quando muito contorcer-se na
rede do sexo (interrompe-se).
E - Diz a verdade em nome (...)!
O TRAJE ECLESIÁSTICO
J - Era bom que os Sacerdotes voltassem
a usar sotaina preta. Nós já fomos obrigados a dizê-lo,
as almas danadas já o disseram (*). Quando um Padre se
apresenta à paisana em camisa com gravata espampanante (nem é
preciso sê-lo) ninguém sabe se é repórter
ou... (ri irônico).
E - Diz a verdade da parte da Santíssima
Virgem, somente a verdade!
J - ... um diplomata, um diretor (ri a
bandeiras despregadas) ou mesmo um conferencista, que...
E - Diz a
verdade da parte da Santíssima Virgem, só a verdade!
J
- ...que... (ri sarcástico).
E - Diz a verdade da parte da
Santíssima Virgem, acaba lá com o riso, deixa-te de
graças! Fala agora, sob as ordens da Santíssima
Virgem!
J - ... ou qualquer outro “burro” à
pesca de bombas eróticas.
E - Diz a verdade e só o
que é da vontade da Santíssima Virgem!
J - Tudo está
relacionado, tudo está relacionado! (continua a rir com
malvadez).
E - Diz a verdade sob as ordens da Santíssima
Virgem diz o que Ela quer transmitir, Judas Iscariotes!
J - É
precisamente isto...! (resmunga).
E - Fala em nome de Jesus!
J
- Não quero!
E - Tens que dizer a verdade! Fala, Judas
Iscariotes!
J - Foi o que eu fiz.
E - Tens de falar, sob as
ordens da Santíssima Virgem!
J - Quando um Padre se
apresenta em camisa desportiva, mesmo elegante, o resultado é
que qualquer “galinha choca” pode pensar que ele a
deseja. Será este exemplo digno dum Padre? Que exemplo é
que dá um Padre nestas condições? Quantos erros
não se verificaram nos últimos anos por causa disto?
Quanto mal não se poderia ter evitado se os Padres ainda se
apresentassem vestidos com o seu verdadeiro, primitivo, antigo, bom e
tradicional... (resmunga).
E - Diz a verdade em nome da Santíssima
Virgem, diz o que tens a dizer! Fala!
J - ... não apenas bom...
(geme).
E - Diz a verdade! Fala! Que a verdade total saia cá
para fora! Fala Judas Iscariotes, em nome (...)!
J - ... mas
conveniente traje ou...
E - Continua em nome (...)! Lúcifer,
tu não tens o direito de o atormentar!
J - ... na sua
sotaina (**) sacerdotal, no seu traje... ou nem sei como dizê-lo.
Tomemos, como exemplo, os beneditinos. A muitos Padres ficaria muito
melhor o hábito de S. Bento do que um fato à civil,
desmazelado, que jamais poderá representar o que deve. Olhemos
o hábito de S. Francisco com o capuz.
A quantos leigos, a
simples vista deste hábito, mesmo ao longe, não
sugeriria pensamentos melhores! Nem era preciso estar junto dele.
Quantas vezes não se jogou num instante destes a salvação
duma alma! Dá-se também o caso de haver pessoas que
pensam que se ainda há padres, apesar de tudo, Deus tem de
existir, pois do contrário, esses homens não usariam
hábito.
E - Continua a dizer a verdade, da parte da
Santíssima Virgem, diz o que tens a dizer que é da
vontade da Santíssima Virgem, somente a verdade!
J - E a
pessoa pensa para consigo: Se é verdade que Deus existe, algo
tem de mudar em mim. Que devo fazer? E toda a noite esse pensamento
vai ganhando força na sua alma; por fim, essa pessoa
decidir-se-á pelo caminho que a conduzirá a um
religioso de hábito, a um homem de sotaina negra, ou a um
Padre de hábito beneditino... sei lá como é que
eles se chamam. Isto só vos traria benefícios, a vós
e ao mundo inteiro. Seria imensamente vantajoso para as almas. Só
por isto, milhares e milhares de almas seriam salvas. Quer nos
comboios, nos lugares públicos, em toda a parte, onde se
encontrasse um Padre assim, quantas mulheres, quantas pessoas, não
se comportariam melhor, menos negligentemente, ou seja, de outra
maneira (interrompe-se).
E - Diz a verdade, Judas Iscariotes! Diz
o que a Santíssima Virgem quer que digas, somente a verdade,
em nome (...)!
J - Quantos raios salutares não penetrariam,
então, na alma dessas pessoas, com este pensamento: “Ele
é Padre, representa a benção Divina, o
Santíssimo Sacramento, tem todo o poder. Deus é o seu
sustentáculo; nós já nada podemos fazer, todos
temos de morrer...”As coisas poderiam muito bem passar-se
assim, como eu acabo de contar. Repeti-lo mais uma vez ainda,
porque...
E - Diz a verdade Judas Iscariotes, diz o que a
Santíssima Virgem te encarrega de dizer. Lúcifer, tu
não podes impedir Judas Iscariotes de falar, nem sequer
perturbá-lo, em nome (...)!
J - ...porque é horrível
quando uma mulher em mini-saia se senta em frente dum Padre à
paisana, sem saber que ele é Padre. De fato, ela verifica,
quer pelo seu olhar, quer pelo seu comportamento, que ele tem algo de
mais elevado. Ela sente-o de certa maneira e isso leva-a a tentar
aproximar-se ainda mais dele. Nada disso aconte-ceria se ele usasse o
traje ou hábito religioso. Casos como este, levaram muitos
Padres a desviar-se do bom caminho, a casarem e, conseqüentemente,
a abdicarem das suas funções sacerdotais. A Igreja
Católica está numa situação difícil.
Atingiu o ponto zero.
E - Diz a verdade Judas Iscariotes! Lúcifer
tu não tens o direito de impedir Judas Iscariotes de falar,
nem podes perturbá-lo! Judas Iscariotes, diz o que a
Santíssima Virgem te encarregou de transmitir!
J - (Só
se percebem sons guturais indefiníveis e uma sensação
de estrangulamento).
E - Fala, Judas Iscariotes, em nome (...)!
Lúcifer, tu não tens o direito de perturbar; vai-te, em
nome (...)!
(*) Num Exorcismo anterior,
que não se encontra publicado nesta obra.
(**)
Tudo indica que a batina perturba terrivelmente o Diabo. Daí a
grande resistência em dizer o valor do traje.
SÓ A INTERVENÇÃO DE DEUS
J - Só a intervenção
do próprio Deus, d'Aquele lá de cima (aponta para
cima), pode ainda salvar a Igreja. Temo-la totalmente presa nas
nossas malhas. Corre o perigo de perecer. A situação é
crítica. Está encurralada pelos modernismos, pelas
idéias dos professores, dos doutores, dos Padres que se crêem
mais inteligentes que os outros. Só a oração e a
penitência a podem ainda ajudar, mas são bem poucos os
que as praticam (respira profundamente e com dificuldade).
E -
Diz a verdade Judas Iscariotes. Lúcifer, tu não tens
nada que estar a incomodar. Vai-te deixa Judas Iscariotes falar, em
nome (...)!
O INFERNO EM TODO O SEU HORROR
J - É uma grande vitória
para nós que só já muito poucos Padres falem do
inferno! O inferno em todo o seu horror devia pintar-se nas paredes.
Mesmo que o fizessem, isso não chegaria para vos dar uma
pálida idéia do seu horror. Onde é que
encontrais ainda um Padre que fale sobre o inferno, a morte, o
Purgatório ou sobre qualquer outro assunto do gênero?
Só muito poucos o fazem! E estes não chegam para o
exército, para a multidão de pessoas, que se encontram
no caminho da perdição.
E - Continua, Judas
Iscariotes! Lúcifer, tu não podes impedir nem perturbar
Judas Iscariotes quando ele fala. Ele tem que dizer o que a
Santíssima Virgem o encarrega de dizer, em nome (...)!
J- É
também um dos motivos principais...
E - Continua a dizer a
verdade, o que a Santíssima Virgem quer que digas, Judas
Iscariotes!
J - ...um suporte a que nos podemos agarrar. O fato de
já não se pregar sobre o inferno, é-nos
imensamente vantajoso. Devia falar-se dos horrores do inferno, em
toda a sua extensão, e isso não bastaria ainda. Já
o disse aqui: “O inferno é muito mais horrível
que aquilo que vulgarmente se pensa (suspira e chora).
MISSÕES POPULARES E VERDADEIRA RENOVAÇÃO
J - Se ao menos se pregassem estas
coisas e se voltassem a organizar missões populares, muitas
pessoas, milhares delas, voltariam a aproximar-se da confissão.
Agora, não o fazem. Nós já tivemos ocasião
de dizer que as cerimônias penitenciais não podem de
modo algum substituir a confissão. Nós tememos as
missões populares como a peste, pois já contribuíram
para a salvação de muitas almas.
Os pregadores das
missões populares falavam sobretudo do inferno, do Purgatório,
da conversão e da morte. Isto levava a luz a muitas almas:
eram como uma mecha que os Sacerdotes colocavam junto das pessoas e
em que elas se apoiavam, pois ninguém ama a morte, ninguém
ama o diabo. Todos recuavam assustados e cada qual pensava para
consigo: “Se as coisas se passam assim, tenho que retomar o
caminho do bem. Ele tem razão.” Quando um Padre segue a
boa e verdadeira tradição, como Eles lá em cima
querem (aponta para cima), quando ainda celebra convenientemente a
Santa Missa, quando é guiado pelo Espírito Santo,
quando é muito piedoso, então as suas bênçãos
e a sua influência são muito maiores. O mesmo se pode
dizer dos seus sermões. As pregações de muitos
Padres são muito superficiais. As suas Missas já não
são fonte de bênçãos abundantes, talvez de
muito poucas; de qualquer modo, de menos bênção
do que no caso de um Padre piedoso. E isso é lógico.
O
Céu permite que um Sacerdote que quer realmente o bem, que se
deixa guiar pelo Espírito Santo, que se entrega totalmente a
Deus e que só faz o que Ele quer (aponta para cima), possua
uma eficácia muito maior e exerça uma influência
também maior sobre as pessoas que freqüentam a Igreja. O
mesmo se passa com a leitura do Evangelho e com as outras leituras,
do princípio ao fim da Missa: o poder de tal Sacerdote é
muito maior, muito mais extenso, que o de um Sacerdote vulgar, morno
ou quase apóstata. Esses já não se interessam,
são demasiado covardes para celebrar a Missa e para fazer o
bem como deveria ser, segundo a vontade do Céu... Não
quero falar... não quero continuar a falar.
E - Judas
Iscariotes, diz a verdade, diz o que tens a dizer sob as ordens da
Santíssima Virgem! Lúcifer, tu não podes
perturbar Judas Iscariotes, tens de ir para o inferno, lá é
que é o teu lugar! Judas Iscariotes, continua a dizer o que a
Santíssima Virgem quer, diz toda a verdade e só a
verdade, diz tudo o que tens a revelar.
J - (Judas geme).
E -
Vai-te lúcifer! Tu não podes incomodar, nem impedir
Judas Iscariotes de falar! Judas Iscariotes continua em nome (...)!
J
- É preciso que apareçam Sacerdotes corajosos.
Naturalmente, era melhor que fossem os próprios Bispos a
manifestarem-se contra os abusos da Igreja. As pessoas deviam
reunir-se. Era preciso que se voltasse a dizê-lo nas práticas,
que fosse gritado do alto dos telhados. Devia gritar-se do alto dos
púlpitos tudo o que eu, Judas, acabo de dizer. Penso, dum modo
especial, no Aspergesme e na bênção do fim da
Missa, durante a qual se deve ficar de joelhos! Naturalmente que se
deve ficar de joelhos! A posição de pé atrai
menos bençãos, pois não agrada a Deus. Ficar em
pé, de braços caídos, talvez sem rezar, durante
a bênção final, é ofensivo para Deus. É
horrível. Nós, no inferno, revoltar-nos-íamos,
se pudéssemos, mas evidentemente isso agrada-nos, isso até
nos agrada.
E - Mas fala agora, sob as ordens da Santíssima
Virgem, diz apenas o que Ela nos quer transmitir.
A ANTIGA MISSA
ENCERRA
GRAÇAS
INFINDAS
J - Se os trinta e três Sinais da
Cruz voltassem, que aliás estão relacionados com a
vinda de Jesus Cristo! Tudo foi previsto, foi Jesus quem preparou
tudo assim, por intermédio do Espírito Santo. Se tudo
isso fosse restabelecido, desde a “aspersão” até
a oração a S. Miguel Arcanjo, e se voltasse a celebrar
a Missa como Cristo quis, então... não quero dizer mais
nada.
E - Diz a verdade, Judas Iscariotes! Tens de dizê-la,
sob as ordens da Santíssima Virgem!
J - ...então,
milhares de almas que se perdem, que sofrem a condenação
eterna, seriam salvas! O erro está na Missa, principalmente na
Missa. Uma torrente infinda de graças decorria da Missa,
quando ainda era convenientemente celebrada. A Missa é o fator
principal. A Missa e a Comunhão são o que há de
maior para vós, católicos. Todos os místicos,
todas as Aparições da Santíssima Virgem, têm
de se apagar perante esta realidade.
A Santa Missa tem um valor
infinito, incalculável. É o próprio Cristo que
sobe ao altar com toda a sua plenitude de graças, que nós
tanto odiamos. Numa Missa devidamente celebrada somos obrigados a
fugir. Fugimos logo ao Aspergesme. Servindo-nos de uma imagem,
podemos dizer que nos limitamos a espreitar receosos por uma fenda.
Pelo contrário, na Missa moderna, podemos dançar à
volta, até... nem quero dizê-lo.
ESTARÁ CRISTO
AINDA PRESENTE
EM
TODOS OS SACRÁRIOS?
E - Diz a verdade, diz o que a
Santíssima Virgem quer transmitir, só a verdade!
J -
... até na capela-mór, mesmo em frente do Sacrário.
Pois já não é em todos os Sacrários
que... não quero dizer isto, não quero dizê-lo
(rosna com violência).
E - Diz a verdade, tens de dizê-la
Judas Iscariotes, sob as ordens da Santíssima Virgem! Lúcifer
tu não podes perturbá-lo!
J - Eles, no Céu,
lamentam que a Hóstia consagrada já não se
encontre em todos os Sacrários.
E - O quê? Diz a
verdade, em nome (...)!
J - Se ao celebrar a Missa, o Sacerdote já
não crê nas palavras da consagração e não
tem a intenção de consagrar, então a Hóstia
não é consagrada. É apenas pão, como
dizem os protestantes e as seitas. A maioria dos Sacerdotes
“marimbam-se”, e só fazem o que o povo ordena.
Querem ser elogiados no seu modernismo e na sua presunção,
que quase lhes salta pela cabeça (resmunga).
E - Diz a
verdade e só a verdade, diz tudo o que tens a dizer, sob as
ordens da Santíssima Virgem, Judas Iscariotes!
J - Mais
lamentável, para Eles lá em cima (aponta para cima), é
as pessoas pensarem que recebem Cristo na Hóstia... quando é
apenas pão.
Efetivamente, já não é
Cristo. Isso representa uma enorme perda de graças e, assim,
desviam-se mais facilmente do bom caminho. Até pelos próprios
Sacerdotes são enganados!
E - Diz a verdade, Judas
Iscariotes, em nome (...)!
J - Tenho também a acrescentar
que Eles, lá em cima, não gostam que se usem Hóstias
castanhas. Só são toleradas em caso de extrema
necessidade. Normalmente, deve dar-se preferência a pão
branco, até porque Jesus é a Inocência
personificada (respira com dificuldade).
E - Continua, Judas
Iscariotes, diz tudo o que tens a dizer da parte da Santíssima
Virgem! Lúcifer não pode incomodar-te. Ele tem de
partir para o inferno, onde é o seu lugar. Judas Iscariotes,
continua a falar, em nome (...)!
J - Se, quando o Papa aparece à
varanda, onde tem o hábito de falar, pudesse dizer tudo o que
devia e queria, sem influências estranhas, então os
homens arrepiavam caminho. Iria ainda a tempo, mas é
precisamente disso que ele é impedido. Se ele ao menos pudesse
sair, uma vez que fosse, e dizer o que queria... mas antes seria...
(rosna).
E - Da parte da Santíssima Virgem, diz a verdade,
em nome (...)!
J - ...calado, se falasse livremente. Ele bem sabe
que não pode dar um passo em falso.
Preferiria morrer a
suportar essa situação mas, por outro lado, tem
consciência de que deve levar a sua cruz ao Calvário.
Tem que viver a Paixão até ao fim quer queira, quer
não. O Papa tem que passar pela prensa como Cristo passou, não
na mesma medida, mas tem que passar.
E - Continua Judas
Iscariotes, diz apenas o que a Santíssima Virgem quer que
digas! Lúcifer não te pode perturbar, tem que te deixar
falar, em nome (...)!
J - Não se acredita no que o Céu
anuncia por intermédio das almas privilegiadas, no que Ela
(aponta para cima) encarrega as almas privilegiadas de anunciar, em
nome de Jesus Cristo. Também já não se acredita
nas Aparições do próprio Cristo. Jesus e Sua Mãe
já afirmaram bastantes vezes, tal como agora, que na Igreja,
tudo está pôdre, mas os Bispos também o não
crêem. Os lugares das aparições, não
apenas os recentes como também os mais recentes, nem sequer
são reconhecidos. Em Lourdes ou Fátima acredita-se
ainda, embora dum modo muito superficial, mas também aí
as graças já não correm tão
abundantemente, pois os próprios Sacerdotes já não
celebram a boa Missa. Há...(interrompe-se).
E - Diz a
verdade, Judas Iscariotes, em nome (...)!
J - Há certos
Sacerdotes, mesmo nesses lugares, que gostariam de celebrar uma Missa
de sua invenção, pode dizer-se assim para ultrapassar
os outros. Neste aspecto, Fátima ocupará em breve o
primeiro lugar e Lourdes...
E - Diz a verdade, sob as ordens da
Mãe de Deus! Lúcifer não tem o direito de te
perturbar, nem de te impedir de falar!
J - ... e Lourdes não
lhe ficará atrás durante muito tempo! Há muitos
católicos que já não vão a Lourdes porque
acham que é antiquado honrar a Santíssima Virgem e ir
em peregrinação.
E - Sob as ordens da Santíssima
Virgem, continua a dizer a verdade, diz tudo o que tens a dizer, o
que a Santíssima Virgem quer transmitir por teu intermédio!
ERROS NA CONDUTA
DA
IGREJA
J - Se todos os Padres, sem exceção,
num rasgo de inteligência, reconhe-cessem como está a
Igreja e qual a sua situação, ficariam horrivelmente
apavorados. Certamente modificariam a sua conduta, pelo menos um
grande número deles. Mas é precisamente este rasgo de
inteligência que lhes falta, a eles que crêem que a
Igreja é guiada pelo Espírito Santo.
E - Diz a
verdade da parte da Santíssima Virgem e só a verdade!
J
- Estes Padres concentram-se sobre a nova Igreja. Afinal de contas, a
Igreja são eles, e podem mudar o que lhes agradar, pois o
Espírito Santo também reside neles. Deste modo, não
se dão conta que desobedecem ao Papa, o chefe da Igreja, e que
tudo isso não vem dele. É que a ação do
Espírito Santo se exerce através da palavra do Papa e
não por uma palavra que eles querem virar e revirar à
sua vontade (resmunga).
E - Continua Judas Iscariotes, da parte da
Santíssima Virgem, diz o que Ela nos quer transmitir, em nome
(...)!
J - Naturalmente, tudo o que nós divulgamos por
intermédio dos cardeais, não vem de modo algum do
Espírito Santo. (Notável síntese que
desmistifica a vaidade da atual vida Eclesiástica ao mais alto
grau).
E - Judas Iscariotes, diz a verdade, diz o que a Santíssima
Virgem te encarregou de dizer; continua, em nome (...)!
J - Alguns
deles serão exterminados como a erva daninha - como se diz e
tão bem no exorcismo - , mas isso não acontecerá
a todos. Alguns compreenderão ainda... Quanto aos Bispos, isso
também tem que se lhe diga, os Bispos...
E - Diz o que tens
a dizer, da parte da Santíssima Virgem!
J - Eu também
fui Bispo. Se eu pudesse voltar atrás, cumpriria melhor os
meus deveres, mil vezes melhor. Os Bispos...
E - Da parte da
Santíssima Virgem, continua!
J - Muitos Bispos, mais valia
que nunca tivessem sido! Bem melhor seria que fossem os mais ínfimos
dos leigos, em vez de ter a palavra e a cruz porque para eles tudo
isso não passa de camuflagem e...
E - Diz a verdade, em
nome (...), diz o que tens a dizer da sua parte!
J - ... põe
a máscara do bem, mas por baixo só há vermes e
podridão. Até para nós, é...
E - Diz a
verdade, sob as ordens da Santíssima Virgem, tudo o que Ela
quer transmitir por teu intermédio, Judas Iscariotes, em nome
(...)!
J - Mas é que eu não quero continuar a falar,
não quero!
E - Tens que falar da parte da Santíssima
Virgem. Lúcifer não pode impedir-te de dizer toda a
verdade!
J - Já falei bastante... (resmunga)
E - Fala!
Fala da parte da Santíssima Virgem! Tens de dizer tudo o que
Ela nos quer transmitir por teu intermédio!
O CASO DE ECÔNE
J - Já falei bastante, já
falei bastante! O que eu disse foi o principal. As pessoas deviam
agrupar-se e, apesar de todas as perseguições, Ecône
há de triunfar. Esse maldito Ecône triunfará!
(rosna).
E - Em nome de Jesus, deixa isso! Diz a verdade! Diz o
que a Santíssima Virgem quer que digas!
J - Apesar de tudo,
triunfará! Que é que pensais? De onde é que vêm
tantos adeptos? Quiçá, algures do inferno? Esses
adeptos vêem nitidamente onde está o bem e como se deve
caminhar. Sentem claramente que a imitação de Cristo e
o verdadeiro sacerdócio residem unicamente na renúncia,
no sacrifício e no caminho da Cruz. Eles bem o sabem, e por
isso é que têm tantos candidatos ao sacerdócio.
Têm muito mais que os outros, que ainda gostariam de se
vangloriar do que têm... mas que em breve perderão a
bazófia...
E - Continua! Diz o que tens a dizer da parte da
Santíssima Virgem!
J - Os modernistas bem vêem que o
seu jogo está no fim e que Ecône é superior. É
por isso mesmo que o combatem (geme).
E - Deixa a estola em paz!
Tu não podes fazer-nos mal! Continua, em nome de Jesus!
J -
No fundo, somos nós que estamos naqueles que combatem Ecône.
Eles próprios nos ajudam como bons instrumentos. São
boas ferramentas, boas e úteis, que não gostaríamos
de atirar já fora. As suas teorias são-nos úteis
no inferno.
E - Continua a dizer a verdade, sob as ordens da
Santíssima Virgem, e não aquilo que é do vosso
agrado!
J - Nós também temos que dizer estas coisas.
Tínhamos que referir isto para que se ficasse com uma visão
de conjunto. É preciso assinalar bem o encadeamento das
coisas, para que todos possam compreender... Mas agora não
quero, não quero falar mais!
E - Lúcifer não
pode incomodar-te. Continua a dizer o que a Santíssima Virgem
te encarrega de dizer, em nome (...)!
O CELIBATO ECLESIÁSTICO
J - E quanto a confissão... e ao
celibato, também há que se lhe diga! Quando um
Sacerdote vive em celibato, tanto as mulheres como os homens têm
mais confiança nele, sobretudo relativamente à
confissão. Se fosse casado podia acontecer que uma dessas
bruxas (ri trocista) perguntasse ao marido o que disse a fulana de
tal na confissão. Podia sentir-se terrivelmente curiosa em
saber o que disse este ou aquele, sobretudo se tivesse interesse para
o seu modo de pensar. Mas se o Sacerdote vive e persevera no
celibato, se imita a vida virginal de Cristo, então até
o mais “burro” compreenderá e qualquer um pode
pensar: “Aqui, posso ir. Aqui posso dizer tudo. Nada passará
daqui, tudo ficará entre nós. Se eles conseguem guardar
o celibato, também são capazes de se calar.”
Mas
já não pensam assim em relação aos que
são casados. Pelo contrário, a sua opinião é
bem diferente: “Este casou-se, não pode guardar o
celibato, como poderia... (ri com malvadez)... como poderia calar o
bico se já nem é senhor do seu corpo?”
E - Diz
a verdade e só a verdade da parte da Santíssima
Virgem!
J - Cristo quer o celibato. Não se pode tirar um só
I ou til. Os que se casaram devem voltar atrás, arrepender-se
do seu erro... Seria melhor que esses arrepiassem caminho,
reconhecessem os seus erros, que..., mas justamente...
E -
Continua, diz o que a Santíssima Virgem te encarrega de dizer.
Lúcifer não pode perturbar-te. Continua a falar! Diz o
que tens a dizer-nos, sob as ordens da Santíssima Virgem, e só
a verdade!
DISPONIBILIDADE PARA CONFESSAR
J - Mesmo que as pessoas queiram
confessar-se, têm muita poucas ocasiões para o fazer. O
tempo destinado à confissão é, no máximo,
uma hora. E só vêm alguns velhos (ri irônico).
E
- Continua, diz a verdade, diz o que tens a dizer, da parte da
Santíssima Virgem!
J - Assim o confessor sente-se
desanimado e interroga-se: “Tão poucos e só
velhos? Em breve mais valerá desistir de confessar: será
que também nós teremos de enveredar pelas cerimônias
penitenciais?”
E então, quando os velhos terminam de
rezar, o Padre sai do confessionário e alguns dos que ainda
aguardavam pensam que já não poderão ser
atendidos se não se precipitarem para o confessionário.
Assim não podem... (dá gargalhadas).
E - Acaba com
o riso e diz a verdade da parte da Santíssima Virgem!
J -
...não podem, com medo de que o confessor lhes escape, não
podem preparar-se devidamente, como aliás o teriam feito se as
condições tivessem sido outras (ri a bandeiras
despregadas).
E - Da parte da Santíssima Virgem diz a
verdade!
J - Não quero continuar a falar, não
quero!
E - Tens que continuar, tens que falar, tens que dizer o
que a Santíssima Virgem quer! Tens que transmitir tudo o que
Ela quer e nada mais!
J - Se os Padres confessassem horas
seguidas, se na Sexta-Feira Santa falassem da morte de Cristo,
poderiam nessa altura aproveitar para falar da morte do homem.
Poderiam lembrar que todos têm de morrer e que devem preparar a
sua alma. Deste modo, milhares de almas poderiam ser arrancadas ao
inferno (geme como um miserável).
E - Larga-me, tu não
podes arrancar-me a estola, em nome (...)!
J - Nós não
queríamos fazê-lo, mas somos obrigados por belzebú
e lúcifer, que querem que vos perturbemos.
E - Belzebú
e lúcifer tem que desaparecer! Judas Iscariotes, tu, somente
tu, fala da parte da Santíssima Virgem, em nome (...)!
J -
Nós semeamos a confusão por toda a parte. Desde que
belzebú aqui se encontra temos um grande poder. Ele
movimenta-se em todas as direções e espalha a confusão
por onde pode.
5
EXORCISMO EM
12 DE JANEIRO DE 1976
(Contra
Veroba, demônio do coro das Potestades)
E - Comandamos-te, Veroba, em nome
(...) que digas a verdade, tudo o que quer a Santíssima
Virgem.
V - Mesmo os bons combatem os bons! Antigamente não
era assim! Antigamente, os bons estavam unidos! Começou a
loucura que vai alcançar o máximo! Mas tudo se tornará
pior.
E - Continua, em nome (...)!
V - Atualmente, os homens já
não se debruçam sobre a Sagrada Escritura. Aliás,
por toda a parte a apresentam de modo diferente, ou seja, deformada,
organizada de outra forma, traficada para agradar a cada um. Só
se deveria defender a Sagrada Escritura não falsificada, a
antiga, a boa. O resto provém de combinações e
pode-se dizer que está envenenando.
E - Continua a dizer a
verdade (...)!
V - A Grande Senhora, quer salvar todos os que
puder. O mundo está tão pervertido, que Ela já
não pode salvar as almas em massa. No entanto, Ela quer ainda
fazer tudo o que puder. Ela ama os seus filhos, ama-os mais do que
merecem muitos deles.
E - Continua a dizer a verdade, em nome
(...)!
V - Se nós ainda pudéssemos ser amados com um
décimo desse amor (geme horrivelmente)! Ela ama os seus
filhos, como só uma Mãe os pode amar.
Esta é
a razão porque é preciso que muitos homens bons,
leigos, tomem consciência de que é necessário
rezar e também sofrer pela salvação das almas,
que de outro modo se perderiam ou se afundariam ainda mais nos
caminhos da perdição. A confusão é de
fato terrível, mas ainda virá a ser pior. No entanto,
deveis fazer o que Ela quer!
E - Que é que a Santíssima
Virgem quer? Fala, em nome (...)!
V - Quer que persevereis neste
caminho e não vos desvieis dele um milímetro sequer,
mesmo que o diabo ataque com todo o seu poder.
E - Diz a verdade,
diz o que tens a dizer da parte da Santíssima Virgem e em nome
da Santíssima Virgem!
V - Consolai-vos com o Papa: ele
sofre ainda mais que vós. Há muito que ele deseja que
tudo chegue ao fim. No entanto, terá de continuar a rezar e a
fazer sacrifícios. Vós deveis dar-lhe o vosso apoio.
Os
leigos têm também de colaborar. Neste momento é
absolutamente necessário um maior discernimento para examinar
todas as idéias, mesmo as melhores, pois cada um julga-se na
posse da melhor idéia, mesmo quando falsa.
E - Continua a
dizer a verdade Veroba, diz o que a Santíssima Virgem te
encarregou de dizer! Tu não tens o direito de mentir!
V -
Se Ela não estivesse no Céu e se pudesse desencorajar,
há muito que teria cruzado os braços. Mas Ela é
paciente, infinitamente mais paciente do que todos os homens
juntos... Oh, se Ela ainda pudesse exercer esta paciência
conosco! (geme horrivelmente). Nós, os do inferno, já
deixámos de ter esperança. A única coisa que nos
resta agora é fazer revelações para vós.
Ah! Como é horrível termos de revelar agora, o que não
desejaríamos.
E - Continua a dizer o que tens a dizer, em
nome da Mãe de Deus!
V - Em breve, Jesus Cristo já
não estará presente em todas as Missas. Mesmo agora,
Ele já não está presente em todas. Há
muitos Sacerdotes que já não acreditam na presença
sacramental de Cristo, pela Consagração. É
lamentável! A Missa deixa de ser fonte de graças e
quando ainda o é, é-o de muito poucas! Se todos aqueles
que se dizem Padres celebrassem convenientemente a Missa - a Missa de
Pio V - o mundo mudaria dum modo extraordinário.
Infelizmente,
não é esse o caso. Por isso, continuamos a insistir
junto dos Cardeais, dos Bispos, dos Sacerdotes e, por fim, dos
leigos. Um Cardeal, um Bispo ou um Padre, continua a ser muitíssimo
mais importante que um leigo, pelo menos para nós.
E -
Veroba, continua! Diz o que tens a dizer da parte da Santíssima
Virgem, em nome (...)!
V - Se Ela, a Poderosa, ainda pudesse
chorar, - Ela pode-o nas suas Aparições se Ela ainda
pudesse chorar no Céu, a terra inteira ficaria inundada com as
suas lágrimas. Ela ainda tem piedade destes miseráveis
vermes da terra.
Ela tem compaixão deles e volta a
chamá-los, tenta retê-los, mas os homens já não
A querem ouvir. Como cegos, deixam-se enredar nos fios dessas
marionetes, que apenas são os nossos cartazes publicitários.
Mas as pessoas não se convencem disso. E essa é a nossa
grande vantagem!
E - Continua a dizer a verdade Veroba, em nome
(...)!
V - Mesmo Judas, com a sua traição odiosa,
não foi tão mau como muitos Sacerdotes dos tempos de
hoje. Judas não agiu ocultamente. Ele sentia que Jesus estava
ao corrente do seu pecado. Então arrependeu-se, atirou os 30
dinheiros para o Templo e disse: “Entreguei sangue
inocente.”
Haverá um Sacerdote da nossa época
que procede assim? Os Sacerdotes de hoje são muito piores.
Nenhum se arrepende do mal que comete. É como uma doença
contagiosa. Estão infectados até à medula, mas
ajudam-se uns aos outros para que tudo permaneça camuflado.
Mas durante quanto tempo ainda?
No dia em que a verdade vier ao de
cima, a vantagem será então da Igreja e não
nossa. O papel representado pela Igreja até aos nossos dias,
não pode ser atirado fora ou posto de lado como um par de
sapatos velhos e usados, ou um gibão cossado que tem de ser
remendado!
E - Continua a dizer a verdade, em nome da Santíssima
Trindade!
V - É triste para a Poderosa e para o Céu
ver que tantas almas boas, que Ela ama, que andavam de mão
dada com o Céu, estejam agora paralisadas.
Muitos já
não sabem o que devem fazer no meio de tanta confusão.
Surge assim o perigo de, insensivelmente, enveredarem pelo caminho do
erro. É por isso que eu, Véroba, tenho que dizer o
seguinte: “Deveis rezar muito ao Espírito Santo. Nunca
se reza em demasia ao Espírito Santo.”
E - Continua a dizer a verdade Véroba!
Diz tudo o que tens a dizer da parte da Santíssima Virgem!
V
- Não o queria dizer! Já não quero dizer mais
nada!
E - Tens que revelar tudo, da parte da Santíssima
Virgem e em nome da Santíssima Trindade!
V - Ela manda
dizer: “Não desespereis, mesmo que os justos errem por
vossa culpa.” Jesus sempre disse: “Virão tempos em
que aqueles que vos matarem pensarão estar a render culto a
Deus.” Esses tempos chegaram. Não sereis mortos agora,
muitos já o foram, mas vós não. É preciso
que suporteis algumas perseguições. Mas ainda virão
tempos piores.
Esta situação talvez já não
dure mais dez anos. Nós próprios não o sabemos
ao certo. Só sabemos que já não falta muito.
O
próprio Cristo disse: “Vós não sabeis nem
o dia, nem a hora, em que virá o Filho do Homem.” Estas
palavras valem não só para o fim do mundo, como ainda
para os Castigos! Referem-se ainda aos castigos e também à
morte de cada homem em particular.
O Aviso está incluído
no castigo. Não será nada ligeiro. Com o Aviso começará
o Castigo - será, por assim dizer, a primeira parte do
Castigo.
E - Diz a verdade, Veroba, diz o que tens a dizer, mas só
a verdade!
V - Esta situação já não
durará mais dez anos. Segundo as nossas contas é bem
possível que o Aviso..., mas como disse atrás, nós,
no inferno, não o sabemos ao certo* (rosna horrivelmente). As
muitas orações dos fiéis têm evitado o
Castigo. De fato, é paradoxal continuar a rezar, pois com o
retardamento do Aviso e do Castigo, a confusão aumentará.
Apesar disso, tereis de rezar muito. A Virgem assim o quer, porque
assim há muitas almas que ainda se poderão salvar
(grita horrivelmente) .
* Efetivamente só Deus conhece o futuro. Os demônios e almas condenadas só podem fazer previsões, mais ou menos fundamentadas, sobre os acontecimentos futuros.
6
EXORCISMO DE
5 DE FEVEREIRO DE 1976
(Contra
Allida, demônio do coro dos Arcanjos)
A VIRTUDE E O VÍCIO
E - Diz a verdade, Allida, em nome da
Santíssima Trindade!
AL - Nós estamos agradecidos
aos lá de cima, por o dia do Castigo ainda não ter
chegado. É que assim temos ainda mais tempo para atacar as
almas. Eles lá em cima (aponta para o alto) têm tudo na
mão. Nós, no inferno, receamos que o grande Aviso
apareça em breve.
E - Diz a verdade em nome (...)!
AL -
Já desistimos de pensar nisso...
E - Diz a verdade em nome
da Santíssima Virgem e em nome (...)!
AL - Porque todos os
sinais que apareceram agora no mundo inteiro, no Clero, na natureza,
falam nesse sentido, nós tememos que... Que é que
pensam? Nós conhecemos também o que está escrito
no Apocalipse.
E se fizermos comparações, qualquer
burro terá que admitir que chegamos a esse tempo, só
com alguns pequenos sobressaltos, porque Aqueles lá em cima
ainda têm piedade.
E - Diz a verdade, Allida, fala em nome
(...)!
AL - Temos que dizer, porque Eles lá em cima o
querem: “Não percais a cabeça, sede firmes como o
granito e duros como o ferro e o diamante, praticai o bem passo a
passo, segui a tradição. O novo já se vê
aonde leva.
Muitas crianças, por exemplo, estão tão
avançadas que já sabem tudo sobre sexo, mesmo antes de
largarem as fraldas... Metem-lhe essas coisas na cabeça de tal
maneira que com cinco ou seis anos já têm o crânio
cheio dessas coisas. Há mesmo instituições como
jardins-infantis, escolas, etc. que não sabem fazer nada
melhor ou mais inteligente, que meter o sexo à força na
cabeça das crianças. E que se passa com os jovens na
puberdade?
Os pais não sabem o que fazer. Mal ousam falar
com o Sacerdote e junto dele manifestarem-se contra esta educação.
Dizem para consigo: “Ele é Padre, sabe o que faz”
(rosna). A juventude já está pervertida mesmo antes de
se agüentar nas duas pernas. Assim, a última e a
ante-penúltima gerações, jamais darão
verdadeiros soldados de Cristo, a não ser que se faça
uma mudança completa da situação.
Os jovens
estariam melhor em campos de concentração do que em
certos centros educacionais, que mais não fazem do que lhes
inocular o sexo como um veneno. E tudo isso é feito com um
sabor a cristianismo moderno, que aparece como complemento.
Em
Sodoma e Gomorra tudo era mais visível. Nesses tempos, a
perversão não era assim inoculada gota a gota (rosna).
De fato, em Sodoma e Gomorra a situação era grave, mas
eles sabiam que pecavam. Sentiam-no.
As crianças de hoje,
muitas vezes, já nem sabem que pecam.
Só demasiado
tarde é que se dão conta de que foram precipitados para
o pecado. Os grandes responsáveis por essa situação,
os Padres, professores e educadores, não sabem senão
dum modo confuso que têm culpa na sua maneira de agir. Escutam
às vezes a voz da consciência, outras vezes pensam que é
o Espírito Santo.
E - Em nome da Santíssima
Trindade, da Imaculada Conceição, de Nossa Senhora do
Monte Carmelo, do Santo Cura d'Ars e de Catarina Emmerich, continua,
diz o que tens a dizer!
AS ORIGENS DO PROTESTANTISMO
AL - Jamais reinou uma confusão
tão grande como agora! No tempo da Reforma deu-se uma crise
muito grande, mas o que se passou então foi sobretudo uma
cisão no seio da Igreja. Os bons continuaram do bom lado e os
outros passaram simplesmente para o Protestantismo. Mas os luteranos
desse tempo eram ainda melhores do que os maus católicos de
agora. Foi, então, para a Igreja uma grande crise, mas agora a
situação é mais funesta. Então, as
pessoas, mesmo os protestantes, tinham consciência de terem
agido mal.
Quando se dividiram em três grupos, Lutero,
Calvino, Zuínglio compreenderam bem depressa que aquilo não
poderia ser a verdadeira Igreja, pois estes três homens viviam
em conflito entre si. Tinham consciência de que o catolicismo
estava em crise, no entanto verificavam que pelo menos os bons tinham
por eles a unidade. De boa vontade arrepiariam caminho, pelo menos
Lutero, mas já era demasiado tarde.
Nós (aponta para
baixo) já o tínhamos bem preso.
E - Em nome (...)
diz o que tens a dizer, Allida!
AL - Fomos nós que
inspirámos Lutero e foi o velho (lúcifer) que se
encarregou de Zuínglio.* Era preciso que fosse o velho a
fazê-lo, até ele alcançar o vigor de uma planta
rija, que cresce como erva daninha (rosna malicioso). Nem sequer
precisa de muita chuva. Como se sabe, o mal desenvolve-se muito mais
depressa do que o bem. Pulula de todas as maneiras e só
dificilmente se pode conter.
O bem é sempre mais duro e
mais difícil. O bem não cresce com tanta facilidade e
mesmo quando cresce, e o interessado pensa que já subiu bem
alto, pode de repente precipitar-se lá do alto da montanha e
ser obrigado a recomeçar do zero. O mal, ao contrário,
cresce e pulula como a erva daninha, sem sofrer qualquer dano. Sobe e
cresce e ninguém o pode deter. A perversão assemelha-se
a uma montanha sinistra., que tudo obscurece, tudo corrompe, tudo
sufoca e infecta. Quando o mal se instala, assemelha-se a uma
epidemia, que contamina multidões inteiras.
Pelo
contrário, a virtude tem grande dificuldade em crescer. Não
é tão fácil, tão atraente, tão
espalhada. Mas nós não queremos falar disto! É
horrível ser obrigado a dizer estas coisas (rosna furioso)!
* Contemporâneo de Lutero, assumiu posições mais radicais e “ultrapassou” Lutero na maior parte das teses heréticas.
7
EXORCISMO DE
30 DE MARÇO DE 1976
Contra
Judas Iscariotes (J) e
Belzebú,
demônio do coro dos Arcanjos (B)
A VIRGEM SANTÍSSIMA COMANDA
E - Em nome de Jesus, diz-nos, quem tem
de falar?
J - Judas tem de falar.
E - Judas Iscariotes, nós
Sacerdotes representantes de Jesus Cristo, coman-damos-te em nome da
Santíssima Trindade (...) diz-nos quando é que te vais
embora. Judas Iscariotes, fala!
J - Por agora, isso é uma
questão supérflua. Primeiramente é preciso pôr
os vossos assuntos em ordem (rosna).
J - O assunto que se refere à
publicação deste livro (rosna de novo). E isso ainda
não é tudo.
E - Que significa “não é
tudo?” Diz a verdade, tens de falar. Diz a verdade, em nome
(...)!
J - Nós não queremos falar. Já não
queremos dizer mais nada.
E - Em nome do Santíssimo
Sacramento do Altar, que tu traíste, depois da Última
Ceia, tens de falar agora!
J - Se eu tivesse sabido, nunca O teria
traído!
E - Nessa santa tarde traíste Jesus e agora,
em seu Nome, e em nome de todos os Santos Apóstolos e Papas,
que não atraiçoaram Cristo tens de falar. Diz agora a
verdade e só a verdade. Tens de falar, Judas Iscariotes!
J
- O que está impresso, está em ordem, mas isso não
é ainda tudo.
E - Então que é que falta? Diz
a verdade em nome (...)!
J - É precisamente isso que nós
queremos dizer: Ide para casa, ide-vos embora.
E - Não,
agora não vamos para casa! Agora tem de falar Judas Iscariotes
e Belzebú. Nós vos ordenamos que digais só a
verdade! Em nome (...) tendes de dizer o que a Santíssima
Virgem nos quer transmitir por vosso intermédio. Sob as suas
ordens tens de falar! Que é que é preciso ainda
dizer?
J - Como nós (aponta para cima) A odiamos!
E -
Sim, mas em nome de Nossa Senhora do Monte Carmelo, tendes de dizer a
verdade!
J - (geme) Não nos podeis exigir isso!
E -
Podemos sim! Ela é vossa Rainha e Soberana. Todo o inferno lhe
deve obedecer!
J - De acordo, Ela, (aponta para cima), de acordo,
Ela deve... (geme como um miserável), Ela lá está
com coroa e cetro e sobre a coroa tem essa cruz (os seus gritos
comovem). Oh! Como A tememos!
E - Em nome da Santíssima
Virgem, diz-nos tudo o que nos tens a transmitir, mas só a
verdade!
J - Nós não queremos que uma mulher mande
em nós, não queremos.
E - Em nome da Santíssima
Trindade, do Pai (...) diz toda a verdade!
J - Tenho de repetir
coisas que já foram ditas e tenho de acrescentar coisas
novas.
E - Judas Iscariotes, diz tudo o que a Santíssima
Virgem te encarregou de dizer, em nome da Santíssima Trindade
(...)!
J - Sem entrar em pormenores, Veroba disse que as vossas
orações eram um paradoxo, pois sem elas o Aviso já
teria surgido. No entanto, o verdadeiro motivo deste retardamento é
outro: é para que mais alguns homens ainda se salvem.
E -
Continua a falar, diz o que tens a dizer da parte da Santíssima
Virgem, mas só a verdade. É Ela quem agora te ordena,
Judas!
J - A Santíssima Virgem quer que este maldito livro
seja largamente difundido. E isso era só o que nos faltava;
que todo o mundo soubesse o que nós tramamos. As pessoas,
poderiam talvez mudar de vida, começariam certamente a mudar
de vida, começariam certamente a duvidar de tudo o que nós
propagamos através de Roma, e voltar-se-iam para a antiga
tradição. Só nos faltava mais esta, só
nos faltava mais esta.
E - Continua a falar, em nome da Santíssima
Virgem. Diz só o que ela quer que transmitas! Fala agora! É
tudo?
J - É claro que Ela (aponta para cima) quer que
digamos outras coisas.
E - Tens que dizer a verdade, em nome
(...)! Tens de falar para a Igreja!
J - Já fiz demais pela
Igreja, por esse maldito “caixote de lixo.”
E - Fala
agora para a Igreja, a Santa Igreja, que jamais perecerá, em
nome (...)!
J - Bem! Não tenho outro remédio senão
falar.
E - Sim, as portas do inferno não prevalecerão
contra ela. Vós não tendes poder para destruir a
Igreja.
J - Sobre a Igreja falaremos mais tarde. Primeiro quero
continuar com o tema que estava a tratar. Da Igreja falaremos mais
tarde!
E - Então fala, Judas Iscariotes, diz o que a
Santíssima Virgem quer, em nome (...)!
J - Ela quer que eu
ainda acrescente mais qualquer coisa ao assunto do sexo e aos
problemas da juventude. Ela quer que todos saibam que é
preciso falar do altar, sobre esses assuntos, que é preciso
pregar sobre as virtudes (respira com dificuldade); que é
preciso que todos saibam, como a culpa pesa... ouvis?... como pesa e
aonde conduz.
E - Que culpa, fala em nome (...)!
OS PECADOS DOS HOMENS
J - A culpa dos pecados em geral e de
cada pecado em particular. Poder-se-á falar de cada um destes
pecados separadamente, em sermões diferentes, ou agrupá-los
num mesmo sermão, como for mais útil a cada um, mas
antes deve invocar-se sempre o Espírito Santo.
E - Judas
Iscariotes, fala em nome da Santíssima Trindade (...), Judas,
fala!
J - É preciso que a juventude, que os crentes, tomem
consciência da gravidade do pecado, como ele é
imensamente grave e funesto, de onde vem e aonde conduz, como vem,
como poderia evitar-se, o que é preciso fazer para o atenuar,
para o eliminar completamente. (geme).
E - Judas Iscariotes,
continua a dizer a verdade da parte da Santíssima Virgem, da
Rosa Mística!
J - Em primeiro lugar é preciso dizer
que a oração é um dos pilares mais sólidos,
em que assenta a vida cristã. É preciso proclamá-lo
dos púlpitos e não ao microfone. Mil microfones não
substituem o púlpito. Quando um Padre fala do púlpito,
os fiéis ficam diretamente suspensos da Palavra de Deus. Não
olham para a frente, para trás, para os lados, numa palavra,
evitam qualquer possibilidade de distração e podem
concentrar-se muito melhor.
E - Mas tudo isso já foi dito
aqui segundo a vontade da Santíssima Virgem!
J - Sim, já
foi dito, mas é preciso que eu volte a repeti-lo, é
preciso que seja referido mais uma vez.
E - Quando é que tu
falaste disto, Judas Iscariotes? Ainda te lembras? Fala em nome
(...)!
J - Sim, em 31 de Outubro.
E - Continua, continua em
nome (...)!
J -A culpa é muito maior do que qualquer um de
vós o poderá imaginar. Nós, os demônios,
somos horríveis. Temos medo uns dos outros.
Temos um
aspecto horrível. É-nos insuportável estar
próximo uns dos outros. Se ao menos não tivéssemos
que nos encarar! Mas temos, a isso somos obrigados! Temos que viver
neste charco diabólico por toda a eternidade, e temos que nos
encarar.
Quando somos obrigados a olhar o pecado ou a culpa nos
homens, apodera-se de nós um grande terror. Podereis assim
imaginar a gravidade da culpa, que consegue aterrorizar nos, a nós
demônios, habituados a tantas coisas, que permanecemos dia e
noite neste horrível tormento, que somos obrigados a
contemplar hora a hora, minuto a minuto, este espetáculo,
terrível entre os terríveis. O pecado aterroriza-nos.
Assim, podereis imaginar a gravidade da culpa, sobretudo diante
d'Aquele que está lá em cima (aponta para cima) e cuja
majestade ultrapassa. Tinha de dizer isto (geme dum modo lastimoso)!
A MAJESTADE DE DEUS
E - Continua a dizer a verdade, Judas
Iscariotes e só a verdade...)!
B - Se conhecêsseis a
Sua Majestade (aponta para o alto)!
Não é Judas que
o diz, é Belzebú. Sou eu, Belzebú, quem a partir
deste momento vai falar.
E - Bom, tu conheceste melhor do que
Judas a majestade de Deus. Fala, em nome (...)!
B - É que
Judas não contemplou a majestade de Deus. Isto é, ele
viu a humanidade de Deus e a partir dela conseguiu deduzir algo da
sua majestade. Mas Judas não viu Deus na sua grande majestade,
como eu o vi (suspira). Sabeis como é?
Eu vi-o, isto é,
não como vocês o hão de ver um dia. Mas pude
compreender a sua grandeza e uma grande parte foi-me dada a sentir e
a conhecer. Nós não possuíamos ainda a beatitude
total perfeita, mas já tínhamos atingido um grau
elevado. Mas tínhamos inveja d'Ela (aponta para o alto), nós
não queríamos dar-Lhe o prazer de nos governar ou
dominar. Daí deriva o que irá seguir-se.
E -
Continua a dizer a verdade Belzebu, em nome da Santíssima
Virgem, que te ordena que fales, mas diz só a verdade!
B -
De fato, Ela é-nos superior, é-nos terrivelmente
superior.
MARIA, MÃE DA IGREJA
E - Fala Belzebú em nome do Pai
(...) e sob as ordens da Imaculada Conceição!
B -
Foi precisamente a mim que Ela escolheu para dizer isto. Se Ela
tivesse escolhido Allida, mas Ela quer que seja eu. Agora, escutai
bem! Tenho de falar, Ela obriga-me.
E - Tanto melhor. Fala em nome
(...)!
B - Ela lá está, com a coroa e o cetro. Ela
lá está, quase que me esmaga. Foi assim: a princípio,
com os Apóstolos, quando Ela, a Mãe (aponta para cima),
vivia ainda, foi Ela por assim dizer, a orientadora da Igreja, que
começava a dar os seus primeiros passos.
Ela tinha que
rezar para que a Igreja se desenvolvesse convenientemente, para que
se desenvolvesse como (rosna)...
E - Em nome do Pai, do Filho
(...) diz a verdade!
B - ...como devia desenvolver-se, segundo a
vontade do Espírito Santo. Ela ficava dia e noite de joelhos,
rezava para que a Igreja crescesse e se libertasse do Antigo, isto é,
da lei mosaica e que a circuncisão desaparecesse. Ela
compreendia que a circuncisão fôra conveniente numa
determinada época e que, segundo a lei dessa época,
tinha sido necessária. Mas depois da vinda de Cristo e da Sua
obra, já não o era. Jesus Cristo ainda se submetera à
circuncisão, mas Ele não queria que ela continuasse. A
partir desse momento existia o Santo Sacrifício da Missa
(rosna).
E - Belzebú, continua, sob as ordens da Santíssima
Trindade, do Pai (...) da Imaculada Conceição, sob
cujas ordens, hoje, tens de falar!
B - A Santíssima Virgem
estava presente, quando os Apóstolos celebraram a primeira
Missa.
Depois da Ascensão de Cristo, a Santíssima
Virgem participava sempre da Santa Missa celebrada pelos Apóstolos
e recebia a Sagrada Comunhão. Preparavam-se durante horas para
a Santa Missa. Quem é que procede assim, nos tempos de hoje?
Poucos ou nenhuns. Muitas vezes os Apóstolos preparavam-se
dias inteiros só para a celebração de uma Missa.
Certa ocasião, a Santíssima Virgem retirou-se durante
dez dias para rezar dia e noite. Então foi levada ao Céu
e pôde contemplar a majestade infinita de Deus. Deus, a
Santíssima Trindade, ordenou-nos a nós, lá em
baixo, que subíssemos do inferno (aponta primeiro para baixo e
depois para cima). Ainda não era a esfera celestial perfeita,
mas já era uma esfera superior. Fomos obrigados a subir e a
contemplar essa criatura, quer o desejássemos, quer não.
A Santíssima Trindade obrigou-nos a contemplá-La, na
sua majestade, quase perfeita. A sua majestade e esplendor eram
maiores do que quando a tínhamos visto anteriormente. A
Santíssima Virgem vencera, tinha-nos vencido. Vimo-La
revestida de Sol. Seja como for, vimo-La em grande majestade, com a
lua a Seus pés, isto é, o mundo. O mundo inteiro é
significado pela lua, que Ela tem aos pés, e como adversário
a serpente, que nos representa a nós.
Como nós
suplicámos a Deus! Como nós implorámos a
Majestade Divina, que afastasse aquela visão! Até Lhe
suplicámos que nos precipitasse imediatamente ao inferno, a
fim de que nos pudéssemos afundar nas esferas infernais, de
tal modo nos era difícil suportar o seu olhar! Mas Ele não
nos deixou partir. Tivemos ainda de suportar uns momentos aquele
olhar terrível (solta gemidos cheios de desespero).
E -
Fala em nome da Santíssima Trindade, do Pai (...)!
B - Não
podeis imaginar o tempo que passámos em deliberações
para descobrir a melhor forma de enfraquecer ou molestar, nem que
fosse só um pouco, aquela criatura! (aponta para cima). Mas
nada conseguimos. Ela vencia-nos em toda a parte. Era soberana em
toda a parte. Durante anos, durante séculos, deliberámos,
para vencer o que podíamos, o que poderíamos fazer,
quando Ela lá estivesse. E quando isso aconteceu, nós
nem sequer A reconhecemos imediatamente...
E - Não A
reconheceram imediatamente?
B - ...Imediatamente, não.
Sentimos que devia ser Ela. Sentimos que devia tratar-se duma
criatura extraordinária, incrivelmente virtuosa, sobre quem
não tínhamos qualquer poder. O porque, não o
compreendemos logo (rosna e geme violentamente)... nem compreendemos
quem se escondia lá atrás. Eu, Belzebú e
Lúcifer, convocámos todo o Conselho.* Quando tivemos a
certeza absoluta de que era Ela, deliberámos longamente, dia e
noite, a ver o que poderíamos fazer para A prejudicar. Até
convocámos os melhores mágicos.
Ordenámos-lhes
que A (aponta para cima) molestassem, no seu corpo e na sua alma,
para que a sua força enfraquecesse, a sua oração
não nos fosse tão desastrosa, e para que deixasse de
exercer um poder tão grande. Nós já víamos
que seria Ela quem teria, mais tarde, a Igreja nas mãos. O
próprio Pedro caía a seus pés, quando era
preciso (resmunga). Ela tem um poder imenso, porque Ela é a
criatura mais perfeita e a mais amada por Deus. Foi um ser duma
perfeição incrível. Depois de Deus, está
milhares e milhares de vezes acima das criaturas. Mesmo o seu esposo,
S. José, que estava milhares e milhares de vezes acima dos
outros homens, era-lhe ainda imensamente inferior. Então
prosseguimos nas nossas deliberações, e os feiticeiros
concordaram fazer tudo, para a molestar. Tudo tentaram, mas Ela
perseverava na oração e continuava imperturbável.
Apercebia-se certamente do que fazíamos, mas nada conseguimos.
Não conseguimos molestar esta terrível criatura, pois
Ela não estava submetida no pecado original como o resto da
humanidade.
Nem mágicos, nem feiticeiros, nem ninguém
lhe poderia fazer mal. Nós, demônios e os feiticeiros,
só podemos molestar as criaturas humanas, e dum modo especial,
os possessos. Mas sobre Ela, os mágicos infernais não
tinham qualquer influência. Acometeu-nos então uma fúria
infernal, um furor louco de que só o inferno é capaz,
quando verificámos que todos eles nada podiam contra esta
criatura incompreensível, predestinada por Deus. Então
precipitámo-nos sobre mágicos e feiticeiros e neles
descarregámos todo o nosso furor. Receberam o dobro do mal que
Lhe (aponta para cima) deviam ter feito (geme).
E - Continua
Belzebú, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,
em nome da Imaculada Conceição, sob cujas ordens tens
de falar agora. Diz a verdade!
B - É para mim um tormento
horrível que tenha de ser eu a falar destas coisas.
Precisamente eu!
E - Continua a dizer a verdade e só a
verdade! Tu não tens o direito de mentir!
B - Deixa-me em
paz. A mulher (refere-se à possessa) tem quase um ataque
cardíaco; deixa-me em paz!
E - É a Santíssima
Virgem que te ordena...
B - Nós não queremos falar
mais, não!
E - Tens de falar! Fala!
B - Não,
deixa-me em paz! (rosna). E - Tens que falar agora, em nome da
Santíssima Trindade (...)!
B - Não se pode descrever
a fúria do inferno quando se viu que todas as nossas
tentativas tinham sido vãs. Como nada tínhamos
conseguido, voltámos a refletir na maneira de A molestar, mas
Ela destruiu os nossos intentos perversos e tudo o mais. Ela é
mais poderosa do que nós. É que Ela era uma criatura
escolhida por Deus, escolhida dum modo especial. Enquanto a Terra
subsistir até ao fim do mundo, nunca se encontrará
ninguém que se assemelhe, e desde o começo do mundo até
a eternidade jamais haverá alguém que se lhe possa
igualar. E Ele, lá em cima (indica os Céus), não
podia ter imaginado nada mais atroz, não podia lembrar-se de
nada mais vergonhoso, do que obrigar-nos a subir a essa Esfera para
nos apresentar esta criatura. Isso foi para nós uma terrível
derrota (fala em tom lamuriento).
Teríamos preferido ficar
no fundo do inferno, no meio do fogo mais cruel, a ser obrigados a
contemplar essa... Nós não podemos dizer o que
queremos, mas se isso fosse possível, gostaria de usar
expressões bem mais injuriosas. Ela não o permite.
E
- Diz a verdade! Tens de falar em nome da Santíssima Virgem,
em nome da Santíssima Trindade!
B - Sermos forçados
a contemplar esta criatura, revestida da maior Santidade com coroa e
cetro, eleita pelo Altíssimo (lança gritos medonhos),
foi ultraje para nós. Tenho ainda essa visão diante dos
olhos. E essa visão de então, enlouquece-nos ainda
(grita).
É como se tudo tivesse sucedido hoje, e o mesmo
se passa com os outros. Ainda agora isso nos faz saltar de raiva.
Quando pudemos, foi mais uma autorização que uma ordem,
voltar ao inferno, lançámo-nos em fúria uns
contra os outros. Podeis imaginar como nos maltratámos... pois
era-nos insuportável ter de nos ver uns aos outros. É
horrível sentirmo-nos dominados por uma criatura assim, por
uma mulher! É horrível! É uma
loucura!
Relacionado com esta ocasião, devo acrescentar
mais uma coisa... (uiva e grita dum modo horrível). Quando Ela
foi chamada a colaborar na formação da Igreja, fundada
por Seu Filho, mergulhava de tal modo na oração que o
Todo-Poderoso teria vontade de segurá-la nas Suas mãos,
tal era o Seu deleite.
* Palavra que utiliza a grande vidente espanhola Madre Agreda. Foi durante um 2º Conselho diabólico, depois da morte de Jesus, que se estabeleceu o novo plano de domínio do mundo. O demônio fala aqui no primeiro Conselho, realizado depois de verificarem a identidade de Maria e de suspeitarem da Sua Missão.
A REDAÇÃO DOS EVANGELHOS
Um dia chegou o Apóstolo Barnabé
acompanhado de um outro, inclinaram-se diante d'Ela e chamaram-lhe a
atenção para a necessidade de escreverem os Evangelhos.
Invocaram longamente o Espírito Santo e perseveraram dias
inteiros em oração. Rezar assim, já não é
vulgar nos dias de hoje, a não ser em circunstâncias e
lugares extremamente raros. Sim, rezaram dias inteiros, assaltaram o
Céu com orações, para saber quem seria escolhido
para escrever os Evangelhos. E então a Santíssima
Virgem designou Lucas, João, Marcos e sei lá quem mais
para escrever essa “porcaria.” Como isso nos
contrariou.
Podereis imaginar tudo o que sentimos, quando saíram
esses textos de Mateus, Marcos, Lucas e João? (rosna furioso).
Pensai apenas que estes quatro foram escolhidos pela Santíssima
Trindade e pela Santíssima Virgem na sua terrível
majestade. Nem mesmo Pedro foi encarregado de o fazer. Nem ele. Ele
era a pedra, tinha a missão geral de tudo, e a Igreja fôra
fundada sobre Ele. Contudo, a redação dos Evangelhos
foi confiada aos quatro Apóstolos, já mencionados.
E
- Diz a verdade em nome (...)!
B - Então o Espírito
Santo desceu sobre eles, sob a forma de uma pomba, e foi assim que os
quatro tinham sido escolhidos. Todos viram. Mas agora não
quero continuar a falar.
E - Tens que falar, em nome do Pai (...),
em nome da Imaculada Conceição, tens de falar agora;
continua Belzebú!
B - Quando Barnabé e ainda um
outro foram visitar a Santíssima Virgem, Ela disse-lhes:
“Deveis contar em especial a vida de Cristo, compreendeis? É
Ele que deve ser glorificado, é Ele que deve estar sempre no
primeiro plano. Deixai que eu me apague. Quanto a mim, relatareis
apenas a Incarnação e o Nascimento de Cristo, o que é
indispensável. Deixareis de lado o resto.” Embora eles
estivessem ao corrente e tivessem visto coisas extraordinárias
e elevadas não puderam escrevê-las. Isso foi para eles
um sacrifício. Mas Ela queria apagar-se por humildade, para
que o Filho de Deus, o seu Jesus Cristo, sobre o qual a Igreja fôra
fundada, ficasse no primeiro plano.
Mas Ela, a Mãe de Deus,
é o grande sinal de Deus e, em certa medida, simboliza também
a Igreja. Ele, Jesus, ama a Igreja como uma Esposa. Então,
para os dois Apóstolos não ficarem tristes, disse-lhes
que Cristo mais tarde haveria ainda de falar d'Ela, através da
humanidade ou através não sei de quem (lança
gritos horríveis).
E - Maria de Agreda.
B - (Virando-se
para o Sacerdote): Adivinhaste: Maria de Jesus, de Agreda. Disso não
sabemos mais do que vós. Sim, nós amaldiçoamos
esses livros, nós tememo-los. E ser ainda obrigado a
confessá-lo... * (rosna e grita ansioso).
E - Continua a
dizer a verdade e só a verdade em (...)!
O COMEÇO DA IGREJA
B - No maldito começo da
Igreja fui deixado de lado. A Santíssima Virgem e os Apóstolos
foram os instrumentos. O papel desempenhado por Ela (aponta para
cima) foi decisivo; foi-o dum modo extraordinário. Nós
nada pudemos fazer. Muitas vezes mergulhava na oração,
dia e noite, pelos Apóstolos, para que eles fizessem as coisas
como deviam ser feitas. Para que nós não os
vencêssemos, Ela rezou muitas vezes dia e noite. E
freqüentemente ficava dia e noite de joelhos, sem comer
(resmunga desesperado). É por isso que Ela agora goza de um
poder tão grande. Isto são verdades sublimes que nós
somos obrigados a revelar-vos. Nós bem gostaríamos que
este livro saísse sem esta parte (gane como um cão).
E
- Continua a dizer a verdade, em nome (...)!
B - Nós não
queremos dizer estas coisas, não queremos... e também
não queremos continuar a falar. Eu, belzebú, não
quero continuar a falar.
E - Tu, Belzebú, tens de continuar
a falar em nome da Santíssima Trindade, em nome da Imaculada
Conceição (...)!
B - Então Ela disse que
queria ficar em segundo plano. Queria-o unicamente por humildade. Em
parte alguma queria aparecer em lugar de destaque, embora fosse uma
criatura poderosa. Nós próprios o temos de reconhecer.
Ela estava e está a uma enorme distância, acima de nós,
a uma grande distância dos vossos Anjos.
E quando eu digo,
distância, não me refiro a uma distância em
léguas, mas a uma que se perde no infinito. Isto significa
“tão longe”, que há uma distância
gigantesca entre os Anjos e Ela (geme).
É uma criatura
terrivelmente majestosa, mas quis permanecer escondida. Procedeu
assim para mostrar aos homens que também eles deviam
permanecer ignorados, como também deviam ser humildes. Mas os
homens não procedem assim. Nada fazem em relação
ao que Ela realizou e ao que foi realizado graças a Ela...
E
- Diz a verdade, em nome (...)!
B - Embora os homens não
possam nada, não sejam nada, gostam que falem deles, enquanto
esta Criatura, infinitamente predestinada, não queria que
falassem dEla. Portanto, apagou-se. E isso foi para nós
muitíssimo vantajoso. Pois começaram a aparecer seitas
(ri maldoso) que não reconheceram esta Criatura. Se Ela
tivesse dito abertamente quem era, se os Apóstolos tivessem
relatado os milagres extraordinários obtidos por sua
intercessão e se tudo isso figurasse nos Evangelhos, essas
seitas não teriam crescido como a erva (solta
gemidos).
Apareceram então milhares de seitas, seitas que
combatem ferozmente a Santíssima Virgem, seitas que combatem
os católicos, unicamente porque estes reconhecem esta Criatura
predestinada. Elas combatem esta Mulher porque crêem que esta
maneira de proceder (dos católicos) põe Cristo em
segundo plano.
No entanto, Ela só serviu a Cristo. Só
O quis glorificar. Tudo o que fez, foi por Ele e pela Sua Igreja. Ela
manteve-se sempre no escondimento e isso foi para nós uma
grande vitória. No entanto, procedendo assim, ensinou a
humildade, e isso constituiu para nós uma grande derrota. Mas
isto só é conhecido dos católicos. Por amor de
seu Filho, Ela quis ficar esquecida para que Ele reinasse e tivesse
um papel primordial.
Mesmo no que respeita aos seus sofrimentos,
só aceitou um papel de segundo plano, o que era indispensável.
Os Apóstolos, no entanto, estavam constantemente a ver como
Ela se humilhava, como tudo previa extraordinariamente, quanto
sofria, o que era obrigada a suportar e a padecer. Ela é muito
pouco engrandecida nos Evangelhos. Se ao menos, não tivesse
sido tão humilde! Mas coube-nos ainda esta vantagem, que deu
origem às seitas. Mas também isso foi permitido por
Deus.
*
O livro de Agreda, A Mística Cidade de Deus, foi escrito em
1665.
Para
adquirir os livros de Maria de Jesus Agreda - Mosteiro Portaceli -
Caixa Postal, 595 - EP:84001-970 - Ponta Grossa - Paraná.
E - Em nome do Pai... da Imaculada
Conceição, da Rosa Mística, tens de falar agora
belzebú, tens de dizer toda a verdade!
B - A partir desse
momento apareceram as seitas. Os seus adeptos pensavam que Maria
desempenhara apenas um papel marginal, que fôra escolhida
apenas para receptáculo d'Esse que está lá em
cima (aponta para cima), e que poderia agora desaparecer como uma
velha...; não me deixaram utilizar a expressão.
E -
Continua a dizer a verdade, em nome (...)!
B - Nós somos
delicados. Nós não usamos palavras “muito
grosseiras.” Apenas os condenados humanos as dizem. Nós
somos mais delicados que esses. Devo acrescentar outra coisa que me
ocorreu agora. Quando Judas foi obrigado a falar, no dia 31 de
Outubro, não foi Judas que riu pela boca desta mulher (a
possessa). É que Judas nunca ri. Como nós já uma
vez dissemos, Judas está no canto mais sombrio. Ele é o
desespero personificado. Quando Judas foi obrigado a falar, não
foi ele que riu, pela boca dessa mulher, foram os condenados humanos
que riram da malvadez (grita). É preciso que nunca esqueçais
isto: Judas nunca ri. Nós tínhamos que dizer isto. Esta
observação refere-se às revelações
de Judas, em 31 de Outubro.
E - E agora tens mais alguma coisa a
acrescentar? Continua, sob as ordens da Santíssima Virgem e da
Santíssima Trindade (...)!
B - Sim, esta charlatã...
E agora chego ao ponto de questão, mas não quero dizer,
não quero dizê-lo.
E - Fala Belzebú, em nome
da Santíssima Trindade!
ANA CATARINA EMMERICH
E
MADRE AGREDA
B - A propósito do começo
da Igreja devo acrescentar que embora os Evangelhos pouco contenham
sobre a Santíssima Virgem, mais tarde, inspirados pelo Céu,
em visões e revelações, grandes Santos lançaram
muita luz sobre a vida e obra d'Essa que está lá em
cima (aponta para cima).
Um dos maiores é a Catarina
Emmerich, que nem sequer ainda foi canonizada (ri maldoso). Ela não
foi só uma das almas mais sofredoras, mais humildes, mais
missionárias, como é também uma das maiores
Santas do Céu. A outra é Maria de Jesus Agreda. Viveu
em Agreda. Era Abadessa. Já os seus pais se tinham retirado
para um convento (rosna)... tinham prometido consagrar-se à
vida religiosa.
Eles é que obtiveram a sua filha, a sua
predileta, a graça de ter essas malditas visões.
E -
Fala agora, em nome (...), fala agora sobre o ponto essencial a que
te referiste!
B - Como os Evangelhos contêm muito pouco
sobre a Santíssima Virgem, é seu desejo que nos
confusos tempos que correm, que do alto dos púlpitos se
recomende a leitura dos livros de Maria de Jesus Agreda. Eles não
deviam faltar em nenhuma família católica. Todos deviam
possuir esses volumes (grita desesperado).
E - Continua a falar em
nome da Santíssima Trindade, em nome da Imaculada Conceição,
sob cujas ordens tens de falar!
B - Ela quer que os Sacerdotes
digam que estes livros não devem faltar em nenhuma família
católica, que deveriam mesmo recomendá-los aos
protestantes. Quando os leitores verificarem toda a riqueza destes
livros, não tardarão a compreender que Ela... E -
Continua em nome da Santíssima Trindade (...)!
B - Ela é
uma Criatura eleita e predestinada, uma criatura duma grandeza imensa
jamais atingida por qualquer mortal. Os Sacerdotes devem fazer
compreender aos fiéis que é necessário divulgar
estes livros, tão instrutivos, pelo mundo inteiro e,
sobretudo, lê-los. Aí podereis compreender a nossa
derrota em toda a sua extensão e amplitude, tal como a
grandeza e dignidade desta criatura, que nos esmaga a cabeça
(range os dentes).
Ela quer (lança gritos horríveis)...
não quero falar, não quero falar (chora)... É
que não posso auxiliar Aquela que está lá em
cima (aponta para cima), mas sim quem o “velho”,
(lúcifer) quer. Não quero falar.
E - Mas tu tens de
falar em nome (...), em nome da Imaculada Conceição, em
nome da Anunciação da Santíssima Virgem, em nome
de S. Miguel Arcanjo, tens de falar!
B - Isto está fora do
nosso campo de ação, não é nada conosco!
Nós temos a missão de seduzir os homens. Não
queremos conduzi-los ao bom caminho. Por estes livros os homens
seriam levados a trilhar caminhos melhores (grita).
E - Continua!
Tens de falar em nome da Imaculada Conceição, em nome
de Nossa Senhora do Monte Carmelo! Tu não podes mentir!
Continua!
B - Nestes livros aprendereis como a Santíssima
Virgem viveu e morreu. Para conhecer os planos eternos de Deus, tanto
quanto esses planos podem ser conhecidos pelos homens, é lá
que se encontram as fontes seguras e dignas de fé. Aí,
os fiéis verão o fundamento de todas as coisas.
E -
Continua a falar, em nome (...)!
B - Reconheceriam n'Ela (aponta
para cima) uma criatura universal, acabariam por render-se perante
tanta humildade e dignidade. Até nós A tememos, nós
próprios temos que capitular perante tais atributos.
Quanto
mais vós, criaturas humanas, que não passais todos de
poços de imundicie! Não valeis um pataco! Nós
somos muito superiores... quando mais Ela (aponta para cima).
E -
Em nome (...) continua!
B - Se vós pudésseis
contemplar ao menos um décimo da sua dignidade,
preci-pitar-vos-íeis imediatamente no pó e é bem
contra a minha vontade que eu digo isto! Nós vimos, fomos
obrigados a vê-la, fomos obrigados. Não desejamos que A
venhais a ver, pois nós queremos que vos precipiteis bem cá
para baixo e não para cima. Também as pessoas
instruídas, os acadêmicos, deveriam ser informados sobre
esta Maria de Jesus Agreda, antes de se juntarem aos Sacerdotes para
combater os “tradicionalistas.”
E - Continua a dizer a
verdade, em nome (...)!
B - Mesmo os “tradicionalistas”
estão muito longe, imensamente longe de conceber uma tal
dignidade, a não ser dum modo aproximado, mesmo que leiam
estes livros. Mas devem ser lidos por vós, em nome de Deus.
Vós não podeis passar sem o fazer, nem mesmo os leigos.
E vós padres, deveis anunciá-lo a todas as criaturas.
Tenho que repeti-lo. É preciso proclamá-lo do alto dos
púlpitos. Essa, que está lá em cima, quer que
estes livros sejam conhecidos nos quatro cantos do mundo.
Falarei
em seguida da Segunda. Catarina Emmerich, alma expiadora. Tinha de
estar sempre deitada de costas, tais eram as suas dores e
sofrimentos. Não teve nada a dizer durante a sua vida, mas,
quando morreu todo o Dülmen estava em chamas. Quando de todos os
lados acorreram com os carros dos bombeiros deveriam ter visto
naquilo um sinal do Céu... mas os homens são estúpidos.
Que sabem os homens? Nada compreendem... são estúpidos
como cepos.
E - Em nome (...) diz a verdade!
B - Um cepo é
ainda mais inteligente. Aqui e acolá, pode apresentar ainda
uma folhinha verde, mas os homens, esses, só tem lixo e
palha.
E - Continua, diz a verdade em nome da Imaculada Conceição,
em nome da Bem Aventurada Virgem Maria e de S. Miguel Arcanjo!
B -
Esta Catarina Emmerich teve de falar para a Igreja, fez vaticínios
sobre a Igreja e sofreu e rezou muito por ela. Já em
pequenina, a sua capacidade de sofrimento era enorme. Nós
tínhamos-lhe um ódio terrível. Tão
pequenina e já fazia Via Sacra, e imitava à letra a
humildade d'Aquela que está lá em cima... Ah!... e a
cruz, cruz também, tal como Aquela, que está lá
em cima.
Foi uma grande Santa. Nós receávamo-la
muito e, por isso mesmo, queríamos destruí-la, mas não
o conseguimos. Ela safava-se sempre, embora tivesse sofrido doenças
mortais, que oferecia sempre pelos outros, para que eles pudessem
obter ainda a graça de se converterem. Só morreu quando
Aqueles lá em cima (aponta para cima) verdadeiramente o
quiseram, pois foram Eles que acolheram a sua alma venerável,
a sua alma santa... porque ela era uma Santa... no Céu. Há
no Céu muitos santos, quero dizer muitos Santos canonizados
por Roma, que são menos santos e menores que ela. Ah! Como é
horrível ser obrigado a confessá-lo!
E - Sim,
continua a dizer a verdade, em nome (...)!
B - Se ela for
canonizada, pensamos nós, então os seus livros serão
conhecidos. Enquanto não o for, os seus livros não
serão tão bem aceitos. É por isso que os Bispos
não querem ouvir falar deles. Talvez um ou outro já os
tenha lido, mas isso são fatos isolados, sem
conseqüências.
Devo ainda acrescentar que ela é
uma Santa poderosa no Céu (chora). Há muito que os seus
livros deviam ter sido difundidos pelo mundo inteiro. É
preciso que vós também o proclameis do alto dos
púlpitos. E agora não digo mais nada, mais nada (gane
como um cão).
E - Fala em nome da Imaculada Conceição,
da Bem-Aventura Virgem Maria, em nome de S. Miguel Arcanjo!
B -
Dos seus livros, é sobretudo o volume Vida e Morte da
Venerável Catarina Emmerich que deve ser difundido. Deveríamos
atar esses livros às costas das crianças para que
aprendessem a caminhar com a cruz que o Senhor pôs no seu
caminho.
Esta pequenina Santa já ia, aos quatro anos, fazer
a Via Sacra, mesmo à noite, ficando com os pés feridos,
ensangüentados, tudo para a glória do Seu Rei
Crucificado. De manhã a mãe tinha de lhos ligar, e nem
sequer sabia de onde ela vinha, pois a pequena nada dizia
(uiva).
Catarina foi uma grande alma sofredora. No seu quarto, o
frio era glacial. É que ela era muito pobre e mesmo quando os
seus lençóis estavam lisos com o frio e, no meio deles,
ardia com febre, nunca pedira para lhos mudarem. Ela queria viver a
sua Paixão e oferecê-la humildemente. Onde é que
se vêem, hoje em dia, almas assim? Religiosas compadecidas
substituíam-lhe os lençóis. Catarina não
o teria exigido e acabaria por morrer de frio ou ficaria entorpecida.
Ela tudo suportava pelo seu Senhor Crucificado. É inimaginável
o que ela fazia por Ele.
Ela é uma poderosa Santa que nós
sempre tememos. Sentimos repugnância por estas pessoas, que
renunciam a si mesmas, seguem voluntariamente o caminho da cruz e
tudo oferecem pelos outros. Há grandes santos que fazem muitos
milagres, que são considerados grandes aos olhos do Senhor,
que têm o dom de ler nas consciências, como ela aliás
também tinha, mas como ia dizendo, embora esses possam ser
mais conhecidos, embora a eles acorram milhares de pessoas, embora
sejam grandes santos, não se lhe podem comparar e não
se lhe comparam. Era uma alma sofredora, humilde, apaixonada por
Deus. Deus amou-a e glorificou-a dum modo muito especial e é
por isso que Ele quer que seja canonizada.
E - Continua a falar,
em nome (...)!
B - Já há muito e não só
agora, que ela o deveria ter sido. Deve-se falar às pessoas
dos seus livros e das suas numerosas visões e revelações.
É preciso que o façais por amor à dolorosa
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela desejava-o e o
próprio Jesus o deseja também. Dos seus textos,
devereis citar em primeiro lugar A Dolorosa Paixão de Jesus
Nosso Senhor. Este livro também não devia faltar em
nenhuma família, sobretudo numa família que se preze de
ser católica (geme). Mas chega de conversa por agora!
E -
Tens de continuar! Em nome do Pai (...) em nome da Imaculada
Conceição, da Bem-Aventurada Virgem Maria, de S. Miguel
Arcanjo, de todos os Santos Anjos, tens de falar Belzebú!
B
- Jesus Cristo e a Santíssima Virgem concederam a estas duas
grandes Santas visões e revelações para que
chegassem ao conhecimento dos fiéis. Estes devem recebê-las
nos seus corações, seguirem-nas e transmitirem-nas aos
outros.
Não se trata de uma anedota, mas de algo muito
sério, muito grande, que já foi profetizado pela
Santíssima Virgem, quando disse outrora aos Apóstolos:
“Deus proverá, o Céu proverá, para que o
meu nome, no devido tempo... (gane como um cão).
E - Diz a
verdade, em nome (...)!
B - ...venha a ser glorificado e conhecido
e que tudo o que deve ser revelado a meu respeito, o seja na devida
altura.” Agora já é a altura. Estamos agora em
pleno Apocalipse. E Ela é o Grande Sinal. É por isso
que as pessoas devem ler estes livros, porque em Emmerich, mas mais
especialmente em Maria de Jesus, se fala do Apocalipse, do Grande
Sinal, da Santíssima Virgem.
E - Continua a dizer a
verdade, diz o que tens a dizer da parte da Santíssima Virgem,
da Imaculada Conceição, de S. Miguel Arcanjo e de todos
os Santos Anjos e Arcanjos!
B - Se as pessoas lessem estes livros
(solta sons como gemidos) compre-enderiam facilmente que a hora
chegou. Compreenderiam melhor o Apocalipse e o que está
escrito na Bíblia. Vós não passais de grandes
burros! Os homens são imensamente estúpidos, deixam que
tesouros tão valiosos se percam, lhes escapem, se enferrugem
(ri maldoso).
E - Diz a verdade, em nome (...)!
B
- Permitem que estes preciosos tesouros de valor infinito apodreçam
e fiquem escondidos. E o que devia ficar escondido é difundido
(ri torcista). Como, por exemplo, Bíblias que de Bíblias
nada têm, vidas de Santos que de religioso nada têm
também. Esse gênero de livros é mais dirigido de
baixo do que do alto (arreganha os dentes, malicioso). Não
passam de palavreado ôco. Até um burro ou um cavalo é
mais inteligente; duma maneira ou de outra, eles sentem o que o seu
dono quer. Mas aqui (no mundo) não é assim. Só
quando já é demasiado tarde é que se apercebem
que deveriam ter procedido dum modo diferente. Ah! Para nós,
estes escritos de Ana Catarina Emmerich e Maria Agreda, são
livros malditos, que desde há muito tememos e sempre
temeremos. Nós, lá em baixo, há muito tempo, nem
sei bem há quanto, deliberámos para ver o que
poderíamos fazer contra eles... e os homens nem sequer os lêem
(ri sarcástico). Mesmo aqueles que se dizem bons católicos,
não os têm em casa! (as suas gargalhadas transformam-se
em gemidos).
E - Diz a verdade em nome (...), da Imaculada
Conceição, da Bem-Aventurada Virgem Maria, de S. Miguel
Arcanjo, S. José, de todos os Coros dos Espíritos Bem
Aventurados!
B - Deveis informar as pessoas. Todos os Padres, os
“tradicionalistas” e mesmo os modernistas, deviam
proclamar do altar que é necessário difundir estes
livros por toda a parte e o mais rapidamente possível, para
que sejam lidos. Se isso acontecer e se o seu conteúdo fosse
posto em prática, ainda que aproximadamente, muitas almas se
haveriam de salvar (geme horrivelmente).
E - Continua, em nome da
Santíssima Trindade!
B - Catarina Emmerich teve visões
sobre a Dolorosa Paixão de Jesus para que ela fosse conhecida
dum modo mais direto e mais profundo, pois os Evangelhos não
relatam senão fragmentos. Embora os Apóstolos tivessem
conhecido mais porme-nores, resumiram-na muito. Nas visões
desta grande Santa há partes sintetizadas e resumidas que são
horrivelmente extensas para nós. Aprende-se, por exemplo, a
maneira de conseguir um arrependimento perfeito, que desempenha um
papel primordial na confissão. Aprende-se a não ofender
tanto o Senhor, que tanto sofreu. Os seus padecimentos são
descritos duma maneira mais profunda do que em qualquer outro livro
(rosna). Estes livros deveriam figurar em todas as livrarias,
sobretudo nas católicas, que os deveriam possuir em
quantidade, e não apenas um exemplar.
E - Belzebú,
diz qualquer coisa sobre os sofrimento secretos de Cristo na
Quinta-feira Santa, em nome (...)!
B - Não nos agrada falar
desse assunto, mas porque se está na Quaresma, Ela deseja que
ao menos algumas frases...
E - Então fala dos sofrimentos
secretos de Cristo, como tu os viste, em nome (...)!
PAIXÃO DE CRISTO
B - Nós nos olhamos muito, não
queríamos ver nada daquilo. Rodopiávamos à sua
volta como setas e ferimo-nos uns aos outros, cheios de cólera
e raiva (grita). Naturalmente, sabíamos o que se passava. É
claro que sabemos mais do que se poderá pensar. Mas a essa, a
esta Emmerich, foi tudo mostrado dum modo positivo. Ela viu, por
exemplo, que no Jardim das Oliveiras, Nosso Senhor Jesus Cristo
sofreu muito mais horrivelmente do que se poderia imaginar. Mesmo
durante a sua vida, várias vezes suou sangue de angústia.
Nós, demônios, perseguimo-Lo horrivelmente no Jardim das
Oliveiras. Ele viu como nós, numa multidão medonha, nos
precipitávamos sobre Ele. Tínhamos as formas dos
pecados, que os homens deveriam cometer mais tarde. Era nosso intento
conseguir que, pela visão desse horror, o Filho de Deus
perdesse a coragem de suportar esta Paixão. Ele viu um horror
imundo que lhe fez sair pelos poros um suor de sangue. Nestes
momentos de obscuridade e horror abomináveis, Ele pensava que
a sua Paixão, que era apenas dum homem - Ele era Deus, mas
nessa altura não se sentia mais que um homem - não
chegaria para apagar e expiar um pecado tão grande. Quis-se
retirar, tremia sob a violência do sofrimento. Foi então
que apareceu um Anjo com o Cálice para o fortificar. Na
realidade, esse Cálice não era senão a aceitação
daquele sofrimento. Ao beber o Cálice, Ele confirmava apenas
que aceitava a Paixão (geme) e que estava disposto a beber
todo o cálice até o fim (geme). Graças a isso,
vós, poços de imundície, vereis um dia o Céu,
a que nós jamais teremos acesso (furioso).
Mais tarde,
Cristo foi ainda flagelado. Durante a flagelação o seu
corpo foi ferido e lacerado até os ossos. Quando foi
crucificado já não tinha sequer metade dos seus
cabelos. Tinham-Lhos arrancado quase todos, o que aliás foi
muito bem feito. Tinha uma figura elegante e pés de viajante.
À força de tanto andar a pé, tinha a pele dura e
calosa. Ao contrário, as mãos eram muito finas,
demasiado finas para carregarem uma cruz tão pesada. Se nós
tivéssemos podido provar só um pouco do seu Sangue
derramado, só uma gota, então também nós
o haveríamos de adorar por toda a eternidade. Porém,
Ele não no-lo permitiu. Para nós, já era
demasiado tarde (rosna). Depois, na cruz, quando foi suspendido, tudo
ofereceu por vós. Fazer tudo aquilo pelos homens, atiçou
ainda mais o furor do inferno. Quando estava suspenso na cruz, era
como um verme, como já disse Akabor: já não era
homem... por vós. Porque é que Ele fez aquilo por vós?
Por nós não o teria feito (solta gemidos que comovem).
Um verme e não um homem, esmagado por todos (chora)!
Era
como se Ele tivesse tomado sobre Si o peso dos pecados de toda a
humanidade; parecera-Lhe ser o maior dos criminosos. Parecia-Lhe que
fôra abandonado e repudiado por Deus Pai, de tal modo os seus
verdugos O tinham golpeado, picado, flagelado e, por fim, deixado a
esvair-se em sangue (resmunga) E tudo isto Ele fez por vós!
Porque é que nós não o conseguimos evitar?
(chora)
Se o próprio Senhor tanto fez por vós,
quanto não deveríeis reparar uns pelos outros para
evitar que tantas almas fossem para o inferno? Ele, que era Deus e
não tinha pecados, realizou algo extraordinário, algo
que jamais será realizado por qualquer mortal: e se Ele sofreu
torturas tão atrozes, então vós deveríeis
passar por toda a vida sob o machado do carrasco. E isso não
seria muito, não seria nada que não tivésseis
merecido. Mas os homens não compreendem isto. Só pensam
em levar uma vida de gozo, apesar do seu Mestre ter marchado à
sua frente, com a Cruz e o bom exemplo, e ter suportado tormentos
infernais. Sim, Ele suportou tormentos infernais. Mas durante pouco
tempo. Nós próprios, no nosso ódio, admiramo-LO
por ter feito tudo isto por vós! Jamais nos passara pela mente
que Ele pudesse fazer uma tal coisa por um lixo imundo. Já o
tínhamos previsto, mas nunca imaginávamos que fosse uma
dádiva tão imensa.
Com tudo isto, quero ainda dizer
que é preciso insistir na necessidade, durante a Quaresma, de
fazer penitência em união com Cristo Jesus.
Durante
quarenta dias Ele jejuou como nenhum homem mais jejuou ou jejuará...
e também Ele sentiu a dureza da fome...
A CRUZ E O SANTO
SACRIFÍCIO
DA
MISSA ABREM O CÉU
B - Durante quarenta dias preparou-se
para a Sua Vida pública e também para o Seu grande
Sacrifício. Ele sabia que se tratava dum sacrifício tão
vasto como o mundo, duma eficácia universal, que Ele, Deus,
devia oferecer ao Todo-Poderoso, em reparação da culpa
do pecado, a fim de que vós pudésseis chegar à
visão eterna de Deus. Sem isto, na melhor das hipóteses,
veríeis apenas o Paraíso, caso o conseguísseis.
Iriam assim muito mais homens para o inferno, porque não
teriam acesso às graças que obtém o Santo
Sacrifício da Missa. São incalculáveis as graças
decorrentes do Sacrifício incruento da Cruz, por cuja oferta,
o Sangue de Cristo corre de novo. Nós, lá em baixo
(aponta para baixo), odiamos este Sacrifício da Missa, que é
celebrado todos os dias em muitas Igrejas.
Em muitas casas de
Deus, nem sempre é convenientemente celebrado. Antigamente,
era horrível para nós, quando se celebrava o
tradicional Sacrifício da Missa. Efetivamente, é a
renovação do Sacrifício de Cristo na Cruz que
apaga os pecados e que obtém graças extraordinárias
para a salvação das almas, que, sem isso, se perderiam
aos milhares e viriam para o inferno.
Devo ainda acrescentar isto
(solta gemidos): não digo mais nada, não quero dizer
mais nada.
E - Em nome da Santíssima Trindade (...) diz a
verdade, o que Maria quer que digas!
B - Eu não quero dizer
mais nada, não posso continuar a falar. Se quiserdes que fale,
é preciso que reciteis ainda um pequeno exorcismo. Lúcifer
está furioso. Desejaria estrangular-me. Eu não devia
ter dito estas coisas. Se continuo a falar, quando eu chegar lá
abaixo, castiga-me.
E - (Recitação do exorcismo).
Por ordem da Mãe de Deus, lúcifer não poderá
fazer-te mal, pois tu falaste para a Igreja! Ele não poderá
fazer-te mal!
B - Eu era um grande Anjo, era o segundo em
grandeza. É por esse motivo que lúcifer se enfurece e
diz: “Já que és tão grande, devias saber
que não deves dizer tantos disparates. Devias ter mais
cautela!” É isto que ele vai dizer (range os dentes com
violência). Ela (aponta para cima) ordenou-me que falasse,
porque eu estava presente na queda dos Anjos. Eu era o segundo em
dignidade e é por isso que Ela me força a falar desta
“porcaria.” Ela continua a ter poder sobre nós, os
lá de baixo (resmunga com violência).
E - Belzebú,
sob as suas ordens, tens que falar agora e dizer só a
verdade!
OS NOMES
B - Quero ainda acrescentar o seguinte:
ao escrever estas revelações, deveis mencionar o meu
nome. E deveis proceder do mesmo modo relativamente aos outros
demônios. Deveis sempre assinalar quem falou. Não é
em vão que dizemos quem fala.
E - Belzebú, em nome
da Santíssima Virgem tens de falar!
B - Ela permite que nós
digamos os nossos nomes... quem fala, e depois Ela quer também
que se indique quem falou. Sobretudo quando se tratar de assuntos
importantes, Ela quer que se saiba qual o demônio que escolheu,
qual o que devia falar...
E - Belzebú, tens que falar
agora, em nome (...)!
B - Como sou bem conhecido, o meu nome deve
ser mencionado.
A ESTUPIDEZ HUMANA
B - No dia 12 de Janeiro, Veroba
referiu-se ao Aviso e ao Castigo. Disse que se devia mencionar no
livro. Também explicou porque é que o Aviso ainda não
surgiu e ainda o fato da oração ser paradoxal.
Vós,
homens, não valeis nada (ri maldoso), vós nada sois e
nunca sereis nada. Sois burros, podem-vos repetir sete vezes a mesma
coisa. Que é que tendes na cabeça, miolos de mosca ou
um crivo?
Se não fosse Aquele que existe lá em cima
(aponta para cima), todos os vossos ossos se soltariam. É Ele
quem carrega permanentemente com a vossa carcaça. Sem Ele não
passaríeis de esfregões e de farrapos. É por
isso que nós, lá em baixo, não podemos
compreender que professores, doutores e tantos outros, tenham uma
presunção tão grande. Porque serão assim
tão vaidosos, quando não passam de porcaria que há-de
ser corroída por vermes?*
E - Belzebú, continua, em
nome e sob as ordens da Santíssima Trindade (...)!
B - A
propósito desta presunção, Ela quer que se
acrescente isto. Ela acha pouco apropriado que esses homens se
exaltem tanto; eles são uma abominação diante de
Deus. Ela acha tudo isso disparatado, pois Ela procedeu sempre com
perfeita humildade. Ela teria tido razões para cingir bem alto
a coroa e brandir o cetro. Ela teria tido motivo para o fazer! Fê-lo
alguma vez? Em todo o caso, não foi na Terra. No entanto, Ela
foi exaltada conforme o que está nas Escrituras, pois Jesus
disse: “Quem se humilha será exaltado, quem se exalta
será humilhado.” Quer dizer, aquele que se eleva a si
mesmo será em seguida horrivelmente humilhado, não só
num grau apenas, mas numa infinidade de graus. Compreendeis o que
queremos dizer?
Quem se exalta não será
humilhado em outro tanto, mas ficará um milhão de vezes
mais abaixo. Mas quem se humilhar, por mais alto que esteja - nós
somos sábios, sabemos bem como as coisas se passam! (sublinha
as palavras com um gesto do dedo) - receberá segundo a
parábola do banquete, em que Jesus disse: “Aquele que se
sentar no último lugar, será chamado pelo senhor do
banquete a ocupar o primeiro lugar...” Quero dizer, com isto,
que aqueles que se humilham não serão apenas exaltados
em outro tanto, mas ocuparão uma posição
milhares de vezes superior à que tinham, e isto por toda a
eternidade.
Devo acrescentar que é um paradoxo e um sinal
de grande estupidez querer elevar-se neste mundo. Tenho que o dizer,
pois é abominável aos olhos do Senhor. Se os homens
tivessem plena consciência daquilo que fazem, horrorizar-se-iam
consigo próprios - (ri maldoso).
* O demônio, que é orgulhoso, ele mesmo uma criatura, mostra aqui a repugnância e o profundo desprezo que sente pela natureza humana, inferior à angélica, mortal.
A VIRTUDE FUNDAMENTAL
DA
HUMILDADE
B - Se Ela não se tivesse
colocado sempre em último lugar, mesmo abaixo de S. José,
que no entanto sempre soube reconhecer o elevado grau da sua
dignidade, e se Ela não tivesse sido tão humilde, não
teria hoje, nem nunca teria tido, este poder sobre a Igreja e sobre o
mundo. Não teríeis n'Ela Aquela Mãe que tudo faz
por vós, medianeira de graças inefáveis, graças
que só Ela pode obter e que nunca teria podido obter se não
vos tivesse dado o exemplo em primeiro lugar.
Ela praticou a
humildade em todas as virtudes, até ao último grau de
heroísmo. Se Ela não o tivesse feito, especialmente
esta maldita virtude da humildade, ter-nos-íamos podido
aproximar dela. E, decerto, isso teria constituído mais um
êxito para nós, demônios! (grita irritado).
E -
Belzebú, continua a falar em nome da Santíssima
Trindade (...)!
B - O mesmo acontece com os homens. E isto é
claro como água: a falta de humildade abre as portas ao vício.
Nós adquirimos domínio sobre uma pessoa a partir do
momento em que a sua sabedoria ou o que lhe chamais lhe sobe à
cabeça. Há muito que o homem deixou de ser sábio
e tem miolos de galinha. Mesmo quando se julga sábio e se
eleva um pouco, cai logo depois. Mas eu não quero falar destas
coisas. Conheço-as por experiência própria, pois
passaram-se conosco. Como nós caímos, milhares e
milhões de vezes! (uiva lastimoso).
E - Continua, belzebú,
em nome (...)!
B - Por esse motivo, vós Padres, deveis
falar do pecado original, do orgulho. Devíeis empregar todos
os esforços no sentido de fomentar a virtude da humildade.
Falai dos Santos que a praticaram num grau elevado. Citai, por
exemplo, Catarina Emmerich, Santa Tereza do Menino Jesus e tantos
outros.
Pregai sobre S. João Maria Vianney. Ele
alimentava-se de batatas. Uma ocasião comeu batatas pôdres,
já cheias de bolor, durante quinze dias (rosna). Nem sequer se
queria deitar na cama que lhe tinham posto ao lado! Achava-a
demasiado boa para si. Não temos qualquer poder sobre pessoas
dessa espécie, que chegam a achar-se indignas de se deitarem
numa cama vulgar e que não procedem assim para se vangloriarem
perante os outros de que são bons, dizendo, por exemplo:
“Olhai, eu não quero deitar-me na cama boa, sou um homem
virtuoso, vou deitar-me na cama mais incomoda.” Pelo contrário,
escondem-no dos outros homens. S. João Maria Vianney encobriu
sempre que não comia como deveria ser. É que ele
possuía a verdadeira humildade. O mesmo se pode dizer de
Catarina Emmerich. Ela nunca quis mostrar como se sentia mal, nem o
que trazia sobre o seu corpo. Só quando as pessoas viram e
disseram: “Em que estado horrível ela se encontrava! É
preciso fazer qualquer coisa!” É que ela deixou que a
mudasse, porque era absolutamente indispensável. Mas quis
continuar a viver na maior pobreza. Dormia num leito miserável,
já quase desfeito. O seu maior desejo era levar uma existência
apagada. Por isso é que as avezinhas do Céu vinham
pousar nos seus ombros.
Os Santos recebem estes sinais de
predileção: os Santos dum modo geral, mas
principalmente os humildes. Estes gozam duma predileção
muito especial, lá em cima. Alcançaram rapidamente o
Céu, enquanto outros percorrem penosamente, passo a passo, o
duro caminho que a ele conduz. A virtude da humildade deve ser
novamente pregada. Só depois dela é que vêm todas
as outras. Depois vem a virtude da pureza, bem adaptada à
nossa época (respira com dificuldade), em seguida a verdade, e
todas as outras. É preciso dizer aonde tudo isto conduz.
Também é preciso citar exemplos.
E - Lúcifer,
retira-te! Tu belzebú, tens de falar da parte da Santíssima
Virgem, em nome da Santíssima Trindade (...)!
B - Teremos
de denunciar em primeiro lugar, o vício do orgulho. Devemos
dizer que a virtude da humildade devia ser escrita com letras
capitais. Seguem-se, naturalmente, a cólera, o roubo e todos
os outros. Deve preocupar-se sempre fazer comparações,
dar exemplos vividos e verificados na vida dos Santos (dá
berros horríveis). Deixem-me!
E - Continua, Belzebú,
continua em nome do Pai (...) da Imaculada Conceição,
da Bem-Aventurada Virgem Maria e Mãe de Deus... (neste momento
é interrompido por Belzebú).
B - Procedeis bem,
procedeis bem, mas é preciso insistir muito; deveis assinalar,
com mais insistência, o efeito devastador do pecado. Sobretudo,
neste tempo de Quaresma, deveis acentuar a gravidade do pecado,
gravidade que ultrapassa a imaginação. Daí a
conhecer, com toda a clareza, as conseqüências do pecado
que são mais horríveis do que vós podeis
imaginar. É o pecado e as suas conseqüências que
deveis retratar com a maior clareza possível. Sabei-lo agora,
mas os outros Padres devem também proceder assim, pois isto
não é apenas para vós. Se eles o não
fizerem, não cumprindo com a sua obrigação,
causarão grande dano e privar-se-ão a si e a todos os
que se encontram na sua dependência de muitas graças.
Todos os fiéis sofrerão com isso e não receberão
as graças que de outro modo poderiam receber.
A IMITAÇÃO DE CRISTO
E - Belzebú, fala por ordem da
Santíssima Virgem, em nome (...) diz a verdade!
B - A
propósito destas virtudes, devo acrescentar que é
preciso que esse nojento livro, a Imitação de Cristo,
de Thomas Kempis, que nós lá em baixo tanto tememos
(gane como um cão), seja citado, difundido e lido.
Não
deve faltar em nenhuma família católica e deve ser
lido. O melhor seria ler um capítulo todas as noites e
esforçar-se por seguir e pôr em prática os seus
ensinamentos.
Na medida do possível, deveria ler-se a
antiga edição, a completa; na edição
moderna já foram feitas algumas modificações.
Com o andar do tempo acabam por mudar tudo! Por isso, deveis procurar
arranjar os livros antigos. Se houver poucos, será preciso
reeditá-los.
Em todo o caso, também deveríeis
pregar sobre A Imitação de Cristo, utilizar e
desenvolver os assuntos que nela se encontram, inculcá-los no
coração dos fiéis. A Imitação de
Cristo é o verdadeiro grão e não palha. É
uma obra que vem do Céu. O Céu a quer e a recomenda, já
que ela põe a Cruz de Cristo sob os olhos de todos,
concretamente, ensinando como se deve imitar a Cruz de Cristo. Assim,
o homem aprende como Cristo sofreu e como ele próprio deverá
sofrer se quiser avançar um passo ou um decímetro atrás
d'Ele. Deve ter sempre presente que, com tudo isto, ainda estará
longe de ser um santo e que se deve julgar com humildade. É
imprescindível que insistais neste ponto.
Há
milhares de pessoas, poderíamos dizer milhões, que
crêem que são boas porque fizeram isto ou aquilo. Mas
isso não basta! Só serão verdadeiramente boas
quando não se acha-rem ainda boas, pensando que fizeram muito
pouco e que poderiam ter feito muito mais. Serão boas quando
se julgarem com humildade e fizerem por Cristo tudo o que estiver nas
suas mãos.
OS DEVERES DA MULHER
VISTOS PELA
SANTÍSSIMA VIRGEM
B - A Santíssima Virgem diz que
Ela sempre cumpriu os seus deveres caseiros, que o fez com humildade,
para maior glória de Deus e com o objetivo único de
servir a Cristo e que não convém que uma pessoa se
queira enaltecer acima dos seus serviços e deveres.
Ela
faz-me dizer que nunca esteve presente durante a vida pública
de Cristo, embora tivesse grande desejo de O acompanhar. Ela amava o
seu Filho a tal ponto que vê-Lo partir lhe causou uma dor e um
tormento enorme. Ela sentia-se-lhe ligada, como se Ele fosse parte do
seu próprio corpo. Os laços que a prendiam a Ele eram
mais fortes que os dum irmão à irmã ou de um pai
à mãe. Só se sentia bem na sua proximidade, mas
apesar de tudo isso quis manter-se ignorada e ficou em casa. A partir
desse momento só O viu raras vezes.
Procedendo assim,
revelou a sua humildade, para que também as pessoas
aprendessem a ser humildes. Foi alguma vez personagem principal no
Altar ou na Missa? Quis manter-se sempre ignorada, embora fosse a
criatura mais grandiosa, a mais universal. Ela vale mais que todos os
Padres e religiosos juntos. Ela é a maior entre as maiores,
escolhida por Deus para guiar a Igreja e para ser Sinal, para ser o
grande Sinal, a Mãe do Salvador. Ela é também a
Rainha dos Anjos. Mas é preciso dizer a todos que, apesar
disso, viveu ignorada e entregue aos seus trabalhos caseiros.
Não
compete à mulher desempenhar funções públicas,
por exemplo, como conselheira do Governo ou Doutora de Ciências.
Não
é conveniente mostrar-se assim e, por outro lado, desprezar os
deveres de dona de casa. Qualquer trabalho, mesmo o mais
insignificante e humilde de uma dona de casa, que serve a Deus e à
sua família de todo o coração, tem mais valor do
que a mais bela e melhor conferência duma mulher doutora, ainda
que o seu discurso ressoe através de todos os microfones e
seja registrado por todos os jornais. Uma mulher destas vale muito
menos lá em cima do que uma Mãe que leva a sua Cruz
cotidiana, educa bem os seus filhos e aceita o filho que concebeu.
Quando tudo suporta com paciência, faz o seu trabalho
humildemente, alimenta, cuida e veste os seus filhos, educa e limpa a
prole, tem mais valor, perante a “malta dos três, lá
de cima” (refere-se a Santíssima Trindade) do que uma
mulher que só pensa em fazer figura. Poderíamos citar
aqui as palavras: “Quem se humilha será exaltado, e
voará como uma flecha.” Quando uma mulher não
aceita os seus deveres caseiros e só aspira a grandezas, não
pode conservar-se humilde.
Toda a mulher que se quiser elevar,
será humilhada no Céu. Pelo contrário, todas as
que se humilham, encontram-se no bom caminho. Obtêm para as
suas famílias e para os povos muito mais graças do que
outra que só pense em brilhar.
Como resultado do orgulho
surge o aborto. A mulher já não quer ser apenas “mãe
de família”, com um papel a desempenhar: a educação
dos filhos. Quer ser e parecer algo mais. Este é um dos
motivos da morte de muitas crianças por aborto. É claro
que há muitas mães que se encontram em grande
necessidade. Essas deveriam ser auxiliadas por palavras e obras.
Deveriam deixar viver o filho, mesmo que fosse muito duro. O seu
sacrifício transformar-se-ia em fonte de bênção.
E
- Em nome da Santíssima Trindade, do Pai (...)!
B - Se as
mulheres estivessem mais tempo ao fogão e preparassem boas
refeições aos maridos, decerto não haveria
tantos divórcios, como atualmente. Se as mulheres cumprissem
melhor os seus deveres de donas de casa e proporcionassem aos maridos
um ambiente caseiro mais agradável, não haveria tantas
desavenças e separações. Se não
existissem tantos homens e mulheres em concubinato, haveria mais
cônjuges dotados de espírito de sacrifício e
menos lares desfeitos. Quando desaprendem, no tempo de concubinato, o
que é o sacrifício e não sabem o que é
renun-ciar como quereis que venham a constituir família? Aos
seus olhos, o casamento exige muitos sacrifícios e privações.
Sempre assim foi, é assim e há-de ser sempre
assim.
Entre os que viveram juntos durante muito tempo, poucos são
os que vêm a casar. Além disso, é muito difícil
para uma pessoa que durante anos viveu à vontade, voltar atrás
e corrigir-se. Mesmo que essa pessoa quisesse mudar de vida,
ser-lhe-ia bem mais difícil do que a uma outra que viveu
normalmente, sem divagações para a esquerda ou para a
direita, para a seu belo prazer colher aqui as uvas e ali os
rabanetes.
E - Em nome (...) diz a verdade! Diz o que a Santíssima
Virgem quer que digas e só a verdade!
BOAS LEITURAS E IMAGENS PIEDOSAS
B - Devo acrescentar ainda o seguinte:
o livro, A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, os
livros da venerável (Santa para o Céu) Catarina
Emmerich, assim como os de Maria de Jesus Agreda e o livrinho
Imitação de Cristo de Thomas Kempis, têm grande
valor (geme). Não quero falar disso.
E - Em nome (...) diz
a verdade!
B - É preciso que estes livros sejam difundidos.
Mas também é necessário procurar neles temas
para homilias, ideais, o que é muito importante para o confuso
mundo de hoje, para os fiéis do nosso tempo.
E - Diz a
verdade Belzebú, fala em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo, da Imaculada Conceição, de S. Miguel Arcanjo!
B
- Tenho que falar do imenso valor destas “desbotadas”
estampas com imagens piedosas. Já falei uma vez acerca deste
assunto.
Deveis falar dele, do alto dos púlpitos, e é
também necessário que fique registrado no livrinho.
Sobretudo as estampas que contêm promessas têm um grande
valor. E vós deveis dar a conhecer essas promessas, que foram
feitas a pessoas piedosas. Muitos não as conhecem e até
ao presente nunca as leram. A propósito da estampa com a
Agonia de Cristo, onde Cristo está ajoelhado no Jardim das
Oliveiras com o Cálice, há uma oração à
qual estão ligadas grandes promessas. É necessário
mencionar também a imagem de Jesus Misericordioso e o Terço
da Misericórdia, a que estão também ligadas
promessas importantes.
Seria ótimo ter destas estampas em
grandes quantidades por toda a parte, distribuí-las e mesmo...
sim, lançá-las por todo o lado e, se isso fosse
possível, colá-las às costas de cada um. Sois
tão estúpidos como cepos! Tendes à vossa
disposição essas pagelas, essas promessas, esses
privilégios e não o utilizais, pelo menos a grande
maioria das pessoas não se servem delas! Há ainda
outros folhetos deste gênero, por exemplo, o da Santa Brígida
da Suécia e do Coração de Jesus. A devoção
ao Coração de Jesus está atualmente muito
reduzida. A ela estão também ligadas grandes promessas
e o mesmo se pode dizer da devoção ao Imaculado Coração
de Maria. A Verdadeira Devoção, segundo S. Luiz Maria
Grignion de Montfort, também quase caiu no esquecimento.
Se
soubésseis o valor destes folhetos com imagens, que acabo de
mencionar, em particular as da Santa Face, da Agonia de Cristo e de
Jesus Misericordioso, pôr-lhe-íeis uma moldura em ouro,
tal como ao Terço!
E - Belzebú, tu citaste ainda
outras. Quais?
B - A devoção ao Sagrado Coração
de Jesus e ao Coração Imaculado de Maria, com as suas
importantes promessas, o Terço da Misericórdia, a
contemplação da amarga Agonia de Cristo e a devoção
à Santa Face estas cinco ocupam o lugar de honra. Difundi-as
por toda a parte. Ela (aponta para cima) assim o quer. Deveis falar
delas nas vossas homilias. Estas devoções encerram
grandes virtudes. Se as pessoas conhecessem estas coisas, se
soubessem perseverar na oração, ter-se-iam convertido
ou, pelo menos, não cairiam tão baixo (geme).
E - Belzebú, continua a falar, diz tudo o que tens a dizer...
O PAPA E A IGREJA
B - A situação atual do
mundo é muito grave. O Papa sofre tanto. Como lhe é
insuportável ver o que se passa! É um mártir,
sofre mais do que Santo Estevão! Como ele já pouco pode
dizer, deveis ao menos dedicar-vos à difusão destes
livros de Maria Agreda, de Catarina Emmerich e da Imitação
de Cristo. É isso que os lá de cima desejam.
E - Que
é que tens ainda a dizer, Belzebú? Fala em nome da
Santíssima Trindade!
B - Dar-se-á, sem dúvida,
um grande combate, um grande combate! Ela, lá em cima (aponta
para cima), bem o sabe.
E - Diz a verdade, em nome da Santíssima
Trindade, da Santíssima Virgem Maria, do S. Miguel Arcanjo, e
em nome de todos os Santos Anjos e Arcanjos!
B - O Papa sofre
horrivelmente por causa da nova Missa. Ele sabe que o documento
relativo à Missa não foi acolhido como ele desejaria, e
que a nova missa... (solta gritos horríveis).
E - Em nome
da Santíssima Trindade, diz a verdade!
B - Ah! Nós
não gostamos de falar do Papa. Temos mais que fazer, temos que
nos ocupar dos homens. Nós já não podemos atacar
pessoalmente o Papa (rosna desesperado).
E - Belzebú, tens
de dizer a verdade, em nome da Santíssima Trindade (...), da
Bem Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus! Diz o que tens a
dizer!
B - Nós já uma vez afirmámos que o
Papa Paulo VI tinha elaborado e queria promulgar um documento a favor
da antiga Missa. Por outras palavras: o Papa queria reintroduzir a
Missa de S. Pio V, a Missa Tridentina. Tinha redigido, com todo o
cuidado, um documento nesse sentido. Era, então, seu desejo
publicá-lo Urbi et orbi. Alguns dos seus subordinados entraram
em deliberação para verem como poderiam impedir o
restabelecimento da antiga Missa. Redigiram então outro
documento, que imitava o primeiro duma maneira tão perfeita,
quer no formato, quer na redação, que seria difícil
uma pessoa aperceber-se, à primeira vista, de que se tratava
dum documento falso.
E - Porque é que o Espírito
Santo permite estas coisas? Belzebú diz a verdade (...)!
B
- Permite-as, para que se cumpram as Escrituras. Há muito que
se afirma que virão tempos tão confusos que cada um
dirá: “Cristo está aqui!” ou “Cristo
está ali!” Hoje, uns dizem “Isto é melhor”
outros afirmam “aquilo é melhor”, e ninguém
sabe o que quer. Cada um pensa que é bom, que é
superior, e põe-se à frente dos outros. Há mesmo
pessoas que seguem a muitos “Cristos”..., e outras que
seguem somente um... normalmente o falso (ri maldoso).
E - Mas a
Igreja Católica é guiada pelo Espírito Santo
(...). Em nome (...)!
B - Sem dúvida que a Igreja é
guiada pelo Espírito Santo, mas se certos Cardeais e Bispos
não forem melhores, não é culpa nossa que se
deixem levar pela nossa malícia.
E - Continua Belzebú,
diz o que tens ainda a dizer em nome (...)!
B - No fundo, a Igreja
não precisava de sofrer esta crise, mas é necessário
que as coisas se passem assim, que o mundo seja passado a crivo,
segundo a profecia do próprio Cristo. Virão brevemente
tempos em que só haverá uma esquerda e uma direita e
nenhuma situação intermédia. Talvez as coisas
não se passassem assim, se não tivéssemos
chegado a esta confusão. É preciso que o mundo seja
passado a crivo. Os cristãos que ficarem serão melhores
que os dos últimos cinco séculos da Igreja.
E - Em
nome da Santíssima Trindade, do Pai, do Filho do Espírito
Santo, nós te ordenamos Belzebú, que digas tudo o que
tens a dizer da parte da Santíssima Virgem!
B - Eu,
Belzebú, devo ainda dizer que as revelações do
Apocalipse de S. João, tal como se encontram na Bíblia,
são mal compreendidas pela maior parte das pessoas, porque
foram escritas numa linguagem misteriosa. Para melhor as compreender
deve consultar-se o livro de Maria Agreda. Lá se encontra a
explicação de muitas coisas relativas à
Revelação.
Estamos nos últimos tempos e é
por isso que todos os fiéis devem pegar nestes livros e seguir
os seus ensinamentos. Neles encontrarão uma melhor informação
sobre todas estas coisas.
E - Belzebú, diz a verdade em
nome da Santíssima Trindade, da Santíssima Virgem
Maria, Mãe de Deus, diz o que tens a dizer!
VERDADEIRAS E
FALSAS ALMAS
PRIVILEGIADAS
B - Atravessamos uma época de
grande confusão e guerras. Aquilo que os lá de cima
mais lamentam é o aparecimento, hoje em dia, de tantas almas
privilegiadas que, na realidade, não o são. Muitas
destas almas privilegiadas não o são
verdadeira-mente.
Devo acrescentar ainda - e faço-o contra
a minha vontade -, que muitos fiéis têm tendência
a seguir, com fanatismo, os que se dizem almas privilegiadas. Na
verdade, isso é mais fácil do que seguir a
Cruz.
Relativamente às autênticas almas
privilegiadas, encontramos sempre a Cruz, a incredulidade, a oposição
e contradição. E as coisas passam-se assim, porque nós,
demônios, permanecemos por detrás de tudo e não
queremos o bem. Mas a maioria dos fiéis, pelo menos grande
parte deles, tem mais tendência a seguir, não as
autênticas almas privilegiadas, mas aquelas onde há
muita charlatanaria e fanatismo.
Nunca houve tantas falsas almas
privilegiadas como atualmente! É por isso que muitos fiéis,
mesmo fiéis piedosos, são induzidos em erro, sobretudo
quando se trata de pessoas pouco inteligentes. Nós temos um
grande poder e utilizamo-lo especialmente para tentar as almas boas.
Estamos a trabalhar afanosamente.
Muitos dos “milagres”
que acontecem no seio de certas seitas e que se passam com certas
almas privilegiadas, vêm lá de baixo (aponta para
baixo). Pretende-se que tudo acontece pelo Espírito Santo, mas
na realidade tudo é realizado por nós (aponta para
baixo), em nome do inferno. Nós podemo-nos transformar em
“Anjos de Luz.” Também é possível
curar doentes, em nosso nome, se isso servir duma maneira vantajosa
aos nossos objetivos. É mais fácil aos perversos
realizarem coisas extraordinárias pelo poder do inferno e em
seu nome, do que às autênticas almas privilegiadas
obterem do Céu coisas extraordinárias e verdadeiros
milagres. A estas últimas é necessário muita
oração e virtude. Por esse motivo é que com as
almas privilegiadas autênticas se dão muito menos
milagres visíveis. Além disso, acontece às vezes
também que almas privilegiadas autênticas se desviem de
Deus. É preciso estar muito atento. Também aqui é
preciso lembrar aquele aviso: “Examinai tudo, e guardai o que é
bom” (Tess. 5,21).
OS ÚLTIMOS TEMPOS
B - Cristo disse: Tempos virão
em que vos será dito: “Cristo está aqui”,
“Ei-lo ali.” Se alguém vos disser: “Ele está
no deserto”, não o acrediteis, pois surgirão
falsos Cristos e falsos profetas, que darão grandes sinais, de
maneira tal que, se fosse possível, até os eleitos
seriam enganados. Estas palavras poderiam aplicar-se muito bem às
falsas almas privilegiadas. Muitos correm atrás delas como
atrás de falsos Cristos. De fato, o Anti-Cristo surgirá
como um falso Cristo, mas estas palavras podem aplicar-se também
ao que acabo de referir.
E - Belzebú, diz a verdade em nome
da Santíssima Trindade (...)!
B - Estais agora na prova,
mas a Igreja ressuscitará com novo esplendor.
E - Em nome
de (...)!
B - Escutai uma comparação tomada da
figueira: quando no tronco aparecem as folhas, sabeis que o Verão
está próximo. Assim também, quando virdes
suceder estas coisas, sabereis que está perto o Reino de
Deus(Luc.21,29-31). Agora, esse tempo está terrivelmente
perto.
Ela (aponta para cima) manda dizer: “Coragem! Fazei
penitência e convertei-vos, enquanto ainda é tempo”...
pois o Seu Dia vai chegar (ruge como um leão), o Dia da Justa
cólera de Deus.
RESPOSTAS A
ALGUMAS CRÍTICAS
PELO
PADRE ARNOLD RENZ, SDS.
1. Cristo não aceitou
o testemunho dos demônios e ordenou-lhes: “Calai-vos”.
a)
O próprio Cristo estava presente. Ainda não tinha
revelado a Sua divindade e não necessitava do testemunho dos
demônios. O Pai testemunharia por Ele.
b) Cristo também
ordenou aos Seus Apóstolos que se calassem. Depois da Sua
Transfiguração no Monte Tabor disse aos Apóstolos:
“Não faleis a ninguém desta visão,
enquanto o Filho do Homem não ressuscitar dos mortos”
(Mt. 17,9).
c) A pouco e pouco Cristo foi preparando os homens
para a revelação da Sua divindade. Por esse motivo é
que recusou o testemunho dos demônios. Mas permitiu também
que eles dissessem: “Nós sabemos quem és: és
o Santo de Deus” (Lc. 4,34). Ele poderia ter impedido esta
declaração, contudo não o fez.
2. Nós temos os
ensinamentos da Igreja, não precisamos do testemunho dos
demônios.
a) Os demônios
não nos ensinam verdades de fé. Quando falam de si
próprios, sobretudo quando dizem o que querem, misturam
habitualmente e habilmente a verdade e o erro.
b) Não se
devem fazer perguntas indiscretas. Quando isso acontece, deve
con-tar-se com respostas mentirosas. Isto não se aplica só
aos demônios, mas também aos videntes e às almas
privilegiadas. Infelizmente, são muitas vezes tomados por
agências de informações. Por exemplo, uma vez
perguntaram ao Santo Cura d'Ars: “O meu marido está no
Purgatório?” Ele respondeu: “Isso é que não
lhe sei dizer. Nunca lá estive.”
Pelo contrário,
noutra ocasião, respondeu: “O homem em questão,
salvou-se. Teve tempo de fazer um ato de contrição.”
Neste
caso havia um motivo especial. Não se tratava apenas de
dar a resposta a um pergunta curiosa.
c) A existência
dos demônios é um fato. A Sagrada Escritura informa-nos
sobre a existência do inferno e dos demônios. O Papa fala
da existência e da ação dos demônios.
Apesar disso, muitos não o acreditam. Por esse motivo é
que a Santíssima Virgem disse ao Padre Gobbi: “O Papa
sofre e reza; está sob uma cruz que o consome e que o mata.
Agora, ele também falou, mas a sua voz é como a semente
caída no deserto. A minha Igreja transformou-se num deserto,
ou em algo ainda pior.”*
Através dos possessos a
existência e a ação dos demônios tornam-se
palpáveis. Ela é, além disso, um sustentáculo
para a nossa fé.
d) As verdades ensinadas pela Igreja estão
atualmente reduzidas ao silêncio. Por exemplo, quem falou
nestes últimos anos do Inferno e dos demônios? O inferno
e os demônios foram praticamente considerados tabu para a
pregação da Igreja, do Reino de Deus. Só com o
caso Kligenberg** é que o problema voltou a ser
discutido à escala mundial. Resultado: Uma divisão dos
espíritos em que uns acreditavam e outros negavam a existência
de satanás e do inferno. Daí resultou, por outro lado,
uma negação dos fatos, por outro, uma fé
renovada. Muitos, porém, foram levados a refletir sobre o
inferno e satanás, o que nunca teria acontecido se não
fosse o caso Klingenberg.
e) Nós não
necessitaríamos nem das revelações feitas nos
lugares de Aparições, nem das revelações
de Videntes ou almas privilegiadas, se lêssemos mais seriamente
a Sagrada Escritura. Assim, por exemplo, Maria diz ao Padre Gobbi:
“As Minhas mensagens multiplicam-se tanto mais, quanto mais a
voz dos meus servos se recusa a anunciar a verdade. Aquelas verdades
tão importantes para a vossa vida já não são
proclamadas, por exemplo: os ensinamentos sobre o Paraíso que
vos espera, sobre a Cruz de Meu Filho que vos salva, sobre o pecado
que fere o Coração de Jesus e o Meu, sobre o inferno,
no qual tantas almas se precipitam diariamente, sobre a urgência
da oração e da penitência.”
f) Se os
demônios se limitassem a falar de si próprios, tínhamos
que recusar as suas revelações. Mas, precisamente
nestes últimos casos de possessão, a Santíssima
Virgem mostra o Seu poder e a Sua soberania. Ela obriga os demônios
a manifestar verdades necessárias à Igreja do nosso
tempo, verdades esquecidas que é preciso relembrar.
g) Os
ensinamentos da Igreja são recusados, do mesmo modo que as
mensa-gens da Santíssima Virgem nos lugares das Suas Aparições
e as revelações das almas privilegiadas. Recusam-se as
lágrimas, as lágrimas de sangue da Mãe do Céu.
Agora, a Santíssima Virgem tenta ainda um novo meio: as
revelações dos demônios. Mas também elas,
por sua vez, só são aceitas onde ainda brilha um mínimo
de boa vontade.
h) As revelações dos demônios
não são senão um favor do Céu, uma prova
do Amor pleno de solicitude da Santíssima Virgem.
i) A
Santíssima Virgem disse, nas bodas de Caná: “Fazei
tudo o que Ele vos disser.” Mas hoje, já não se
faz o que Ele nos diz. A Santíssima Virgem repete-nos hoje,
mas com mais urgência: “Fazei o que Ele vos disser.”
Ela di-lo mesmo através dos demônios, para que nós
sejamos salvos e para que contribuamos para a salvação
dos outros.
j) Como, Mãe da Igreja, assim a
definiu Paulo VI no Concílio, tudo quer fazer para salvar os
Seus filhos, os resgatados por seu Filho. Teriam, porventura, as
almas menos valor para Ela do que para o inferno, que emprega todos
os esforços, que trabalha sem cessar, para as perder?
* Referia-se à
alocução de S.S. Paulo VI sobre o demônio. Os
textos destas locuções encon-tram-se em “Nossa
Senhora aos Seus Sacerdotais”, Braga, 1986.
**
Caso de uma rapariga que morreu durante o exorcismo oficial.
3. Mas como é possível
que os demônios falem entre si, falem em detrimento do inferno?
Eles só podem querer o mal da Igreja!
a)
É claro que os demônios só querem fazer-nos mal.
Não nos querem dizer o que contraria o inferno. O seu objetivo
principal é denegrir a Igreja, sempre que isso for possível.
Mas já Goethe punha estas palavras na boca do demônio:
“Eu sou a força que só quer o mal, e que contudo,
pratica sempre o bem.” *
b) O que se passa com os possessos
é precisamente isto: o poder da Santíssima Virgem
exprime-se de maneira tangível, quando força os
demônios a anunciar o bem e a verdade.
c) Os demônios
não querem fazer estas revelações. Só as
fazem quando são obrigados, sob o poder e as ordens da
Santíssima Trindade e a da Santíssima Virgem. Só
fazem estas revelações quando, intimados em nome da
Santíssima Trindade, da Santíssima Virgem, do Coração
Imaculada de Maria ou em nome de Jesus, são obrigados a dizer
a verdade e só a verdade. (No texto, estas exigências
feitas aos demônios foram, na sua maioria abreviadas ou
omitidas, por falta de espaço e para que a leitura não
se tornasse excessivamente monótona). Mas sem essas ordens,
pode acontecer, como aliás aconteceu ouvir o demônio
exclamar: “Estás a ser insolente.” Porquê?
interrogou o exorcista . “Dizes apenas: diz a verdade! Se falas
só em teu nome, então não somos obrigados a
revelar o que quer que seja!”
d) Estas revelações
são uma dádiva que o Céu concede à
Igreja. Se assim forem consideradas podem fazer muito bem. Para
muitas almas, podem significar o bem espiritual e a salvação,
para a Igreja, a renovação. Por isso mesmo é que
os possessos sofrem tão horrivelmente, sofrem até ao
limite do possível. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a
jovem Annelise Michel, no caso Klingenberg, que morre depois do
exorcismo. A esse respeito, confessarão os demônios:
“Nós atormentámo-la para lá de qualquer
medida, a tal ponto que deveria ter desesperado e desistido. Nós
esperávamos que, no seu desespero caísse nas nossas
mãos. Mas não conseguimos alcançar o nosso
objetivo! Ela resistiu e nós, demônios, fomos
horrivelmente injuriados por lúcifer.” E os demônios
acabaram mesmo por confessar: “Se ela não foi
imediatamente para o Céu, decerto chegou bem alto, bem
alto.”
Aqueles que conhecem a vida da possessa destes
“Avisos” puderam verificar os sofrimentos monstruosos que
ela desde há anos vem agüentando. Tais sofrimentos e uma
vida assim são garantia da autenticidade desta possessão
e destas revelações. É por isso que o livro
constituirá uma obra importante, para o bem das almas e para a
Igreja.
e) O inferno agita-se e procura destruir o livro.
Sem a
proteção da Santíssima Virgem e da Santíssima
Trindade não se teria conseguido vencer os obstáculos e
as dificuldades, e a sua publicação jamais teria sido
possível. Os próprios demônios tiveram que
reconhece-lo. Aliás, todos aqueles que nele colaboraram, bem o
sabiam, mesmo sem as revelações demoníacas.
Estas, só o vieram a confirmar mais tarde.
f) Para os
exorcismos e adjurações a partir de 10 de Junho e até
3 de Julho posso dizer que segui as instruções do
“Ritual Romanum”, segundo as quais o exorcista não
se deve deixar levar no engodo das palavras dos demônios ou pôr
perguntas sobre questões futuras ou secretas, pois não
é nisso que consiste o seu trabalho.
g) Pelo desenrolar das
“Confissões” verificou-se que a Santíssima
Virgem decerto, como um último recurso, quis revelar pela boca
dos demônios o que é útil para a Igreja e para o
bem das almas. Só neste sentido, é que foram feitas
perguntas e exi-gidas novas revelações, mas “somente
a verdade e o que a Santíssima Virgem quer.”
h) Antes
das revelações importantes foram exigidas certas e
determinadas orações, “para que nós
(demônios) sejamos obrigados a dizer a verdade.”
i) Se
os demônios não falassem a “linguagem do inferno”,
a possessão não seria autêntica. Os demônios
voltam sempre a exprimir o seu ponto de vista. O leitor reconhecerá
facilmente quando os demônios exprimem o seu próprio
ponto de vista.
j) Os demônios estão ligados ao
“instrumento”, no seu modo de falar. Também é
possível que as idéias do “instrumento” (da
pessoa possessa) se misturem com as suas revelações. É
por isso que é sempre necessário confrontar as
revelações com os ensinamentos verdadeiros da Santa
Igreja. “Examinai tudo, retendo apenas o que for bom” diz
S. Paulo.
k) Num tempo em que os demônios são
particularmente poderosos como parece ser agora o caso, parece muito
oportuno que a Santíssima Virgem, a vencedora de todos os
combates de Deus que há-de esmagar a cabeça a satanás,
os force a fazer revelações mesmo contra a sua vontade,
para bem dos homens e da Igreja. Também isto é um
triunfo de Maria.
m) Se Ela pede constantemente que o livro seja
impresso o mais rapidamente possível (porque o tempo urge?),
certos pontos mais obscuros não puderam ser acompanhados de
notas explicativas.
n) Durante a realização deste
livro rezou-se muito. Os próprios demônios pediam
constantemente, da parte da Santíssima Virgem, certas e
determinadas orações. “Rezai muito ao Espírito
Santo!”
Se o leitor, por seu lado, aceitar este convite,
decerto tirará grande proveito desta leitura. Há-de
receber a luz necessária, mesmo para aquelas passagens que não
têm a necessária clareza.
* O demônio
pratica e quer só o mal, mas Deus faz com que tudo concorra
para o bem daqueles que ama, inclusivamente a ação do
diabo.
N.B. A documentação final esclarece
alguns pontos controversos do Exorcismo e dá ao leitor a linha
doutrinal da Igreja nestas matérias.
DOCUMENTOS
O QUE É
A POSSESSÃO?
Pelo
Padre Arnold Renz, SDS
Provas da existência do
demônio: Elas encontram-se nos
ensinamentos de Cristo nas Sagradas Escrituras; nos ensinamentos do
magistério eclesiástico; nos ensinamentos dos Papas,
representantes de Cristo. Estes ensinamentos concordam: o demônio
existe.
A ação do demônio: O demônio
exerce um grande poder, não apenas pela sua ação
íntima sobre os homens e pela tentação, para os
fazer cair em pecado e os afastar de Deus, mas também pelo seu
domínio sobre determinadas pessoas através da
possessão.
A Possessão: Embora a possessão
não possa ser provada nem confirmada pela Ciência
(Psicologia) ela tenta estudá-la, saindo assim da sua
competência. A sua existência tem, no entanto, de ser
aceita. Mesmo abstraindo dos ensinamentos do Magistério e das
Sagradas Escrituras, ela foi experimentada por Santos (por ex: S.
João da Cruz, o caso duma religiosa na vida de Santa Teresa de
Ávila, o Santo Cura d'Ars e tantos outros). A história
da Igreja fornece um grande número de casos de possessão,
que não são aqui mencionados.
É preciso
grande prudência na aceitação de certos casos de
possessão, pois existem doenças psicológicas que
se assemelham muito a possessões. Há diferentes
fenômenos, ou manifestações, que provam a
possessão. O mais evidente á a reação ao
exorcismo feito apenas mentalmente: é o chamado “exorcismus
probativus.” Mas mesmo neste caso é possível que
os demônios se escondam, que não se manifestem e não
reajam. No caso de não reagirem, isso não prova que
eles não estejam presentes. Mas se reagem, isso prova que há
possessão. Um fator importante é fornecido pelo
comportamento perante objetos benzidos, relíquias, água
benta, medalhas... Mas, neste caso, não é preciso que a
pessoa saiba previamente que os objetos estão benzidos.
O
comportamento perante a água vulgar e a água benta é
um sinal da presença dos demônios. Certas pessoas tem o
dom de distinguir a água vulgar da água benta, mas a
sua reação não é uma rejeição
furiosa. A reação furiosa não se pode explicar
dum modo natural.
Um outro sinal comprovativo é o sucesso
do exorcismo. Citamos apenas um caso: o dos pequenos possessos de
Illfurt(1). Estes demônios puderam ser expulsos. Depois da sua
expulsão, por exorcismos que se prolongaram durante dois anos,
as crianças ficaram absolutamente normais.
O fracasso do exorcismo será
um sinal negativo?
a) Se não
há realmente possessão, o exorcismo não pode
resultar. Em certos casos pode até mesmo prejudicar.
b) Há
casos de possessão que têm um objetivo particular: por
exemplo, a purificação de uma pessoa que vive no pecado
ou o castigo para uma vida de pecado, mas também há
especialmente casos de pessoas que se consagram ao diabo. Tais casos
são, na maior parte das vezes, longos e exigem um esforço
enorme da parte do exorcista, mas não são casos
desesperados, sobretudo se a pessoa tiver boa vontade (o caso de
Magda com o Padre Rodewyk). (2)
c) Um caso particular de
possessão é o que se chama “possessão
expiadora.” As pessoas em causa não são
pessoalmente culpadas. Podem, por exemplo, ter sido amaldiçoadas.
Porque é que num ou noutro caso a maldição dá
efeito e noutros não? Continua a ser um mistério. Se
certas pessoas aceitam sofrer por outras, tal disposição
pode traduzir-se em possessão. A possessão obriga a um
sofrimento horrível. A história mostra que os possessos
que sofreram muito tempo não chegam a velhos (o caso dos
meninos de Illfurt).
Há possessos que sofrem pela
humanidade, pela Igreja ou por determinados grupos de pessoas, por
exemplo, Sacerdotes.
d) Quando se consideram certos casos como,
por exemplo, o de Nicolau Wolf, de Rippertschwand,(3) ou o de
Altotting,(4) pode-se pensar que estes casos têm uma missão
especial a cumprir na Igreja: não só pelos sofrimentos
evidentes, mas também pelas suas revelações.
Podíamos citar aqui o caso que é objeto desta obra ou o
caso Klingenberg.(5) As revelações feitas nestes casos
devem ser consideradas um testemunho e um auxílio à
Igreja nos tempos difíceis que atravessa. Estes casos resistem
ao exorcismo até se cumprirem determinados objetivos. No caso
de Klingenberg, o sofrimento prolongou-se até à
conformação com Cristo e a morte na Cruz. Anneliese
morreu de fome e sede.
O demônio declara nesta obra a
propósito de Klingenberg: “Deus submeteu esta família
e a todos os que tomaram parte no assunto, a uma prova indizível.
Ele chamou a Si essa pobre alma sofredora, para que acabasse o seu
martírio e pudesse gozar da Beatitude eterna.”
Acrescentaram depois: “Mesmo que ela (Anneliese) não
tivesse sido imediatamente elevada à eterna Bem-Aventurança,
ficou muito alto, muito alto”(10 de Junho de 1977).
A morte
de Anneliese foi permitida por Deus e não devida a um fracasso
do exorcismo.
Em que é que consiste
exatamente a possessão?
No
caso dos possessos, o demônio não só toma posse
da alma da pessoa, como é o caso do pecado grave ou “pecado
mortal”, como também do corpo e das forças
físicas, psíquicas, de modo que a pessoa deixa de poder
dispor livremente do seu corpo, do seu espírito e da sua
vontade. Outro demônio apoderou-se deles. A pessoa possessa não
pode reagir contra o que os demônios querem fazer por seu
intermédio. No entanto, uma ponta de inteligência, a
mais profunda, e a vontade, podem opor-se a todo o mal que os
demônios querem impôr. Neste caso, a pessoa não
comete qualquer falta. Ainda menos se pode falar de culpa, se durante
a “crise”, ou depois dela, a pessoa não se lembra
de nada. Foi o caso, por exemplo, das crianças de Illfurth
que, no fim, de nada se lembravam do que tinha acontecido durante a
possessão.
Muito especialmente, nos casos de “possessões
expiadoras”, há o que se chama a possessão
lúcida, isto é, a pessoa possessa sabe totalmente ou em
parte, o que faz e diz. Nestes casos, estamos perante um sofrimento
imensamente penoso, que é suportado com pleno conhecimento.
Causas da possessão: Resumindo: pode haver um pecado grave, que abre as portas aos demônios. Pode acontecer que a pessoa em causa se entregue ao demônio por um pacto assinado com o seu próprio sangue(o caso de uma religiosa, na vida de Santa Teresa de Ávila e S. João da Cruz) que essa pessoa se entregue a práticas ocultas ou que tenha uma intenção especial: reparação ou algo semelhante.
A possessão e a
Ciência: Satanás e a
possessão pertencem ao sobrenatural. A Ciência não
tem acesso ao sobrenatural. Ela ocupa-se dos fenômenos. Se a
Ciência discute sobre satanás ou sobre a possessão,
ultrapassa os limites da sua competência e não merece
crédito. O mesmo se pode dizer quanto à Psicologia e à
Medicina.
É razoável e até aconselhável,
quando se desconfia de que há possessão, pensar em
primeiro lugar, nas causas naturais e também nas doenças
psíquicas. Mas a razão exige que se atenda à
possibilidade de uma possessão. Um exame cuidadoso do caso
deve estabelecer as causas do estado da pessoa. O fracasso da
Medicina no tratamento do caso pode ser um sinal de possessão.
Quando a Ciência desiste, é preciso que o caminho fique
aberto ao exorcismo, ao remédio apresentado pela Igreja,
conforme as ordens de Cristo: “Expulsai os demônios”(Mt.10,8).
O erro, segundo o qual, Cristo estaria condicionado pela mentalidade
do seu tempo, relativamente aos demônios, contradiz a Sua
Divindade e deve ser rejeitado.
A Possessão é
uma doença?
Fundamentalmente
a possessão não é uma doença; no entanto,
pode atrelar-se a uma doença. Muitas das vezes, as doenças
dos possessos desaparecem com a expulsão do demônio e
não podem ser combatidas pela medicina.
Que é exorcismo?
O
exorcismo é o remédio da Igreja, que se esforça
por expulsar o demônio pela oração, por leituras
da Sagrada Escritura, por adjurações*, intimações
em nome de Jesus, uso da água benta, bênçãos,
Sinais da Cruz, a imposição da estola, a imposição
das mãos. Seria um erro pensar que basta um único
exorcismo para expulsar os demônios. É um duro combate
entre o exorcista e os demônios.
Estes repetem
constantemente: “Nós não somos obrigados a partir
já.” É por isso que também aqui é
válido o aforismo: Deus tem a última palavra a dizer.
NOTAS
1) Padre P. Sutler: “O
poder de satanás e a sua ação.”
Editora
Siegfried Hacker, Grobenzell, 7. ed. 1975. História
dos pequenos possessos de Illfurt. Há tradução
em francês na editora Résiac.
2) P. Adolf Rodewyk,
SJ: “A possessão demoníaca nos Tempos de Hoje.”
o caso Magda. Edição alemã de Paul Pattloch,
Aschaffnbourg, 1976.
3) Johann Erni Sermões do diabo
Nicolas Wolf, de Rippertschwand. Editora Siegfried Hacker.
Grobenzell, 1975. Edição alemã.
4)
Teufelspredigt von Altoltting Sermões do diabo de
altoltting.
5) Sobre o “Caso Klingenberg” ainda não
há nada publicado em definitivo.
* Adjurações:
Rogo, pedido instante, emprego do nome de Deus e dos Santos para
imprecação; esconjuro; exortação.
Não
confundir com Abjurar que significa: Renunciar, desdizer, negar com
falso testemunho.
CARDEAL
HOFFNER:
Entrevista*
sobre as possessões.
SL - A trágica morte,
no verão de 1976, da estudante de Pedagogia, Anneliese Michel,
falecida após os exorcismos de Klingenberg, excitou
violentamente os espíritos. Foi dito, então, que era
inadmissível que num século civilizado, como o século
XX, se pudesse ainda acreditar no diabo e na possessão. Os
Padres que fizeram o exorcismo foram considerados co-responsáveis
da morte da jovem estudante. O exorcismo devia ser legalmente
proibido. Que é que o Sr. Cardeal pensa do caso?
JH - Têm
de se fazer duas perguntas: 1ª - Existem de fato os espíritos
mali-gnos, a que nós chamamos demônios? 2ª - Esses
espíritos podem exercer influência sobre o ser
humano?
SL - Comecemos pela questão da existência do
demônio. O Papa Paulo VI explicou na Audiência Geral de
15 de Novembro de 1972: “Sabemos que esse ser obscuro e
perturbador existe verdadeiramente e que está sempre em
atividade.” Em 23 de Julho de 1976, o jornalista Hannes Burger,
de Munique, comentava assim os ensinamentos do Papa: “Dum modo
geral, podemo-nos sorrir ante tal discurso; aliás, patacoadas
desse gênero há muito que são consideradas
absurdas, mesmo pela Teologia Católica Contemporânea.”
JH
- Não vamos falar do tom presunçoso das palavras do
Hannes Burger. Digo só que é falso afirmar que “a
Teologia Católica Contemporânea” nega a existência
dos espíritos malignos. Os professores Karl Rahner e Herbert
Vorgrimler declaram que “a existência de forças e
poderes malignos sobre-humanos e a sua ação no mundo”
são “uma verdade de fé.”(1) O professor Leo
Scheffczyk, da Universidade de Munique declara por seu lado que, “na
pregação de Jesus, satanás se apresenta como o
adversário da obra da salvação.”(2)
“Os
diversos poderes, escreve o professor Heinrich Schlier, da
Universidade de Roma, que só desenvolvem o único poder
satânico, apresentam-se como uma espécie de poder
individual.”(3)
Joseph Ratzinger, da Universidade de
Ratisbona, escreve: “o exorcismo, sobre um mundo ofuscado pelos
demônios, pertence inseparavelmente à via espiritual de
Jesus e coloca-se no centro da Sua mensagem e na dos Seus
discípulos.” (4)
Poderia ainda citar outros tantos
teólogos, mesmo protestantes. Mas estes exemplos já
chegam.
SI - Karl Rahner e Herbert Vorgrimler declaram que a
existência dos espíritos malignos, é considerada
“como ensinamento bíblico e do magistério
eclesial.”(5) Poderá o Sr.
Cardeal esclarecer mais pormenorizadamente o sentido destas
palavras?
JH - O IV Concílio de Latrão, no ano de
1215, resumiu dum modo perfeitamente claro os ensinamentos da Igreja:
“No princípio do mundo, Deus exercendo a Sua Força
Poderosa, criou do nada, as duas criaturas, a espiritual e a
corporal, quer dizer, a angélica e a terrestre e, em seguida,
a humana, que de certa maneira encerra em si as outras duas, pois é
composta de espírito e corpo. Porque o diabo e os outros
espíritos malignos foram criados bons por Deus. Eles próprios
é que se tornaram maus.” (6)
Este texto significativo
compreende três afirmações:
1ª - Deus
criou tudo a partir do nada: os Anjos, o Universo e os Homens. 2ª
- Os espíritos malignos também foram criados por Deus,
como seres bons, quer dizer, como Anjos. O mal não é
uma estrutura fundamental do ser; não é uma força
cósmica do ser.
3ª - Estes seres tornaram-se espíritos
malignos, quando se separaram de Deus.
O que o IV Concílio
de Latrão ensina é a doutrina primitiva da fé
Católica. Em 561, o Concílio de Braga, em Portugal,
declarava: “Se há alguém que diga que o demônio
não foi criado por Deus, ao princípio, como um Anjo
bom, que não é por natureza uma criatura de Deus mas
que, ao contrário, saiu das trevas, que não tem
criador, mas que é o princípio e a substância do
Mal... que seja anátema. Se há alguém que diga
que o demônio... produz pelo seu próprio poder a
trovoada, os relâmpagos, as intempéries e a seca... que
seja anátema. (7)
Ainda muito recentemente, o Concílio
Vaticano II declarava que Deus, por Jesus Cristo, “nos libertou
da escravidão do demônio e do pecado”(8), e que a
atividade da Igreja tem por fim, “a confusão do
demônio.”(9)
SI - O professor Haag declara que é
anti-bíblico insistir na existência do demônio;
que o Papa Paulo VI na sua alocução de 15 de Novembro
de 1972, exerceu “pseudo-exegese” e interpolou os textos
da Sagrada Escritura, “como nenhum estu-dante, no primeiro
semestre, ousaria fazer.” Quando a Congregação
para a Doutrina e Fé publicou, em Junho de 1975, o seu
documento sobre “Fé cristã e demonologia”,
o professor Haag declarou o seguinte: “Roma falou mais uma vez
com rodeios.”
JH - Teólogos autorizados refutaram
vigorosamente a censura de que era anti-bíblico sustentar a
existência do demônio. O professor Joseph Ratzinger
escreve: “não é como exegeta, como comentador da
Sagrada Escritura, que Haag diz “adeus ao diabo”, mas
como “homem deste tempo”, porque a existência do
demônio é inegável. A autoridade, em virtude da
qual ele formula a sua opinião, é a da sua filosofia
moderna e não a intérprete da Bíblia.”(10)
Nas pregações de Jesus, satanás é o
grande adversário que, no entanto, não tem qualquer
poder sobre Ele (João 14,30), porque Jesus quebrou o seu
poder: “O príncipe deste mundo está
condenado”(João 16,11). Sem dúvida que satanás
não está no centro da pregação de Jesus.
Mas, “a luta contra o poder dos demônios” faz parte
da missão de Jesus, que veio a este mundo, “para
destruir as obras do diabo”(I João 3,8).
SI - O
professor Haag afirma que “em todas as passagens do Novo
Testamento, onde se fala de satanás ou do diabo, pode também
compreender-se o pecado ou o mal.” (11)
JH - De modo nenhum.
Nas Sagradas Escrituras lemos: “O diabo peca desde o
princípio.” Só uma pessoa dotada de espírito
e inteligência pode pecar, e não o “mal.”
SI
- O professor Haag afirma que nas Sagradas Escrituras o demônio
é “uma personagem a fingir, sem entidade própria”;(12)
que, no Novo Testamento, o demônio aparece
como “a representação do mal, de acordo com a
mentalidade da época”; que Jesus e os Seus Apóstolos
se movimentavam “nessa mentalidade da época, tal como o
mundo que os rodeava.” (13)
JH - No tempo de Jesus, a crença
nos Anjos e nos demônios não fazia parte do Universo
espiritual. Os saduceus, por exemplo, afirmavam “que não
havia nem ressurreição, nem Anjos, nem espíritos”
(Atos 23,8).
É preciso também acentuar que as
Sagradas Escrituras condenaram severamente a magia e a quiromancia,
universalmente expandidas no mundo antigo. O Deuteronômio diz:
“Não haja ninguém no meio de ti que faça
passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha; ou se dê à
prática de encantamentos, ou se entregue a augúrios, à
adivinhação ou à magia, ou feitiço, ao
espiritismo, aos sortilégios ou à evocação
dos mortos. Porque o Senhor abomina aqueles que se entregam a
semelhantes práticas. É por causa dessas abominações
que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações.(Deut.
18,10-12). Parece-me que estas advertências do Antigo
Testamento são válidas para muitos homens cultos do
século XX, que se entregam a tantas supertições.
SI
- É possível que os espíritos malignos exerçam
influência sobre os homens?
JH - As Sagradas Escrituras, no
Novo Testamento, respondem afirmativamente: mencionam, com efeito,
muitos possessos, que Jesus libertou dos espíritos malignos.
Os professores Karl Rahner e H. Vorgrimler escrevem que não
basta somente admitir a influência dos demônios nos casos
onde há “fenômenos extraordinários”,
mas também “na natureza e na história, em que
existe uma cadeia normal, natural, explicável, de
acontecimentos, uma dinâmica das forças demoníacas
orientadas para o mal.”(14)
O professor H. Schlier declara
que as forças demoníacas “se podem tornar
senhoras do homem e do mundo, no seu espírito, até
penetrarem no seu corpo”, para mostrarem nelas e por elas o seu
poder”; diz ainda que estas forças têm, em cada
ser, um cúmplice: a sua tendência egocêntrica, a
sua repugnância perante Deus e o próximo”; que,
precisamente nos nossos dias, não nos podemos libertar da
sensação de que o problema do mundo e da história,
está mal posto.(15)
Entre o Céu e a Terra há
muitas coisas de que os “nossos homens cultos” não
têm a menor idéia.
[Fonte: “Diabo, Possessão, Exorcismo”, em “Questões Teológicas”, nº 10, Outubro de 1976, edit. Joseph Kral, Abensberg].
NOTAS
· Pequeno Dicionário Teológico, editado por Karl Rahner e Herbert Vorgrimler, 7ª edição, Freiburg em Breisgau 1968, p. 49.
· Leo Scheffcyk, “Fé Cristã e Doutrina dos Demônios”, in Revista Teológica de Munique, (1975) p. 392.
· Heirich Schlier, Forças e Poderes do Novo Testamento. Freiburg em Breisgau, 1958, p. 63.
· J. Ratzinger, Adeus ao Diabo? Einsiedeln, 1969, p. 48.
· Cf. a anotação (1).
· Denzinger Schönmetzer, 800. H. Denzinger, SJ (teólogo católico alemão). O seu trabalho Enchiridion Symbolorum et Definitionum é clássico.
· Ibidem, 457-458.
· Gaudium et Spes, 22 (cfr. Ad Gentes, 3).
· Lumen Gentium, 17.
· J. Ratzinger, Adeus ao Diabo?
· Herbert Haag, “Abschied vom Teufel” (Adeus ao Diabo). Einsiedeln, 169, p. 48.
· Herbert Haag, “Teufelsglaube” (A crença no Diabo), Tubinga, 1971, p. 205.
· Herbert Haag Op. Cit. P. 47.
· Kleines Theologisches Wörterbuch, (Pequeno Dicionário Teológico) p. 49.
· Heirich Schlier, “Besinnung auf das Neue Testament” (Reflexões sobre o Novo Testamento) Fribourg Breisgnan, pp. 146, 148, e 157.